segunda-feira, 22 de agosto de 2016

O vício em álcool e a liberação das drogas

Há muitas pessoas que defendem, com algum grau de sensatez, a liberação das drogas.

E há motivos para isso, sendo talvez o maior deles o fato de que, em havendo a liberação, a violência decorrente do tráfico irá acabar (por exemplo, as máfias norte-americanas surgiram quando por lá proibiram o comércio de bebidas alcoólicas).

Entretanto, me ocorreu um pensamento, acerca de uma eventual liberação. Algo não fundamentado cientificamente (que eu saiba).

Em nossa atividade eclesial, não é incomum nos depararmos com pessoas que têm determinados vícios na vida, notadamente o álcool. Hoje em dia, ouso dizer, todas as famílias possuem alguém próximo com tal vício. E o álcool é uma droga liberada, sabemos todos, com efeitos devastadores quando não o vicio não é moderado.

Ocorre que, geralmente, pessoas viciadas em álcool dificilmente aceitam que precisam de ajuda.

Demora muito para “cair a ficha”. Presenciei pessoas perderem a vida por conta deste vício, mas sem jamais admitirem a necessidade de ajuda. Ou então, primeiramente, elas perdem tudo, família, emprego, para caírem em si. E muitas vezes, nem assim.

Entretanto, quando uma pessoa é viciada em crack, cocaína, ou algo do tipo, parece que mais rapidamente ela admite que tem um vício. Não que o tal automaticamente vá pedir ajuda. Ela somente admite que é viciada. Mas talvez a diferença não seja pequena, pois, admitir um problema pode ser o início de sua resolução.

A minha dúvida é: será que pelo fato do álcool ser uma droga liberada, leva a este efeito psicológico na vida das pessoas, no sentido delas terem mais dificuldade de admitirem que são viciadas? E se for realmente assim, será que uma eventual liberação das demais drogas não pode causar um efeito similar?

O vício em álcool e a legalidade
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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Realmente vale a pena aumentar impostos no Brasil?

Uma notícia de um ano atrás, mas que vale a pena refletirmos.

Estamos entre os trinta países que mais arrecada impostos no mundo, e, entre os tais, somos o que menos retorno em serviços públicos de qualidade dá a população.

Aumentar impostos em um país como o nosso, é no mínimo temerário.

Não seria o caso, talvez, de diminui-los, e permitir que tais serviços dos quais a população precise fique nas mãos da iniciativa privada? Ou pelo menos moralizar o que já é arrecadado?

Fato é que vivemos em um país um tanto quanto burocratizado, caro, em que boa parte das pessoas coloca mais fé em um emprego estatal que na iniciativa privada.

Batemos recordes atrás de recordes de arrecadação, e, mesmo assim, serviços como saúde, educação e segurança deixam muito a desejar. Infelizmente, talvez ainda tenhamos agentes públicos que procuram fazer da coisa pública, privada, de modo que o “investimento” não retorna para a população.

Será que realmente podemos acreditar em políticos que dizem que farão melhorias sociais? Há alguém capaz de realmente cortar gastos públicos, mas não os relativos às necessidades básicas, e sim no gasto excessivo com o funcionalismo público, verbas indenizatórias de membros políticos de todas as esferas do poder, que somados aos seus salários somam muito mais do que o teto constitucional?

O estado contemporâneo, pelo menos em tese, deveria ter sua razão de existir no princípio da dignidade da pessoa humana, mas infelizmente isso parece longe de acontecer.


Leia mais em Globo.com

O retorno dos impostos no Brasil em serviços púbilcos
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segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Secularismo, islamismo e cristianismo europeu

Já tive a oportunidade de visitar alguns retiros para estudos promovidos por teólogos liberais.

Nestes encontros, Bultmann, Tillich, Spong, Freud, Marx, J. A. T. Robinson, Bonhoeffer,  entre outros (que talvez nem possam ser propriamente chamados de liberais), eram celebrados. Entre os intervalos das aulas, alunos e professores se reuniam para fumar um cigarrinho e tomar uma cervejinha.

Claro que nestes encontros, ninguém ensinava que os milagres relatados nas Escrituras eram verdadeiros. Eram somente mitos. E nem milagres nunca existiram. Nascimento virginal, ressurreição física? Nem pensar. A conversão do indivíduo é analisada em seu aspecto psicológico, sociológico. Nunca como um ato de novo nascimento. Um deles sequer acreditava em conversão. Até mesmo a oração parece ser somente um exercício de falar consigo próprio, seu eu interior, ou com o mistério, enfim. De ressaltar que promotores de tais eventos eram inteligentes, educados, atenciosos, entre outras qualidades.

(...)

Acabo de ler uma notícia de que 2800 templos cristãos serão fechados na França. Este é um país bastante conhecido pela sua empreitada secularista na sociedade, proibindo a utilização de cruzes e outros símbolos religiosos em escolas e repartições públicas, tratando neste caso, igualmente, cristãos, judeus e muçulmanos.

Ocorre que não param de abrir mesquitas na França. E o número de muçulmanos somente aumenta. E essa era a tendência bem antes destas questões envolvendo a entrada maciça de imigrantes na Europa por conta das atuais crises na Síria e no Iraque. Na verdade, o terrorismo só prejudicou o islamismo na Europa por conta de todas as repercussões negativas frente a tal religião. Essa era a tendência natural. Muçulmanos têm mais filhos e, ao que parece, levam sua religião mais a sério que os cristãos do velho continente. A previsão é que em pouco tempo, na Bélgica, o número de muçulmanos praticantes irá ultrapassar a de católicos, para ficarmos somente em mais um exemplo.

Realmente eu não sei analisar de quem é a responsabilidade pelo atual estado de coisas. Será uma Europa radicalmente secularizada que recusou reconhecer culturalmente suas raízes religiosas judaico cristãs e que minou o cristianismo europeu ou se foram os próprios clérigos cristãos que se deixaram envolver demasiadamente no espírito secular e demitologizante de teologia contemporânea? Fato é que um certo vazio espiritual do povo europeu (se é que posso dizer assim) parece estar sendo substituído pelo islamismo, e isso, sem a necessidade de nenhum ato de violência (esta, na verdade, só atrapalhou o avanço do Islã na Europa, em minha opinião).

(...)

Um dos pastores liberais que ensinou naqueles congressos que fui, pregou em sua igreja por ocasião da Páscoa. Acerca de uma visão de anjos que a Escritura relata que uma das discípulas de Cristo teve, ele, o pastor, arrematou para sua plateia: “provavelmente não passavam de homens bonitos”. Conheço sua igreja, e, embora o povo seja muito bacana, ela esta cada dia mais vazia. A questão é: será que alguém realmente continuará indo em uma igreja se não acreditar mais em Deus, ou que sua oração seja ouvida por uma divindade, ou que milagres acontecem? Talvez haja exceções, mas e a regra geral?


Bom. Os muçulmanos acreditam em tudo isso, e são eles que provavelmente irão ditar o futuro da religião na Europa.

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quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Escola sem partido - Uma opinião

Até o antigo "segundo grau" estudei em escolas públicas. Isso, há vinte anos.

Mal me recordo do que foi ensinado, e nenhum professor de história ou geografia marcou minha vida.

Em 1996 comecei a fazer cursinho.

E de fato, sem brincadeira, praticamente todos os professores de história e geografia eram de esquerda. Eram aulas maravilhosas! Não tinha como não ser arrebatado por elas!

Outro dado.

Desde 1994 sou cristão evangélico!

Minha primeira igreja foi a Betesda, do Ricardo Gondim. Na época, ele era filiado ao PT. Lá conheci jovens intelectuais sensacionais, a grande maioria de esquerda. E meu pastor de coração, Ricardo Bitun, sempre de esquerda. E tive contato com as obras do Ariovaldo Ramos, Robinson Cavalcanti, Paul Freston, Caio Fábio, e tantos outros, a maioria de esquerda (muitos deles, professores também). E todos, com pregações, aulas sensacionais (que, na grande maioria, não tinham a ver com política).

Mesmo no curso de direito em que me formei, a maioria dos professores das matérias em filosofia, sociologia, ciência política, antropologia, eram de esquerda. E, alguns deles, sensacionais, sempre os melhores!

Onde quero chegar?

Bom.

Essas pessoas não se tornaram "de esquerda" por força de lei. Pode ter sido por qualquer outra coisa, mas não por força de lei.

Por isso, se os conservadores, ou a direita, ou parte da direita quer mudar alguma coisa no ensino, que tenham a competência de formar educadores nesse sentido e forçarem o debate público (como tem ocorrido, aliás). Se não teve competência para fazer isso, que não o seja por meio de lei. Eu me ressinto sim da pouca informação que tive (quase nenhuma) de pensadores conservadores, como Scruton, Kirk, Burke, ou ainda, de liberais, como Mises. Mas se fizerem por força de lei, me parece que o efeito seria justamente o oposto.

Por isso, em princípio, não sou favorável ao referido projeto.

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quinta-feira, 21 de julho de 2016

O reino de Cristo não é deste mundo

Não é de hoje que vemos na história a religião se envolver em assuntos do poder (e vice versa). Desde a antiguidade, religião e política são questões que andam misturadas.

O cristianismo nasceu à margem do poder. A pequena seita foi perseguida pelos poderosos dentro do judaísmo, e depois também pelo império romano. Jesus pode ser considerado um preso político/religioso.

Assim também, quando teve oportunidade, o grande cristianismo católico acabou por se tornar uma religião primeiramente aceita, e depois, oficial. Não tardou e logo os perseguidos passaram a ser perseguidores.

A Reforma Protestante não trouxe grande mudança em relação a isso. Religião e Estado continuavam sendo coisas misturadas, com a honrosa exceção aos grupos anabatistas pacifistas, que separaram, por si próprios, a igreja do estado, e pagaram com a vida por conta disso.

As guerras de religião nos levaram ao iluminismo, e finalmente a algum consenso de que para que todos vivam em certa paz em uma sociedade pluralista, o estado não deveria favorecer nenhuma religião em particular. Certo é que, em alguns países, mesmo com religião oficial, se tornaram tolerantes com o tempo, como é o caso da Inglaterra e dos países nórdicos.

No Brasil também, em seu início, religião e política se misturaram, sendo que, com a proclamação da República, tal relação se desfez. Curiosamente, no caso brasileiro, mesmo a Igreja Católica assim preferiu, tendo em vista a intromissão do imperador nas questões eclesiais.

Hoje vivemos uma democracia, em boa parte, representativa. Com o crescimento dos grupos evangélicos, é normal que tal seguimento social tenha também seus representantes, e até aqui, nada de mal. O problema é se tais representantes começarem a defender mais o interesse das suas denominações do que os do país. Se estiverem ali somente a mando de seus líderes eclesiais a fim de obter poder político, riqueza, concessões em canais de televisão. Ou ainda, quando colocam em risco a laicidade do estado.

O que penso de tudo isso?

Bem. Fico um pouco triste quando tais homens fazem tudo isso supostamente em nome de Deus, do evangelho, de Jesus. Quando usam suas igrejas para conseguirem votos. Creio que Jesus não faria isso. Se algum pastor quiser se tornar político, deveria, a meu ver, abandonar o pastorado. Deveria seguir uma carreira política normal, em algum partido político, mas não construir sua fama e campanha junto às igrejas. Deve lutar pelo direito dos órfãos, das viúvas, dos mais fracos e fragilizados na sociedade. Se estiver atrás do poder pelo poder, nada faz de diferente que os filhos deste mundo. Aliás, se Jesus disse que seu reino não é desse mundo, porque aqueles que dizem segui-lo querem ter tanto poder?



Pastores e a política
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segunda-feira, 18 de julho de 2016

Crianças: sejam bem vindas à igreja!

Participo de uma pequena igreja em Guaianazes, pela misericórdia de Deus.

Durante esse mês de julho, alguns irmãos e irmãs tiveram a ideia de realizarem uma escola bíblica de férias, aos sábados à tarde. Não é possível fazer durante a semana, tendo em vista que todos nós trabalhamos fora.

Tem sido uma experiência muito boa. O mais interessante é que boa parte das crianças que participam não são da igreja. São crianças do bairro, de comunidades, dos arredores.

O mais bacana é que algumas dessas crianças voltaram em um culto no domingo. E aí, é claro, elas não se comportam, de modo geral, como as demais. Elas correm, andam, conversam durante o culto e coisas assim. Falam até palavrões.

O interessante é que, segundo o relato das professoras durante o culto infantil, todas as crianças se comportaram maravilhosamente bem. Isso é realmente graça do Senhor.

Após o culto, tivemos algumas briguinhas, discussões, um menino saiu chutando a cadeira, e por aí foi.

Bom.

Como vejo algumas coisas.

Muitas dessas crianças vivem nas comunidades, alguns, até mesmo sem acompanhamento direto dos pais. Elas vivem boa parte do tempo nas ruas. Não tenho certeza se a escola tem suprido suas necessidades mais básicas de educação e formação. Acho que não. Parte dessas crianças é um pouco mais ousada do que as demais. Temo que elas estejam caminhando para a marginalidade, em todos os sentidos. Marginalidade material, educacional, e mesmo criminal. Alguém tem que dar um “stop” nisso. Fazer a diferença. Tentar mudar o rumo de suas vidas, antes que seja tarde demais. Penso que a igreja de Cristo tem que ser vocacionada para tal tipo de coisa. Eu mesmo me considero um inútil para isso. Tudo o que acho que sei fazer é abrir as Escrituras, e falar um pouco sobre elas. Ainda bem que Deus coloca outros irmãos na igreja que fazem tão nobre trabalho.

Perde-se um pouco a paz com isso? Claro que sim. Em certo sentido, as crianças tiram o nosso sossego. Mas como já disse alguém, nos cemitérios também há paz, mas não é essa que queremos.










sábado, 23 de abril de 2016

Lidando com o dinheiro em tempos de crise

Graça e paz!

A atividade pastoral exige que sejam dadas orientações de diversos tipos na vida das pessoas. Vão desde coisas consideradas “espirituais”[1], como orar, ter um programa de leitura bíblica, evangelismo, ou mesmo questões mais práticas, como o relacionamento conjugal, postura no trabalho, entre outras coisas.

Uma destas questões práticas é sobre o uso do dinheiro. Estamos vivendo tempos difíceis. Muitas coisas que ocorrem ao nosso redor não são consequência da nossa atividade direta, como o preço da gasolina, o valor da condução, o preço do pão, do leite, do café, entre outras coisas.

Também não escolhemos o lar em que nasceríamos, o bairro, a cidade, a cultura, a família (ou ausência desta). Faz muita diferença entre ter nascido na Finlândia ou na periferia de São Paulo.

A maioria de nós não tem culpa direta[2] pelo fato de estarmos em meio à uma crise financeira no país. Os juros estarem altos, e coisas do tipo.

Entretanto, mesmo em meio à crise, mesmo em meio às dificuldades econômicas, ou em estarmos em um contexto difícil, creio que é possível delinear algumas atitudes concretas que podem nos ajudar, enquanto cristãos, a lidarmos com o dinheiro em meio à crise financeira.

Nesta curta mensagem, vou me ater a alguns textos do livro de Provérbios.

O primeiro conselho que, “de cara”, gostaria de extrair do mencionado livro, é referente ao texto que se encontra em Provérbios 3.9:

Honra ao Senhor com os teus bens, e com a primeira parte de todos os teus ganhos;
Provérbios 3:9

Vejam.

Falo como a cristãos. Falo àqueles que possuem fé.

O texto acima nos fala para “honramos ao Senhor” com a primeira parte (primícias) dos nossos ganhos.

Não é minha intenção reviver o complexo sistema de contribuições do antigo testamento, que pode ser dividido em dízimos, ofertas, primícias e primogênitos. Não é esta a questão.

A ideia aqui envolvida é que a nossa intenção em tudo o quanto fazemos, mesmo naquilo que ganhamos, é “honrar ao Senhor”. É aquilo que vai no nosso coração, em nossas intenções.

Claro que, enquanto pastor evangélico, e como fiel membro da igreja, sempre interpretei o mencionado versículo como a contribuição que se dá na comunidade. Em se separar parte dos ganhos e ofertar para o que hoje chamamos obra do Senhor. Sei que há outras interpretações possíveis, e até quem diga que o versículo não é mais válido para os dias de hoje. Minha intenção não é discutir com tais ideias, e entendo que cada qual deve estar bem firmado em sua mente, naquilo que acredita. Tão somente expor que, enquanto cristão, entendo que o Senhor deve ser honrado em todas as coisas, inclusive com nossos eventuais ganhos, sejam eles dirigidos aos pobres ou inseridos na comunidade de fé, ou ambos. Fato é que o versículo tem uma bonita promessa, e creio que não é errado semear com a expectativa de se colher frutos melhores, desde que não se faça isso com um espírito de troca, mas sim de voluntariedade, amor e desejo de honrar ao Senhor.

Outrossim, acho bom começar nosso texto com um versículo assim. Isso porque, pelo menos para nós, os crentes, a nossa prosperidade não vem em primeiro lugar como fruto do nosso esforço e trabalho. Não. Vem pela graça de Deus. Assim entendemos. Por isso, d’Ele, por Ele e para Ele são todas as coisas. Por isso, entendemos ser o mais correto, honrar a Deus com as primícias da nossa renda.

Há outro princípio que gostaria de compartilhar é o que se encontra em Provérbios 12.24, que assim diz:

A mão dos diligentes dominará, mas os negligentes serão tributários.
Provérbios 12:24

Aqui já estamos em um campo que depende, em muito, de nós mesmos.
Independentemente do local em que nascemos e crescemos, do que fazemos, nós é que definiremos se seremos ou não diligentes.

Ser diligente é ser organizado, responsável. Alguém que se possa contar. Esforçado. Alguém que dá o melhor de si.

Se você faz bem alguma coisa, estude para fazer melhor. Não importa o que seja, não importa de onde se está começando. Seja dos serviços mais simples aos mais complexos. Cumpra prazos. Não fique chegando atrasado no seu trabalho. Não se distraia com redes sociais, ou outras coisas do tipo. Se você é profissional liberal, certifique-se que seus clientes estão satisfeitos com o seu trabalho.

Um terceiro conselho que eu gostaria de deixar para com os irmãos é o de ser prático no que se refere a ter alguma renda. Vejam o que diz Provérbios 14.23:

Em todo trabalho há proveito, mas ficar só em palavras leva à pobreza.
Provérbios 14:23

Veja o que o texto diz: “em todo trabalho há proveito”. Eu vejo que as pessoas, muitas vezes, romantizam muito esta questão do trabalho. Em minha vida, sempre pensei assim: que ter algum trabalho, ganhar algum dinheiro, é melhor do que não ter trabalho nenhum, do que não ganhar dinheiro nenhum.

Então, entendo que não podemos ser muito frescos nesta questão. Talvez um momento ode crise seja a oportunidade de mudarmos um pouco de área. É possível que a nossa área já está um pouco saturada. Talvez a gente não consiga, no momento, ter o mesmo salário do que tínhamos antes de sermos mandados embora de outro emprego. Logo, é possível que não dê para ficar escolhendo muito. O importante é não deixar de entrar algum dinheiro. Como diz o ditado popular, “é melhor pingar do que secar”.

Eu sempre associei um pouco esta questão da espiritualidade com a do trabalho. “Ora et labora”, diz um velho ditado. Todas as vezes que fiquei sem trabalho, a minha espiritualidade não funcionava direito. Logo, muitas vezes, mesmo podendo ter um emprego melhor, não vacilei em trabalhar de atendente, lavar banheiro, caixa, office boy, o que for necessário. Eu, particularmente, tinha horror em ficar parado. Em minha vida, pela misericórdia de Deus, isso sempre funcionou.

Você também pode inovar. Tem gente, por exemplo, que conseguiu pagar os estudos vendendo pão de mel. Há outro testemunho de uma empregada doméstica que se tornou juíza estudando com livros achados no lixo. Tente, invente, faça diferente, não perca tempo com coisas que não te darão nenhum retorno. Plante de manhã, a tarde e à noite, pois você não sabe qual dará o seu fruto (Eclesiastes 11.6).

Um outro conselho que o livro de Provérbios nos dá é o de saber poupar um pouco. Está escrito:

A riqueza de procedência vã diminuirá, mas quem a ajunta com o próprio trabalho a aumentará.
Provérbios 13:11

Vejam. Juntar com o próprio trabalho. Como isso é importante.

Uma das regras de ouro da economia é não gastar mais do que se ganha. Todos nós tempos um tempo de produtividade, que irá se acabar. Um dia chegaremos na velhice, onde nossa produtividade diminui. Daí, será melhor ter algo acumulado do que depender dos filhos, ou mesmo do estado. Alguns dizem que o ideal seria tentar poupar pelo menos dez por cento do quanto se ganha.

Também é importante, no mundo em que nós vivemos, entender um pouco de investimento. Não tem jeito. Se você, por exemplo, nos tempos que nós vivemos, de juros altos, deixar o seu dinheiro na caderneta de poupança, vai perder dinheiro. Guardar debaixo do colchão, nem pensar! Por isso, é preciso conhecer um pouco sobre renda fixa, CDB, LCA, LCI (estes dois últimos não cobram imposto de renda), Tesouro Direito (que nenhum gerente de banco te oferece por não dar lucro para a instituição), fundo de investimentos, ações, etc. Talvez seja bom você fazer uma planilha de gastos, para saber se não está desperdiçando com alguma coisa.

Outro conselho que acho muito importante no livro de provérbios é o de tomar cuidado com empréstimos. Está escrito:

O rico domina sobre os pobres e o que toma emprestado é servo do que empresta.
Provérbios 22:7

A coisa mais comum é você ver propaganda de banco te oferecendo dinheiro para financiar alguma coisa. Tenho amigos que se comprometerem por 60 meses para comprar um carro. Trinta anos para pagar um imóvel. O problema disso é que os juros podem estar muito altos, e você acaba pagando três vezes o valor do bem. O ideal é tentar abaixar um pouco o padrão de vida, poupar o necessário para pagar o bem a vista, ou então, dar uma boa entrada para não naufragar nos juros altos. Muitas pessoas, no meio do caminho, podem perder o emprego, deixar de pagar, e perder o bem. Tome cuidado com empréstimos. Cuidado com o “usufrua agora e pague depois”. Talvez por falta de educação financeira por parte da população, os bancos lucrem mais do que deveriam.

E finalmente, o último conselho da Palavra do Senhor que eu gostaria de deixar é o de ser generoso:

Ao Senhor empresta o que se compadece do pobre, ele lhe pagará o seu benefício.
Provérbios 19:17

Nós não podemos fazer do dinheiro uma idolatria. Esses conselhos para lidar com o dinheiro são para tornar nossa vida melhor, mais agradável, para incentivar à prudência, mas não são para fazer disso o único objetivo de nossas vidas. Enquanto cristãos, temos duas obrigações que são a de contribuir para a expansão do evangelho no mundo e aliviar a dor dos que são necessitados, atendendo principalmente ao órfão e à viúva, os mais fracos da sociedade. Não se trata do dinheiro pelo dinheiro, e sim, como meio para ajudarmos mais os que necessitam.

Enfim, meus irmãos, muitos outros conselhos poderiam ser dados. De qualquer modo, creio firmemente que, se estes forem seguidos, nos darão sabedoria para lidarmos com esta área tão delicada de nossas vidas, que é a área financeira.

Deus abençoe!

Que o Senhor nos guie em todas as coisas!


Princípios do livro de provérbios para lidar com o dinheiro
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[1] É só um jeito de falar, pois para os cristãos, tudo é espiritual.
[2] Talvez culpa indireta, por má escolha nas eleições, mas não é disso que tratamos aqui.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Tempos difíceis

Estamos vivendo tempos difíceis do ponto de vista político.

De um lado, uma presidente que perdeu completamente o poder de governar. Alguém que parece ser politicamente bastante mal articulada, que, de algum modo, conseguiu jogar todos contra ela, mesmo tendo a reputação até aqui ilibada, do ponto de vista jurídico.

Do outro lado, um congresso que fala muito em Deus, mas que sabemos, é composto de dezenas, talvez centenas dos mais corruptos que já passaram por aqui.

Os juristas estão divididos, alguns apoiando, outros rejeitando que haja motivos para o impedimento de Dilma.

Um grupo que parece se colocar como o paladino da moralidade contra a corrupção. 

Outro que entende falar em nome das minorias, dos negros, dos pobres, dos sem teto e sem terra.

Provavelmente todos corruptos, enfim.

Bom.

Não é fácil decidir no meio de tudo isso.

Todas as nossas informações são mediadas.

Não temos acesso a todos os dados concretos.

Eu, particularmente, não votei neste governo que aí está. Sempre votei no PT, não desta vez.

Muitos erros na área política, econômica. Tudo muito complicado.

Entretanto, não votaria pelo impedimento.

Só as discussões no campo jurídico deveriam revelar mais cautela.

Os algozes não são isentos. É um julgamento político. Mas o pior, muitos estão sendo acusados de corrupção.

Do lado dos opositores estão a bancada da bala, dos evangélicos fundamentalistas que instrumentalizam o povo em seu favor, dos patrões que querem tirar direitos trabalhistas, dos defensores da ditadura militar.

Por isso, em minha consciência, daquilo que até aqui aprendi, entendo que não seria a melhor coisa o impedimento, mas que tudo fosse resolvido via judiciário, por juízes técnicos e isentos.


quarta-feira, 13 de abril de 2016

Estado liberal ou interventor? Capitalista ou Socialista?

Estado liberal, para fins da nossa meditação, é o que garante liberdade econômica. O ápice de tal liberalismo é a não intervenção do Estado em nenhum grau da economia. Liberdade pura. "Mão invisível". 

Estado socialista considerarei o que interfere na economia. Um estado socialista dito “hard” é o que a controla totalmente.

Eu, particularmente, me sinto atraído pela ideia de liberdade. Acredito sinceramente que as pessoas são diferentes, farão escolhas diferentes, e produzirão resultados diferentes, mesmo tendo as mesmas oportunidades.

Também sou da opinião que, em muitos aspectos, a intromissão do estado da economia mais prejudica do que atrapalha. O estado tende a ser grande, burocrático, demorado, e não realiza muito bem o que alguns denominam de cálculo econômico, sem falar na possibilidade da apropriação privada da coisa pública, coisa que acontece muito. Também gasta muito, não é eficiente, e tende a favorecer os capitalistas amigos. Quanto mais liberdade econômica, mais gira o dinheiro, melhora a concorrência, melhoram os produtos, diminui o desperdício, e assim sucessivamente. Compare a construção do estádio do Palmeiras e do Coríntias para ter uma noção da diferença.

Entretanto, a medida que as gerações vão passando, alguns vão se enriquecendo, e outros vão se endividando. A vida é muito dinâmica. Alguns se dão bem. Outros nem  tanto. Os filhos é que sofrem. E eu tenho a sensação de que somente a liberdade econômica não será suficiente para tirar pessoas da pobreza.

Vou dar um exemplo bíblico (me perdoem os cientistas e intelectuais, por favor, mas acredito que é pertinente). Segundo a lei de Moisés, as pessoas tinham liberdade de comprar e de vender, de negociar, entre outras coisas. E, portanto, também poderiam se endividar. Uma pessoa sem bens poderia até mesmo ser escravizada por dívidas. Entretanto, havia alguns mecanismos legais em Israel interessantes, embora pouco utilizados. O primeiro é o que dizia que, de sete em sete anos, todas as dívidas deveriam ser perdoadas. Leia Deuteronômio 15. Outro era o fato de que alguém que tivesse, por algum motivo de dívidas, se tornado escravo, só poderia trabalhar por seis anos, e no sétimo, seria solto e perdoado, além de receber uma indenização (ou seja, não era solto de mãos vazias), e de cinquenta em cinquenta anos, todas as posses retornavam aos seus donos originais. Leia Levítico 25, por exemplo. E tudo isso para que não existissem pobres no meio do povo.

Isso me faz pensar que é preciso existir algum mecanismo que evite a absoluta desigualdade econômica entre as pessoas e minimize os eventuais efeitos do livre mercado. Não sei dizer o tamanho, ou a medida de tais mecanismos, mas, ainda que não seja um Estado socialista, absolutamente interventor, ele precisa ter alguma potencialidade interventiva para casos de necessidade. E, tendo em vista os exemplos cíclicos (sete em sete anos, cinquenta em cinquenta anos), tem que ser um sistema permanente, pois enquanto houver humanidade, haverá pobres e desigualdade (Jesus disse que sempre teríamos pobres conosco).

Por isso, chego a singela conclusão, neste texto não técnico, mas por pura meditação, que embora a liberdade econômica seja desejada, e que o Estado não seja tão grande a ponto de se intrometer em todos os aspectos da vida, mesmo econômicos, há a necessidade de alguma potencialidade interventiva para socorrer os mais necessitados.

Para um liberal, um estado assim é considerado meio socialista, e para um comunista, o considera mero reformista, ou quase capitalista. Que difícil, né?


terça-feira, 12 de abril de 2016

A corrupção nossa de cada dia, livrai-nos hoje!

Milhares de pessoas saíram às ruas para pedirem o fim da corrupção.

Ficamos a nos perguntar de onde brotam tantos políticos corruptos no nosso país, de onde surge essa classe de pessoas inomináveis e abomináveis...

Bem...

Você já ouviu falar de alguém que comprou a carteira de motorista para ter o direito de dirigir?

Ouvi falar que isso acontece com certa frequência em nosso país... Será que somente os políticos agem assim?

Será que pessoas que fazem isso têm moral para julgar, por exemplo, o empresário que paga propina para fechar um contrato com uma empresa pública?

Puxa.

Outro dia ouvi falar que têm pessoas que fazem “gato” para assistirem canais pagos. Elas praticamente não pagam nada por isso.

Recebem um turbilhão de filmes e programações praticamente de graça, não?

Será que isso é roubo? Será que alguém toma prejuízo por causa disso? Será que alguém deixa de ser empregado por causa desses “gatos”?

E outro dia que quebrou a lanterna do carro de alguém... E foi comprar outra aí numa dessas lojinhas especializadas, sem nota fiscal...

Ou o que dizer do outro que comprou um smartphone com um carinha esquisito ali na esquina?...

Será que eles não percebem a relação que existe entre comprar estas coisas e o cano que é apontado na cara do trabalhador todos os dias para roubarem carro, celular, tênis...

Depois reclamam dos políticos que roubam merenda...

Há uns quatro anos atrás eu alugava uns dvd’s em uma locadora que empregava umas quatro ou cinco pessoas.

Até que um dia a dona disse que ia fechar e eu quis saber o motivo.

Ela disse: “sabe aquele filme que saiu sexta feira? Bem, se você for no domingo de manhã na feira, já vai ter para vender pirata”...

Pois é. Depois reclama que não consegue arrumar emprego.

E o que dizer dos que diminuem o valor declarado do imóvel para pagar menos imposto, dos que pegam material do trabalho para uso próprio e até comercializar, dos que param em fila dupla, não dão lugar para idosos, param na vaga de idosos e especiais, pagam guarda de trânsito para não levar multa...

Enfim...

Precisamos começar por nós mesmos.

Precisamos tomar cuidado com a hipocrisia, condenando nos outros aquilo que nós mesmos fazemos, ainda que "por analogia".

Precisamos ser o exemplo daquilo que queremos ver nos outros.

Os políticos saíram do nosso meio; talvez nada mais sejam do que o espelho da nossa nação.

Mas triste mesmo é quando vemos alguém se dizer seguidor do homem de Nazaré e praticar todas essas coisas, e outras que foram narradas aqui...

Sobre a corrupção em nós mesmos
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segunda-feira, 11 de abril de 2016

O crente egoísta


Há um tipo de gente egoísta que talvez seja um dos que causam mais frustração no convívio social, que é o crente egoísta.

Como descrever tal ser em miúdos?

Bom.

Geralmente, é uma pessoa que tem boa conduta social e familiar. Ele não rouba, não bebe, não fuma, não fala tão mal da vida alheia, é trabalhador. Ele também é um bom poupador, planejador, tem uma família bacana. Ele mesmo é uma pessoa muitas vezes legal! Enfim, ele tá “muito bem na fita”!

Este tipo de crente assimilou basicamente a ética protestante de conduta. E, sem dúvida nenhuma, haja vista a racionalidade de tal ética, ele prospera em sua vida.

Mas aí é que está o problema. Ele está tão bem que não se envolve mais com a vida alheia.

Não se envolve mais com as dores das pessoas. Ele se isolou. Ele procurou uma igreja numerosa da qual ele possa entrar e sair, e ninguém sentir a sua falta. Ou então ele até mesmo deixou de ir à igreja.

A prosperidade de tal crente é voltada somente para ele mesmo. Ele não difunde mais o evangelho, seja por obras ou por palavras. De vez em quando contribui com uma causa social, ou então visita algum ministério para aliviar a consciência. Mas é só isso. No mais, tudo é voltado para ele mesmo. Para pagar sua casa financiada. Para juntar e trocar de carro. Para sair de férias. Para os seus filhos. E só.

Ou seja, ele é “incontável”! (não é possível contar com ele para nada, eheheh).

E isso é frustrante porque se espera de alguém que se diz seguidor de Cristo de que procure não ser tão egoísta.

Um certo pastor disse que o diabo tem desviado mais pessoas lhe dando uma vida de contentamento material do que fazendo com que os tais caiam em algum pecado grosseiro!

Se você é esse tipo de crente egoísta, deixa eu te perguntar: o que seria do evangelho se você fosse o único crente do mundo? O que seria da igreja de nosso Senhor se ela dependesse somente de ti? Morreria contigo? Puxa vida, será que você está tão cego que não percebe que talvez sua vida cristã esta tão infrutífera, a ponto de correr o risco de ser cortado (João 15)?

Arrepende-te amigo. Você não está assim porque as igrejas são, no seu sentir, muito ruins (e nem negamos que muitas estejam mal das pernas mesmo). Talvez você esteja assim porque não quer compromisso, não quer se envolver, não quer pastor pegando no pé, irmão tirando o seu sossego, não quer chorar com os necessitados, não quer discipular, evangelizar, contribuir com a obra missionária, cuidar e ser cuidado.

Garanto para ti que, quando se envolver novamente com a obra do ministério do Senhor, voltará a sentir aquela alegria da qual você já se esqueceu, perceberá que o verdadeiro sentido da vida está em servir ao próximo, e isso, muito provavelmente, sem que Deus tire nada daquilo que você já conquistou.

Nunca conheci alguém que servisse de coração ao Senhor e se sentisse mais pobre!

E que Deus nos perdoe se em algum momento damos mais asas ao nosso egoísmo do que ao seu evangelho.


Amém.

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