quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Deus é injusto?

No evangelho de João há um relato em que Jesus vai diante do chamado poço de Betesda.

Nestas localidade havia muitos enfermos, incontáveis.

Segundo o relato, Jesus curou apenas um, e os demais ficaram como estavam.

Muitas outras passagens existem assim na sagrada escritura...

O que dizer diante de tal fato? Deus é injusto por curar alguns, e outros não?

Alguns dizem: Deus é soberano, faz o que quer e ponto. É a resposta mais simples. É a resposta do crente.

Outros dizem: Deus não existe. Bobeira perder tempo com isso! Ou se existir, não é desse jeito que essas escrituras narram. É a resposta do ateu, do agnóstico.

Há que diga: Deus não pode ser injusto, curar uns e outros não. Logo, estes relatos são míticos, e querem comunicar outra coisa, mas não a possibilidade de cura. Eles, apesar de crerem em Deus, querem "limpar sua barra" e justificar sua crença de forma inteligente. Logo, elaboram uma teoria no sentido de que Deus não interfere neste mundo de forma nenhuma, e que estamos por conta de nós mesmos. Os que assim creem são mais difíceis de serem classificados, e acho que eles preferem assim mesmo.

Quem dá a primeira resposta não quer muito diálogo. Já está seguro do que diz, e não está a fim de discutir.

Quem dá a segunda resposta, já se posicionou de alguma forma. 

Quem dá a terceira, me parece que se encontra em uma crise de fé um pouco maior. 

Muito bem, o que penso?

A segunda resposta, não vou discutir. A pessoa já negou tudo, não há base comum.

Penso que quem dá a terceira resposta se afastou um pouco da tradição bíblica, não tardará, e rejeitará todos as doutrinas (ou dogmas) históricos acerca de Cristo, da Trindade, dos milagres, da ressurreição física, etc. Respeito tais teólogos, mas não sigo esse caminho (já tentei, confesso, mas achei muito árido). 

Penso também que não basta dizer Deus é soberano e ponto. Precisamos ir um pouco além disso.

Dentro da tradição bíblica, existe a ideia de queda do ser humano, pecado original, ou seja, pecado das origens. Isso afetou profundamente todo o modo como a humanidade se relacionou com Deus, nos deixando com uma tendência muito ruim, que em linguagem teologicamente técnica pode ser descrito como "totalidade da depravação humana" Isso não significa que o homem seja tão mau quanto pode ser, mas que frente a um Deus santíssimo, está irremediavelmente perdido.

Nesta perspectiva, Deus poderia ter acabado com a humanidade desde o momento em que esta pecou. E Ele continuaria sendo quem Ele é, com todos os seus atributos.

Mas Ele assim não o fez, e vem durante todos estes séculos, permitindo a existência humana, ao ponto de querer resgatá-la. E o mais exuberante ato de amor foi dar o melhor de Si, ou seu próprio Filho, para redimir toda a humanidade.

Ou seja, o que quero dizer é que, se Deus quisesse, poderia ter colocado um fim na história humana desde o seu início. E se ele agisse somente baseado em sua justiça, é isso que poderia ter feito. Entretanto, como está escrito, a misericórdia triunfa sobre o juízo. Logo, se continuamos por aqui, TODOS nós vivemos e existimos por misericórdia divina, pura graça, dom imerecido, não importa que uns recebam um pouco mais, outros menos. E todos nós vivemos em um mundo em que há determinada esfera de liberdade para cada um de nós, e vamos vivendo, ora nos machucando, ora nos ajudando, e todos nós sofremos as consequências do que outros a nós fizeram e vice versa, sem necessariamente isso ou aquilo ser culpa divina.

De fato, isso não significa que tenho todas as respostas. Do porque alguns são curados, outros não. Mas, se posso dizer assim, é precisamente neste ponto que prefiro colocar uma "pitada" de agnosticismo. Confessar minha ignorância e continuar caminhando. Isso faz parte da fé, confessar que não entendo tudo, mas CONFIAR que há um Senhor sumamente amoroso, e bom (como nos dizem as Sagradas Escrituras) e justo, que seja com sua providência, seja com sua permissão, conduz e conduzirá a história de um modo tal que eu não posso conceber. Mas em tudo isso, se as Escrituras forem verdadeiras, também me consolo com o fato de que o Senhor não é um Deus distante, mas em nós, que sofre em nós, e que, no Filho, Aquele que tudo deixou, se esvaziou, e se tornou um de nós, feito pecado sem ter pecado, e foi o que mais sofreu e padeceu com toda a condição humana, e padece até os dias atuais por meio de seu corpo, que é a igreja. 


Sobre a (im) parcialidade de Deus

sábado, 19 de agosto de 2017

Deus realmente matou o Filho como condição para nos perdoar?

É uma alegação constante feita aos cristãos, no sentido de que, se Deus é bom, ele poderia simplesmente perdoar, e não ter que “matado” o Filho, por assim dizer.

Tal acusação demonstra um desconhecimento acerca do que os cristãos, de modo geral, pensam acerca de seu Deus.

Deus não matou o Filho. Deus “estava em Cristo” reconciliando consigo o mundo (2 Co 5.19). O Pai e o Filho são um (João 10.3). Os cristãos são monoteístas, creem em um único Deus, mas sustentam que esse mesmo Deus é Pai, Filho e Espírito Santo. Três pessoas, um único Deus. "Ah, mas isso é muito complicado", alguém pode dizer! E é mesmo! Acho que foi C. S. Lewis quem disse que não acreditaria em uma religião que ele mesmo pudesse inventar.

Então Deus não matou o Filho. Esse voluntariamente se deu em resgate por muitos (Mateus 20.28). Assim sendo, a cruz foi um ato de amor realizado pelo Pai e pelo Filho, pois o que uma pessoa da Santíssima Trindade realiza, o faz em conjunto com os demais.

O Pai não matou o Filho. Quem matou o Filho fomos nós. O Pai O entregou, e Ele voluntariamente aceitou, para nos dar a vida eterna. Levou sobre si as nossas dores e o castigo que nos traz a paz estava sobre ele!



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sexta-feira, 14 de julho de 2017

O cristão e seu posicionamento político

Um cristão pode ser de esquerda? Ou de direita? De centro? Anarquista? Liberal?

Tenho lido em algumas redes sociais que, por exemplo, um cristão não pode ser de esquerda.

Isso porque, a esquerda apoia o comunismo, o socialismo, o aborto, o movimento LGBT, e coisas do tipo. Logo, não pode ser de esquerda.

Mas também já li amigos dizendo que cristãos não podem ser de direita. Não podem apoiar Bolsonaro, Trump, a liberdade de usar armas, a ditadura, o fascismo, etc.

Tenho também um amigo que diz que cristão não pode ser liberal. Isso porque, o liberal (econômico) só pensa em dinheiro, acumular, é contra a intervenção do estado na economia, não pensa nos pobres, etc. Não pode apoiar também, se for cristão, a liberdade da pessoa conduzir-se sexualmente conforme quiser, fumar e beber o que quiser, e coisas do tipo, sem intervenção do estado em seus usos e costumes.

Ora.

Particularmente entendo que alguém pode ser cristão, e, em algum momento de sua vida apoiar alguma dessas visões. Cada qual tem sua própria experiência, visão de mundo, e está em algum estágio de conhecimento diferente da dos demais.

É importante que nós não façamos esterótipos do que significa assumir algumas destas posturas, e nem das visões políticas em si. Ideias mudam com o tempo, assim como pessoas.

Há cristãos que entendem que a esquerda tem maior preocupação com os necessitados, daí, assumem essa postura política. A preocupação com os necessitados é um valor do evangelho.

Há cristãos que entendem que é preciso mais espaço para a liberdade, sem limitações demais impostas pelo Estado, mesmo que para isso, as pessoas estejam sujeitas a fazerem más escolhas e sofrerem com isso. Daí, enxergam nos valores liberais mais proximidade com o evangelho. E a liberdade é um valor do evangelho.

O importante é cada qual ir estudando, questionando e questionando-se para assumir a postura que julgar mais correta á luz do evangelho (aqui, me dirijo aos cristãos), e respeitar se alguém tiver uma visão diferente. 

Algo que vejo com a máxima importância é o fato de que, um verdadeiro cristão pode trazer algum equilíbrio à radicalidade de algumas doutrinas politicas/econômicas.

Por exemplo, um cristão socialista certamente rejeitará o autoritarismo que certas versões dessa visão política pode querer conceder ao Estado. Não me parece que um estado totalitário esteja de acordo com o evangelho. Um cristão cuja visão seja a de um estado mais conservador e liberal (visão essa mais de direita) também se esforçará ao máximo para que a filantropia voluntária se espalhe pela sociedade, e também não deixará de pregar que "o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males". O enriquecimento desmedido e insensível à necessidade alheia não está de acordo com o evangelho.

De minha parte, tenho chegado no momento, à conclusão de que nenhuma sociedade pode prosperar sem liberdade econômica. Liberdade de comprar, vender, negociar, ter livre iniciativa, concorrência, além dos direitos clássicos como de liberdade política, religiosa, filosófica, etc. Essas liberdades dos liberais.

Entretanto, também entendo que não é possível uma sociedade sem alguma organização estatal (ou seja, não vejo no momento nenhuma possibilidade para o anarquismo; mas gostaria que o estado fosse mais reduzido a questões administrativas). Vejo a necessidade de um estado que arrecade e redistribua renda a fim de diminuir as desigualdades e proporcione condições minimamente dignas de existência. Isso me aproxima dos direitos de segunda geração (já seria o suficiente para ser classificado pela escola austríaca como socialista). De qualquer modo, não vejo com bons olhos o estado como um grande gestor, onipresente, onipotente, que assuma o controle de tudo. O estado tem sido um grande arrecadador, em muitas áreas ineficiente, pois conforme monografia do Mises, não realiza bem o cálculo econômico (isso, mesmo se não houver corrupção). 

Ou seja, resumindo, há de sempre buscar um equilíbrio entre a liberdade dos liberais e o estado interventor, que proteja os mais fracos.

Em tudo isso, completo dizendo que por mais elaborado um sistema, o mais importante é a integridade dos homens que o conduzem. Honestidade, integridade, ética, bondade, amor, não podem ser substituídos por nenhuma forma de sistema. Haverá sempre por traz de todo sistema um conjunto de crenças, de decisões fundamentais que fará com que uma sociedade se conduza ou não de maneira mais eficiente. Daí, nós nunca devemos deixar de labutar pela reforma ética de cada cidadão em busca do bem comum.




quinta-feira, 4 de maio de 2017

Os humilhados serão exaltados

Mas esvaziou-se a si mesmo        (Filipenses 2.7)

A epístola aos filipenses é conhecida como a carta da alegria, pois se trata de um dos documentos mais pessoais do apóstolo Paulo para aquela igreja que ele fundou.
Muito provavelmente é uma carta escrita de uma prisão em Roma, em que Paulo agradece todo apoio que recebeu daquela igreja.

A carta é cheia de elogios àqueles irmãos, entretanto, no início de seu segundo capítulo, temos a impressão de que, mesmo naquela igreja havia desentendimentos na comunidade.
Paulo pediu então algumas coisas difíceis de serem cumpridas, entre elas, que cada qual considerasse o outro superior a si mesmo e não olhasse somente para os seus próprios interesses, mas cada qual também para o que era do outro.

E ele determina que entre os irmãos haja o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus, do qual “esvaziou-se a si mesmo”.

Muito se tem discutido do que exatamente Cristo se esvaziou. Uma coisa é certa. Ele se esvaziou da glória que possuía com o Pai antes do mundo ser criado (João 17.5). Entendemos que ele não deixou em nenhum momento de ter sua natureza divina, mas que deixou sua glória a fim de se tornar um de nós.

E após se esvaziar, se encarnar, e tomar a forma humana, ainda viveu vida de servo, sendo obediente até a morte, e morte de cruz, que era a mais terrível execução imposta naquele momento histórico, da qual um cidadão romano não poderia sofrer.

Assim sendo, Paulo, para resolver um problema de relacionamento comunitário, dá o exemplo máximo de humilhação que alguém já possa ter sofrido. E se Jesus se humilhou assim por cada um de nós, é pouco que nós nos humilhemos também uns aos outros, e sirvamos uns aos outros.

Por maior que seja a humilhação que eu e você possamos passar, será sempre nada comparado ao que Jesus passou.

Ainda falando de Cristo, Paulo diz ainda que após sua morte, foi ressuscitado, exaltado pelo Pai, tendo recebido o nome que está acima de todo nome.


Penso que esse exemplo é dado pelo apóstolo também para incentivar os irmãos, no sentido de que, aquele que se humilhar, um dia também será exaltado por Deus.


quarta-feira, 3 de maio de 2017

Dos atos realizados pela Igreja

Há muitas funções realizadas na igreja que se pretende cristã, e elas estão intimamente interligadas umas com as outras. Vejamos:

ADORAÇÃO

A adoração significa glorificar a Deus por conta de seus grandes feitos e atributos, o que pode ser feito por intermédio de nossas orações e louvores a Ele dirigidas. São atos voltados exclusivamente para o Senhor, mas que edifica também os crentes. O Senhor deve ser o centro de toda a adoração e dos atos dos fiéis (Romanos 11.36; 16.27; 1 Coríntios 10.31; Efésios 3.20-12; Filipenses 4.20; 1 Tim 1.17; 3.16). Pensando de maneira ampla, fora das fronteiras eclesiásticas, pode ser vista como um estilo de vida.


O louvor, como um ato de adoração, era uma prática comum no antigo testamento, como podemos ver no livro de Salmos.

Podemos nos perguntar se há alguma forma “mais santa”, ou “mais correta”, relativa à adoração. Devem ser utilizados elementos simbólicos? E gestos corporais? Independente da resposta que se dê, tudo deve ser feito com decência e ordem (1 Co 14.40).


COMUNHÃO

É a fraternidade/amizade/amor/afeto vivida entre os irmãos. “Koinonia” signifca manter as coisas em comum. Um desafio muito grande nestes tempos individualistas. Existe a fim de estreitar os laços de amor entre os membros, glorificando a Deus por conta disso, e proclamando ao mundo o evangelho por meio de um estilo de vida.

São inúmeros os textos no Novo Testamento com a expressão “uns aos outros” (Efésios 5.19; Colossenses 3.13-16; Gálatas 6.2;Tiago 5.16), sendo que até mesmo o sofrimento e alegria são compartilhados (1 Co 12.26).

Um fato muito importante na comunhão é que seremos reconhecidos como discípulos pelo amor que tivermos uns para com os outros (João 13.34-35). Além do que, a unidade entre os irmãos foi motivo de oração da parte de nosso Senhor (João 17.20-21).


EDIFICAÇÃO

É mútuo amadurecimento/crescimento/aperfeiçoamento no/do corpo de Cristo que tem como alvo os seus membros.

É a finalidade dos dons dados aos membros (Efésios 4.11-16) – note que nessa passagem, todos os dons são aqueles voltados para alguma forma de proclamação/instrução. Foi algo notável durante a Reforma Protestante, por exemplo, a função educacional da Igreja.

Toda a atividade comunitária deve ser voltada para a edificação, notadamente o falar ( Efésios 4.29). Os dons espirituais são voltados para a edificação (1 Coríntios 14.4-5, 12, 17, 26). Os dons são praticados em comunidade, pois somos membros uns dos outros (Romanos 12.4-8).

EVANGELISMO:

É o ato de proclamar o Evangelho, voltado para os "de fora". 

Foi o último mandamento descrito do evangelho de Mateus (28.18-20) – pregar o evangelho para todas as pessoas é a função principal de todo membro da Igreja. Para isso foi dado o poder do Espírito, para testemunhar (Atos 1.8).

Todos os membros da igreja devem estar engajados na tarefa de auxiliar na expansão mundial do evangelho, orando, contribuindo e indo. É preciso evitar a tendência de “olhar somente para o próprio umbigo” da igreja local. Imagine se no Brasil inteiro, cada um que se diz cristão contribuísse com “um real” que fosse para missões transculturais, que maravilha seria. Educamos hoje nossos filhos para serem bons profissionais, mas é muito raro alguém educar o filho com o desejo de que seja um missionário. É bem possível que a maioria de nós hoje, no fundo, prefira que isso não aconteça.


CARIDADE/AÇÃO SOCIAL:

É o ato de ajuda material, emocional e espiritual aos aflitos, tendo como alvo principalmente aos de dentro, estendendo-se aos de fora da comunidade. 

A religião pura e sem mácula é ajudar os necessitados (Tiago 1.27), sendo que a ausência de caridade mostra a invalidade da fé (Tiago 2.15-17). A caridade é um coração verdadeiramente aberto ao irmão (1 João 3.17-18) sendo que na igreja primitiva não tinha nenhum necessitado entre os irmãos(Atos 4.32-35).

Será que essas atividades têm ocorrido em sua comunidade? Em caso negativo, de que modo você poderia contribuir para que sejam implementadas? Entendo que é o ideal que todas essas coisas aconteçam na comunidade, pois isso trará um equilíbrio entre todas as atividades. Mãos à obra, então!



segunda-feira, 13 de março de 2017

Livrando-se de todo peso que nos embaraça

Leitura: Hebreus 12.1


O autor aos hebreus nos exorta a corrermos a carreira que nos está proposta. Entretanto, duas coisas nos atrapalham: o peso e o pecado. Do pecado, sabemos que temos que nos livrar. Entretanto, há coisas que são pesos que carregamos, e que nos impedem de correr. Podem até não ser pecado, mas tendem a ele.

Que pesos poderiam ser estes?

Um deles é o desejo exacerbado pelas coisas materiais. Jesus disse que “ninguém pode servir a dois senhores, pois há de amar a um e aborrecer a outro, ou se devotará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e as riquezas” (Mt 6.24). Também determinou que devemos nos guardar de toda a avareza, pois a vida não consiste na quantidade de bens que possuímos (Lc 12.15). Ou seja, em uma época materialista como a nossa, corremos o risco de focarmos demais na aquisição de bens, como casas, carros, roupas, investimentos, e coisas do tipo. Não que elas sejam erradas em si, mas se focarmos exclusivamente nisso, nossa carreira cristã começa a se tornar pesada, pois acabaremos nos dedicando muito pouco para Deus. Paulo diz que os que querem ficar ricos caem em tentação e laço e em profundas concupiscências (1 Tim 6.9). Somos chamados a uma vida simples, com contentamento, pois Deus tem cuidado de nós (1 Pe 5.7).

Outro peso bastante complicado e que atinge a maioria de nós é o cuidado pelas coisas dessa vida. Jesus ensinou seus discípulos que eles deveriam ter cuidado para que os seus corações não se sobrecarregassem com os efeitos da orgia, da embriaguez e dos cuidados deste mundo (Lc 21.34). Na parábola do semeador, o terceiro terreno é aquele em que a boa semente foi semeada entre os espinhos: “Os semeados entre os espinhos são os que ouvem a palavra, mas os cuidados desse mundo, a fascinação das riquezas e as demais ambições, concorrendo, sufocam a palavra, ficando ela infrutífera (Mc 4.18-19). A extrema ansiedade em prover a nós mesmos e a nossa família com os bens desse mundo, ainda que legítimos, podem acabar nos afastando dos caminhos do Senhor. Ainda que precisemos trabalhar e prover o necessário para a vida, temos que tomar cuidado para que isso não sobrecarregue nosso coração, por isso é bom reservar sempre tempo para a oração, leitura das Escrituras, tempo com a comunidade e com a família, não negociando os valores do reino.

Outra coisa que pode pesar muito em nossa caminhada cristã são os sentimentos negativos. Todos nós, em algum momento da nossa vida, sofremos algum tipo de agressão ou decepção emocional. São filhos que cresceram ouvindo coisas terríveis dos pais; cônjuges que se agridem mutualmente; traições, sejam familiares ou de amigos, e coisas do tipo. Isso pode fazer com que, mesmo sem desejar, desenvolva-se em nós muitas amarguras, traumas, tristezas e dores emocionais de todos os tipos, dificultando nosso envolvimento com outras pessoas, inclusive. Essas chagas são tão profundas na sociedade que acabam ocorrendo muitas agressões e até crimes passionais. Por isso, precisamos buscar a cura dessas nossas emoções negativas na presença de Deus, pois Ele pode nos curar de todo o mal e curar nossas emoções de todo e qualquer trauma. Há um versículo muito bonito no Salmo 16.11, em que o salmista expressa sua confiança no cuidado divino: “Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente”.

O último peso de que iremos tratar é o dos relacionamentos. Todos nós somos seres relacionais, e é assim que tem que ser. É muito bom ter família e amigos. Entretanto, pode acontecer de nossos relacionamentos também se tornarem um peso para a carreira cristã, quando passam a entrar em conflito com a vontade de Jesus. Por isso ele chegou a dize que “quem amar seu pai, ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim; e quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim, não é digno de mim” (Mt 10.37-38). Ele também chegou a dizer: “se alguém vier a mim e não aborrecer a pai e mãe, mulher e filhos, irmãos e irmãs, e ainda a própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lc 14.26). Ou seja, além de evitarmos a companhia daquelas pessoas que notadamente rejeitam o evangelho e fazem um mal para a nossa caminhada, também não podemos deixar que os relacionamentos legítimos, que não podemos abandonar, venham a ter prioridade acima de nosso compromisso com o evangelho.


Muitas outras coisas poderiam ser mencionadas como um peso para a nossa caminhada cristã, que poderemos explorar em outras oportunidades. De qualquer modo, que possamos nos desembaraçar de todas as coisas que tentam atrapalhar nossa vocação.


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

“Não haverá penas cruéis” ( CF, Art. 5º, XLVII, “e”).



Não foram poucos os revoltados nas redes sociais dizendo que no Brasil, o trabalhador passa fome, tem necessidade, trabalha duro, enquanto o bandido tem direito a danos morais. Fora isso, os comentários de que bandidos têm que sofrer mesmo, passar fome, e até ser torturado, se for preciso.

Entretanto, constitucionalmente, a coisa não é bem assim. Uma vez que o Estado tem o preso sob sua custódia, também tem o dever de zelar, no que lhe couber, ao bem estar do condenado. A nossa constituição é clara no sentido de que a nossa pena mais severa é a de privação ou restrição da liberdade. E só. Não esta associada a essa pena a permanência em uma situação degradante. Estar em uma cela com o triplo, ou o quádruplo da capacidade não faz parte da pena. Ter que fazer turno para ver quem irá se deitar na mesma cela, não faz parte da pena. Ser espancado, outras vezes violentado por seus pares, ou mesmo morto, não faz parte também. A lei é clara no sentido de que os requisitos de uma unidade celular devem ser salubres (Art. 88 da Lei de Execução Penal). Um dos aspectos da civilidade de um país é o modo como trata seus piores cidadãos, por assim dizer. Em tese, se um país tratar com dignidade os seus condenados, também terá o dever moral de assim o fazer com toda a população de modo geral. Entretanto, no Brasil, todos são tratados com indignidade, pois vivemos um estado de coisas inconstitucional referente a toda essa questão. O modo como tratamos nossos condenados é a manifestação do descaso existente para com toda a população, de modo geral.


A única coisa discutível é o quantitativo do dano moral que foi fixado pelo STF, em decisão majoritária. Dois mil para o preso que estiver em condições ruins. Houve outra proposta, no sentido de ser proporcional ao tempo em que o preso viver em condições insalubres. Parece ser mais lógico, a meu ver, pois dar o mesmo valor para quem ficou um ano ou dez em tais condições não me parece fazer muito sentido. Outra proposta era de uma redução de pena proporcional ao tempo em que o preso estiver em situação degradante. A vantagem dessa situação é que não oneraria ainda mais os cofres públicos. O duro é que, tendo em vista a situação dos presídios brasileiros, provavelmente não faltarão ações para discutirem tais danos morais. De qualquer modo, que fique claro: isso está muito longe de resolver o problema carcerário brasileiro.

Dano moral para presos em situação degradante

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Meritocracia - ter ou não ter, eis a questão

A discussão acerca da meritocracia ser algo bom ou ruim voltou a bombar nas redes sociais após a aprovação de uma jovem, negra, e humilde, em primeiro lugar em um concurso público neste país.

Pedindo ajuda ao Wikipédia, há o seguinte conceito para tal termo:

Meritocracia (do latim meritum, "mérito" e do sufixo grego antigo κρατία (-cracía), "poder")[1]é um sistema de gestão que considera o mérito como a razão principal para se atingir posições de topo. Segundo a meritocracia, as posições hierárquicas devem ser conquistadas com base no merecimento, considerando valores como educaçãomoral e aptidão específica para determinada atividade. Constitui-se numa forma ou método de seleção e, num sentido mais amplo, pode ser considerada uma ideologia governativa.
A meritocracia está associada, por exemplo, ao estado burocrático, sendo a forma pela qual os funcionários estatais são selecionados para seus postos de acordo com sua capacidade (através de concursos, por exemplo). Ou ainda – associação mais comum – aos exames de ingresso ou avaliação nas escolas, nos quais não há discriminação entre os alunos quanto ao conteúdo das perguntas ou temas propostos. Assim, meritocracia também indica posições ou colocações conseguidas por mérito pessoal.

Bom. Me parece que estar em determinada posição, não por descendência sanguínea, nem por casta, dinheiro, ou algo do tipo, mas sim pelo esforço pessoal, parece algo lógico e necessário em uma sociedade não estamental e democrática. Seria ruim saber que se perdeu uma chance por conta de alguém ser parente do rei ou coisas do tipo... e tendo em vista a quantidade de cargos comissionados no Brasil, acho que precisamos de mais mérito, enfim...

Ocorre que a dita menina tem um posicionamento mais à esquerda. E para esse grupo, o termo meritocracia é um pecado, uma palavra sob anátema, por isso, ela logo veio a público dizendo que não tem mérito. A esquerda bate na tecla de que meritocracia é um conceito equivocado porque as pessoas não concorrem na sociedade sob igualdade de condições.

De certa forma, essa percepção não está equivocada. De fato, com melhores condições para todos, é menos difícil concorrer (pensando na sociedade como um todo).

De qualquer modo, vamos pensar na situação dessa menina que passou em primeiro lugar no concurso para medicina. Certamente, ela é tão socialmente humilde como milhares iguais a ela. Ela também, muito provavelmente, e conforme depoimento, estudou muito, e muito mais do que a imensa maioria das garotas em situações similares à dela. Ela recebeu apoio para isso? Claro que recebeu, dos familiares, amigos, professores (e, se eu não estiver enganado, mesmo por um programa social da própria USP que lhe concede pontos extras a alunos que sempre estudaram em colégios públicos e que tiveram uma nota mínima no vestibular). Mas há muitos que recebem e não aproveitam. E não adianta receber todo o apoio do mundo e não estudar. Portanto, em uma singela perspectiva meritocrática, essa menina tem mérito, e muito mérito (no bom sentido, para não escandalizar os mais sensíveis), pois superou em muito pessoas que saíram muito a frente dela nessa corrida. Se quiser, podemos trocar pelo termo "esforçocracia".

Portanto, não se deve, creio eu, retirar a questão do mérito em si na sociedade, pois isso seria fazer sucumbir a ideia de esforço pessoal. E ainda bem, penso eu, que vivemos um sistema que, mesmo que de forma muito difícil, permite alguma forma de mobilidade social. Por outro lado, também devemos nos movimentar no sentido de melhorar as condições para que todos possam concorrer em um sentido menos desigual. São conceitos que não precisam estar necessariamente polarizados.

Agora, só para terminar, é preciso perceber que aquilo que o povo da esquerda ataca chamando de meritocracia, e que é defendido pelos conservadores, não é o conceito defendido por aqueles que preferem uma economia de mercado livre, mas isso seria assunto para outro texto.




quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

A militarização da sociedade é a solução para o problema da violência?

Eu tenho ouvido de muitas pessoas um desejo por uma maior militarização, aumento de autoridade, combate radical ao crime, e gritos de ordem no que se refere à punição de bandidos e coisas do tipo.

E de fato, a autoridade é necessária. Quando se chega ao fundo do poço da degradação moral, somente o temor pela vida pode fazer talvez com que alguém abandone o crime. A falta de punição dá ousadia aos maus.

Entretanto, é preciso entender que isso, por si só, não resolve de modo algum a questão social. Veja. Ser pobre e miserável não dá a ninguém o direito de ser um delinquente. E a grande maioria dos pobres não o é. Entretanto, um ambiente em que não há educação de qualidade, saúde, lazer, e amor, torna mais propício que uma parcela da população se torne mais vulnerável ao crime, principalmente quando as armas, as drogas, o sexo, a violência, estão ali, tão perto.

Basta olhar para os países com melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do planeta e ver o seu índice de criminalidade que perceberemos como as duas coisas estão bastante interligadas.

Portanto, não é um olhar ao passado, a alguma espécie de “paraíso militar” que irá resolver a situação. Precisamos olhar para o que parece ter dado mais certo (ou menos errado), que, a meu ver, são sociedades que melhor resolveram sua questão social, e nem por isso se tornaram ditaduras. Sociedades que forneceram educação, saúde, uma  melhor qualidade de vida aos seus habitantes e que trata com dignidade até seus piores cidadãos. Creio que isso está para além da esquerda ou da direita, ou pode ser uma síntese dos dois, conjugando livre mercado com bem estar social. Agora, o que não podemos sucumbir ao autoritarismo e às soluções supostamente fáceis (ou menos difíceis), pois isso efetivamente não resolveria o problema.

No mais, que Deus nos ajude a construir uma sociedade menos injusta e mais solidária. 



terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Deve existir um local sagrado para os evangélicos?

Recentemente houve uma polêmica em um município de Santarém, referente a realização do carnaval em um local conhecido como “Praça da Bíblia”.

Cuida-se de uma localidade em que aparentemente são realizados cultos evangélicos, e talvez outras atividades que o Conselho de Pastores local denominou de culturais.

Se as publicações que relataram o assunto forem fidedignas, cuida-se de um local em que os evangélicos consideram sagrado, de modo que os pastores locais protestaram contra a realização da festa carnavalesca naquela localidade.

Particularmente, não tenho o condão de desrespeitar eventuais sentimentos das pessoas envolvidas, mormente porque, ao que parece, se entendi direito, o povo evangélico ajudou a reformar a dita praça. Entretanto, não me parece lógico, do ponto de vista do nosso atual modelo jurídico e político, separar um local público e proibir atividades que não sejam de cunho de determinada religião. Existe um sistema jurídico em que entidades privadas, após as devidas providências diante da prefeitura, poderão utilizar do espaço público para fins pacíficos.

Por outro lado, mesmo no aspecto teológico, tenho minhas dúvidas se para o protestantismo determinados lugares podem ser considerados sagrados. O movimento protestante foi um dos mais radicais no que se refere à dessacralização do mundo. Ou seja, não há mais templos sagrados (e sim locais de culto), nem homens sagrados acima de outros (todos são), nem imagens sacras, ou coisas do tipo. Nem a Bíblia Sagrada tem alguma importância enquanto capa de couro e folhas de papel.

Por isso, tentar separar um local público sob essa perspectiva de sua suposta sacralidade me parece carecer de sentido, tanto político quanto teológico, com o devido respeito dos que pensarem ao contrário.


Polêmicas em torno do carnaval a ser realizado na Praça da Bíblia

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Smartphones deveriam ser produzidos pelo Estado?

É comum, no metrô, trens, ruas, pontos de ônibus, ver as pessoas carregando seus telefones celulares. São pessoas de todos os níveis sociais. Mesmo as mais humildes conseguem ter o seu aparelho (ainda que não seja tão barato assim).

Agora, imagine se o estado começasse a produzir "smartphones", e considerasse a posse de tal aparelho como um direito de cada cidadão. Ou seja, o estado passaria a utilizar parte da sua receita para produzir o dito aparelho um para cada um de nós. 

O aparelho teria que ser igual para todos, pois não poderia violar o princípio da isonomia (igualdade), a não ser que diferenciasse por idade, atividade, coisas do tipo.

É muito provável que parte da população não viria a se contentar com tal aparelho fornecido pelo estado, e quisesse um de melhor qualidade, tendo que se socorrer da iniciativa privada.

Diante de tal quadro, as empresas privadas que produzissem tal tipo de aparelho teriam que fazer com uma qualidade melhor que os produzidos pelo Estado para atrair o interesse do consumidor. Isso provavelmente iria encarecer o produto, ainda mais levando-se em consideração que a empresa privada estaria concorrendo com o Estado, que, estaria oferecendo o mesmo produto "gratuitamente".

E aí, aqueles que comprassem os "smartphones" privados, estariam pagando duas vezes. Tanto o valor pelos aparelhos que adquiriram da iniciativa privada (um valor bem alto, provavelmente), bem como pagando impostos (ou taxas, enfim) para que o estado produzisse o aparelho estatal.

Pensando por um momento, será que não é algo parecido que acontece com tudo o mais em que o estado acaba querendo bancar (pelo menos na realidade brasileira)? Com a saúde, a educação, a previdência social, etc? Quem não se contenta com um serviço oferecido pelo estado, não acaba buscando o mesmo serviço na iniciativa privada? E, por conta disso, não acaba pagando o mesmo serviço duas vezes, por assim dizer?

Alguém poderia dizer: mas se o estado não fizer, muita gente ia acabar ficando sem. Entendo tal preocupação.  Acho que esse é o cerne da questão. Ou seja, se o estado não prestar determinados serviços sociais, será que boa parte da população ficaria sem conseguir os mesmos serviços da iniciativa privada? Se a resposta for negativa, de fato, precisaremos sempre tentar sustentar um estado de bem estar social, mesmo que parte da população continue pagando por serviços que não usufrua (pelo menos não diretamente), a não ser que a qualidade de tais serviços melhore a ponto de ninguém precisar se socorrer da iniciativa privada. Se a resposta for positiva, ou seja, se de fato, tais serviços forem melhor oferecidos e de maneira mais barata pela iniciativa privada, os liberais capitalistas estão com a razão, de modo que temos de fato que diminuir o estado para um maior benefício social.


That's the question!

E aí? O Estado deve ou não produzir smartphones para toda a população?



segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

A tributação das igrejas

Historicamente, as igrejas construíram creches, escolas, orfanatos, universidades, hospitais, entre outras entidades de benefício social.

São religiosos que abrem, em boa parte, casas de acolhimento para ajudar viciados, moradores de rua, entre outras situações.

São também as pequenas igrejas que se encontram na periferia, frente a frente, com a situação dos mais marginalizados da sociedade. A grande maioria dos membros das igrejas é composta de pessoas humildes. No convívio eclesiástico pessoas são ajudadas em seus embates sociais, e isso entra muito pouco nas estatísticas e contabilidades oficiais.

Por conta dessas e outras evidências, ninguém parecia questionar muito a questão da isenção tributária das religiões, enquanto entidades de interesse social. Entretanto, após notícias em série de “espetaculações” da fé, enriquecimento desmedido de determinados líderes, um grupo declarado de ateus, de maneira bem inteligente e convincente (muito provavelmente mais à esquerda do espectro político, pois se fossem liberais não fariam uma proposta dessas – a não ser que estejam de muita má-fé) propõe que as igrejas sejam tributadas. E muitos pastores de respeito também apoiam a medida, por uma questão de justiça social (pastores geralmente mais à esquerda do espectro político).

Particularmente, entendo que há muito pouca justiça na tributação coercitiva promovida pelo Estado. IPTU, ICMS, ISS, IR, Cofins, etc. todo membro de igreja já recolhe tais impostos, impostos a todos os cidadãos. Entendo que o agigantamento desmedido do estado tende a levar a uma diminuição das liberdades individuais e aumenta a burocracia, o desperdício, a corrupção, entre outros males (pelo menos no Brasil, isso é patente).

Entendo que tal medida prejudicará principalmente as igrejas pequenas, e a maioria das igrejas históricas, além de muitas outras religiões, que irão preferir ficar na informalidade. As demais contam com um batalhão de advogados, contadores, etc. 

Esses líderes que se enriquecem desmedidamente deveriam ser de algum modo tributados, fiscalizados, e que suas igrejas prestassem contas de todos os valores que entram e saem a seus membros, que estes tenham poder de voto nas assembleias, como ocorre nas igrejas históricas, e que de quebra, possuem muito menos escândalos, e quando ocorrem, em muito menor escala. Tais líderes realmente merecem uma campanha publicitária negativa dos que com eles não concordam e o povo precisa aprender, nem que for às duras penas, a não ser explorado por esse tipo de charlatão. Mas se ainda assim, preferirem aderir a tal forma de religião, é o preço que pagamos por manter a liberdade na sociedade.

De qualquer modo, tenho a sensação de que não demora para tal proposta passar em um futuro não distante (até mesmo porque, religiosos praticantes costumam ser menos engajados politicamente). Parece haver uma mentalidade social mais no sentido de que se “eu estou pagando”, o “outro tem que pagar também”. Se tal proposta passar, preparemo-nos para burocratizar um pouco mais nossas pequenas comunidades eclesiásticas, ou optar por viver na clandestinidade, que já tem sido o caminho de muitos em nossa sociedade, em qualquer segmento social.



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