quarta-feira, 10 de junho de 2015

Inferno, morte eterna ou aniquilação?

Aniquilacionismo, Inferno e Apocatastasis
Os cristãos durante os séculos têm se dividido em relação a qual será o destino dos ímpios após a morte.

Serão jogados em um inferno eterno? Serão aniquilados? Ou serão completamente restaurados no final do tempos?

Geralmente são analisadas diversas passagens bíblicas e se procura chegar a uma conclusão. Iminentes teólogos já defenderam todas as posições.

Quem defende a primeira posição usa um texto como o de Mateus 25.46: "E irão estes para o castigo eterno, porém os justos para a vida eterna". Dizem que Jesus foi quem mais falou sobre inferno (Ex: Mt 5.22; Mt 10.28; Mt 23.33, Lc 12.5; Lc 16.23; etc). Entre outros argumentos dizem que todo pecado é cometido contra um Deus eterno, logo, o castigo tem que ser eterno. A igreja católica e a maioria dos evangélicos e cristãos ortodoxos, no momento, parecem defender que realmente existe um inferno eterno em que todos os que rejeitaram o amor e o perdão de Deus serão lançados.

A segunda posição conhecida como aniquilacionismo diz que, em um determinado momento, todos os ímpios serão destruídos, eliminados. Um texto que apoiaria tal visão seria o de 1 Tessalonicenses 1.9: "Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder". E ainda: "Então a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo" (Apocalipse 20.14). Argumentam que uma vez que rejeitaram Jesus, a fonte de toda a vida, não terão outro destino que não seja a morte eterna, o contrário da vida eterna. Muitas outras passagens bíblicas poderiam ser mencionadas.

A terceira posição é chamada de universalismo, ou ainda conhecida como "apocatastasis", que significa que todas as coisas voltarão a convergir em Cristo. Um texto muito bacana seria o de Colossenses 1.20: "e que havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, que sobre os céus". Não é ignorada a possibilidade de um castigo eterno, mas o eterno não é para sempre, pois Deus é o criador da própria eternidade. Eterno tem fim. Nesta posição até o diabo seria reconciliado. Teólogos como Clemente e Orígenes de Alexandria defenderam tal posição.

Não é fácil escolher um ou outro posicionamento. Todos têm muito bons argumentos. O teólogo terá que estudar com afinco e se posicionar. Também não é errado dizer que possui dúvidas a respeito. Creio que todos gostariam que a terceira posição fosse a verdadeira. Ocorre que há textos contundentes nas Escrituras que parecem negar que todos serão salvos no final. O segundo posicionamento parece é o mediano entre os extremos. Menos pior será deixar de existir do que ser castigado por todo o restante de uma eternidade sem fim. O primeiro posicionamento tem tido a defesa da maior parte dos teólogos ditos ortodoxos das grandes confissões e certamente não poderá ser totalmente ignorado.

Enquanto pastor evangélico, eu não me sinto confortável em negar completamente o primeiro ponto de vista, afinal, tem sido defendido por notáveis teólogos por toda a história da igreja. Entretanto, não deixo de ensinar as outras duas possibilidades, afinal, a controvérsia também faz parte do labor teológico. Prefiro mil vezes acreditar que no final todos serão salvos, mas se cada qual se preparar contra a primeira opção, estará salvo das outras duas!

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