sexta-feira, 25 de novembro de 2016

O dia da mulher evangélica

O governador Geraldo Alckmin sancionou o dia da Mulher Cristã Evangélica no Estado (sim, no estado todo) de São Paulo. A autoria do projeto de lei foi do deputado Adilson Rossi (PSB).

Não vai virar feriado. É uma homenagem em reconhecimento da importância das mulheres evangélicas para a família, igreja e sociedade. É claro que reconheço tal importância, entretanto, penso em alguns motivos para que não existisse esse tipo de lei:

1 – Se criarmos o dia da mulher evangélica, o que impede de criarmos o dia da mulher católica, budista, espírita, muçulmana, ateia, agnóstica, entre outras? Porque diferenciar um tipo das demais? TODA e QUALQUER mulher, que for boa cidadã, tem incalculável importância para a sociedade, enfim.

2 – Mais uma vez a mistura da religião com a laicidade do estado, que a meu ver, deve ser evitada. Existem inúmeras religiões hoje. Iremos criar uma lei para cada qual?

3 – Acredito que isso possa ofender um pouco o sentimento das minorias. Se eu fosse um evangélico em um país muçulmano, não sei se iria me sentir muito confortável com o dia da mulher muçulmana. E também acharia bobagem brigar para ter o direito a tal coisa.

4 – O governador faz lei para todos. Porque toda a sociedade tem que homenagear um determinado seguimento social? Quem tem que reconhecer a importância da mulher evangélica, todos os dias, é o seu marido, filhos, família, etc. A sociedade reconhece bons ou maus cidadãos.

5 – Mais uma vez, a política se imiscui na igreja, entre os evangélicos, podendo se tornar manipulação. Claro, criar um dia desses e sancionar, certamente deve ter lá seus interesses políticos.

6 – Aumenta o descrédito dos políticos e da política, pois convenhamos isso não muda a vida dos governados. As pessoas podem pensar coisas do tipo: “não tinha nada mais importante para fazer não”? E aí a coisa fica meio banalizada, enfim.

7 – Eu particularmente não acho um bom testemunho evangélico para a sociedade. A ideia básica que os demais passam a ter é que os evangélicos assumem o poder, de modo geral, para defender os seus próprios interesses.

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quinta-feira, 24 de novembro de 2016

O conflito católico/protestante pode ser considerado sempre ruim para o cristianismo?

Não temos dúvida de que guerras por motivos religiosos sempre trazem um grande flagelo, como a conhecida guerra dos trinta anos (que não era, diga-se de passagem, somente religiosa).

Após a Reforma Protestante, e os conflitos que daí se seguiram, a maior parte dos países se dividiu também religiosamente, entre católicos e protestantes.

Séculos depois de tais acontecimentos, seguiu-se um grande esfriamento da religião. Por exemplo, ninguém pode negar que a religião católica na Espanha, Portugal, França e Itália está em franco processo de decadência. Também na Inglaterra, Holanda, países nórdicos, predominantemente protestantes em sua história, as igrejas estão fechando as portas.

Qual seria o motivo de tanto esfriamento da religião na Europa?

Claro que, em um primeiro momento, os livros irão nos ensinar que, após o renascimento, reforma e iluminismo, o velho continente entrou em um processo de laicização impossível de retroceder.

Entretanto, gostaria de acrescentar um item que pode contribuir para essa questão.

Todos esses países europeus, em maior ou menor grau, mantiveram uma religião oficial em seus territórios, seja católica ou protestante.

Isso fez, a meu ver, com que a religião “descansasse” na proteção estatal. Algumas dessas igrejas até recebem dinheiro diretamente do Estado, por via de impostos.

Talvez não tenha havido (ou houve muito pouca) dialética, competição religiosa.

Isso talvez tenha feito com que a religião esfriasse. Havia uma primeira geração de crentes fiéis, mas depois cada qual se acostumava com sua própria tradição, até que o fervor religioso se esfriava totalmente.

Entretanto, naqueles locais em que protestantes e católicos conviveram e disputaram, parece não ter sido assim. Vejamos o exemplo norte americano. Naquele país, cada religião teve sua própria oportunidade de florescer, caminhar com suas próprias pernas, sem ajuda predominantemente do Estado. Parece-me que por isso, naquele país predominantemente protestante, a igreja católica seja tão poderosa, e a igreja ortodoxa seja também bastante pulsante. O Brasil e a América Latina de modo geral seguem o mesmo exemplo atualmente.


Isso me faz pensar que um ambiente pacificamente laico que permita certa dialética e disputa religiosa é bom inclusive para as igrejas. Isso não significa que a religião terá a mesma “glória” do passado (se é que aquilo poderia ser chamado de glória. Particularmente, entendo, por exemplo, que os últimos papas dos meados do século XX para cá são muito mais respeitáveis do que seus antecessores medievais). Fato é que, a liberdade parece trazer benefícios para todos.

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Lidando com o argumento "ad hominem"


Fonte: Vida Cristã

Digamos que um ateu e um crente estejam empreendendo a seguinte discussão:

Ateu: particularmente, entendo que não há bases sólidas para se crer em Deus. Não é possível provar empiricamente a sua existência. O ônus da prova cabe a quem alega.

Crente: você não passa de um incrédulo, irracional, bobalhão!

Ou então, o contrário:

Crente: particularmente, entendo que há mais bases para crer do que para ser incrédulo. Primeiramente, precisamos verificar que nada surgiu do nada nesse mundo. Tudo é derivado de uma causa primeira.

Ateu: você não passa de um cego, que tenta impor sua cegueira para todo o mundo! Fanático!

Ou então uma conversa de cunho mais político entre o João e o Marquinho:

João: sou favorável a um estado mais interventor, a fim de que possa socorrer aqueles que são materialmente desprovidos.

Marquinho: seu petralha, comunista!

E assim sucessivamente...

O que podemos notar em comum em todos esses diálogos? É que o segundo dialogante não debate a ideia do primeiro, e sim faz um ataque à sua pessoa.

Esse é o famoso argumento “ad hominem”, em que se desvia do assunto para atacar a pessoa.

Como lidar com esse tipo de argumento?

Dou uma sugestão.

Na primeira vez que te xingarem, você não revida, e procura mostrar educadamente para a pessoa que não é você que está em discussão, mas sim o assunto abordado.

Se ainda assim persistir, se tal pessoa continuar ofendendo você, sugiro que você bloquei o perfil dela. “Se afaste”, por assim dizer.

Entretanto, se já da primeira vez a pessoa te atacar com grosseria e radicalidade, talvez seja melhor romper ali mesmo. Não será de grande valia manter o contato com alguém que já parte para as ofensas pessoais assim logo de cara, sem te conhecer. Se ela faz assim em um primeiro contato, o que poderia fazer depois? Geralmente esse tipo de conversa não leva a lugar algum. Ao servo do Senhor não convém contender, mas ser apto para ensinar, brando para com todos e paciente.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

A fidelidade de Deus na vida do patriarca Abraão



O texto nos narra o chamado de Abrão, sua peregrinação e desvio para o Egito, quando mente, entregando sua mulher para Faraó, a fim de preservar a sua própria vida. Quais lições podemos aprender com esse texto?


1 – O chamado de Abrão foi um chamado para a renúncia: lhe foi dito que deixasse sua terra, sua parentela e a casa de seus pais, e que fosse para uma terra que lhe seria anunciada. Assim também, na vida cristã, somos chamados a renunciar a tudo o quanto temos para seguir o Mestre (Lc 14.33). Muitas vezes o chamado envolve realmente em deixar fisicamente muitas coisas para trás. Mas na maioria das vezes, realmente é uma questão de mudança de prioridades. Nossa prioridade agora é a vontade de Deus para nossas vidas.

2 – O servo chamado de Deus deve construir altares em sua caminhada. Abrão construía altares por onde quer que passava (vers. 7,8). Assim também, em nossa caminhada, procuramos estabelecer momentos de comunhão e intimidade com Deus. Não precisamos mais construir altares, como naqueles tempos, pois o nosso Sumo Sacerdote está no céu, e é Jesus. Mas precisamos, simbolicamente, construirmos momentos sagrados em que oramos e damos ações de graças a Deus. Abrão deixava um rastro de adoração por onde passava. Assim tem que ser também em nossa caminhada.

3 – Diante de situações difíceis, cuidado para não buscar soluções que podem colocar em risco sua vocação. Diante de um quadro de fome, Abrão decidiu ir para o Egito e pediu para Sarai mentir, dizendo que era sua irmã, a fim de que não fosse morto. Interessante que aqui notamos pouca fé naquele que se tornou o pai da fé. Deus já havia aparecido para ele em algumas ocasiões, e mesmo assim, Abrão preferiu acreditar em suas próprias decisões. O Egito é um símbolo do mundanismo, nas Escrituras. E Abrão entrega sua mulher, que seria justamente a depositária da promessa que haviam recebido, de que sua descendência seria grande na terra. Abrão entregou para o Egito aquela que seria essencial para sua vocação. Séculos mais tarde, Jesus de Nazaré, após quarenta dias de jejum, teve fome, e foi tentado a transformar pedras em pão. Jesus ficou com as pedras. Abrão preferiu pão. Perceba ainda que, enquanto estava no Egito, Deus não apareceu nenhuma vez para ele, e lá, também não construiu nenhum altar.

4 - Quando um servo de Deus se desvia de seu chamado, corre o risco de deixar de ser uma benção e passar a ser maldição. Deus havia dito a Abrão: “sê tu uma benção” (vers. 2). Mas durante a estadia do patriarca na casa de Faraó, esse foi amaldiçoado. Lembra um pouco a história de Jonas, quando leva tempestade para um navio enquanto fugia de seu chamado. Tão diferente será a postura de José, anos depois, em que abençoa todo o Egito. Assim também cada um de nós, enquanto em fidelidade a Deus, temos que ser benção na vida das pessoas ao nosso redor.


5 – Mesmo diante de erros cometidos por Abrão, Deus não o abandona. O Senhor puniu a casa de Faraó, e esse acaba libertando Abrão, mas não sem antes lhe dar uma bela lição de moral. Ora, um servo de Deus, quando longe de seu chamado, leva lição de moral até do ímpio. Mas Deus, por fidelidade primeiramente a Si, bem como ao propósito que estabeleceu, por sua soberania, na vida de Abrão, o liberta, a fim de que ele possa continuar a sua caminhada. Deus é sobremodo misericordioso e bom. Mesmo quando erramos, ele não desiste de nós. Claro, é sempre melhor não abusar. Mas podemos confiar na bondade divina!

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segunda-feira, 22 de agosto de 2016

O vício em álcool e a liberação das drogas

Há muitas pessoas que defendem, com algum grau de sensatez, a liberação das drogas.

E há motivos para isso, sendo talvez o maior deles o fato de que, em havendo a liberação, a violência decorrente do tráfico irá acabar (por exemplo, as máfias norte-americanas surgiram quando por lá proibiram o comércio de bebidas alcoólicas).

Entretanto, me ocorreu um pensamento, acerca de uma eventual liberação. Algo não fundamentado cientificamente (que eu saiba).

Em nossa atividade eclesial, não é incomum nos depararmos com pessoas que têm determinados vícios na vida, notadamente o álcool. Hoje em dia, ouso dizer, todas as famílias possuem alguém próximo com tal vício. E o álcool é uma droga liberada, sabemos todos, com efeitos devastadores quando não o vicio não é moderado.

Ocorre que, geralmente, pessoas viciadas em álcool dificilmente aceitam que precisam de ajuda.

Demora muito para “cair a ficha”. Presenciei pessoas perderem a vida por conta deste vício, mas sem jamais admitirem a necessidade de ajuda. Ou então, primeiramente, elas perdem tudo, família, emprego, para caírem em si. E muitas vezes, nem assim.

Entretanto, quando uma pessoa é viciada em crack, cocaína, ou algo do tipo, parece que mais rapidamente ela admite que tem um vício. Não que o tal automaticamente vá pedir ajuda. Ela somente admite que é viciada. Mas talvez a diferença não seja pequena, pois, admitir um problema pode ser o início de sua resolução.

A minha dúvida é: será que pelo fato do álcool ser uma droga liberada, leva a este efeito psicológico na vida das pessoas, no sentido delas terem mais dificuldade de admitirem que são viciadas? E se for realmente assim, será que uma eventual liberação das demais drogas não pode causar um efeito similar?

O vício em álcool e a legalidade
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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Realmente vale a pena aumentar impostos no Brasil?

Uma notícia de um ano atrás, mas que vale a pena refletirmos.

Estamos entre os trinta países que mais arrecada impostos no mundo, e, entre os tais, somos o que menos retorno em serviços públicos de qualidade dá a população.

Aumentar impostos em um país como o nosso, é no mínimo temerário.

Não seria o caso, talvez, de diminui-los, e permitir que tais serviços dos quais a população precise fique nas mãos da iniciativa privada? Ou pelo menos moralizar o que já é arrecadado?

Fato é que vivemos em um país um tanto quanto burocratizado, caro, em que boa parte das pessoas coloca mais fé em um emprego estatal que na iniciativa privada.

Batemos recordes atrás de recordes de arrecadação, e, mesmo assim, serviços como saúde, educação e segurança deixam muito a desejar. Infelizmente, talvez ainda tenhamos agentes públicos que procuram fazer da coisa pública, privada, de modo que o “investimento” não retorna para a população.

Será que realmente podemos acreditar em políticos que dizem que farão melhorias sociais? Há alguém capaz de realmente cortar gastos públicos, mas não os relativos às necessidades básicas, e sim no gasto excessivo com o funcionalismo público, verbas indenizatórias de membros políticos de todas as esferas do poder, que somados aos seus salários somam muito mais do que o teto constitucional?

O estado contemporâneo, pelo menos em tese, deveria ter sua razão de existir no princípio da dignidade da pessoa humana, mas infelizmente isso parece longe de acontecer.


Leia mais em Globo.com

O retorno dos impostos no Brasil em serviços púbilcos
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segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Secularismo, islamismo e cristianismo europeu

Já tive a oportunidade de visitar alguns retiros para estudos promovidos por teólogos liberais.

Nestes encontros, Bultmann, Tillich, Spong, Freud, Marx, J. A. T. Robinson, Bonhoeffer,  entre outros (que talvez nem possam ser propriamente chamados de liberais), eram celebrados. Entre os intervalos das aulas, alunos e professores se reuniam para fumar um cigarrinho e tomar uma cervejinha.

Claro que nestes encontros, ninguém ensinava que os milagres relatados nas Escrituras eram verdadeiros. Eram somente mitos. E nem milagres nunca existiram. Nascimento virginal, ressurreição física? Nem pensar. A conversão do indivíduo é analisada em seu aspecto psicológico, sociológico. Nunca como um ato de novo nascimento. Um deles sequer acreditava em conversão. Até mesmo a oração parece ser somente um exercício de falar consigo próprio, seu eu interior, ou com o mistério, enfim. De ressaltar que promotores de tais eventos eram inteligentes, educados, atenciosos, entre outras qualidades.

(...)

Acabo de ler uma notícia de que 2800 templos cristãos serão fechados na França. Este é um país bastante conhecido pela sua empreitada secularista na sociedade, proibindo a utilização de cruzes e outros símbolos religiosos em escolas e repartições públicas, tratando neste caso, igualmente, cristãos, judeus e muçulmanos.

Ocorre que não param de abrir mesquitas na França. E o número de muçulmanos somente aumenta. E essa era a tendência bem antes destas questões envolvendo a entrada maciça de imigrantes na Europa por conta das atuais crises na Síria e no Iraque. Na verdade, o terrorismo só prejudicou o islamismo na Europa por conta de todas as repercussões negativas frente a tal religião. Essa era a tendência natural. Muçulmanos têm mais filhos e, ao que parece, levam sua religião mais a sério que os cristãos do velho continente. A previsão é que em pouco tempo, na Bélgica, o número de muçulmanos praticantes irá ultrapassar a de católicos, para ficarmos somente em mais um exemplo.

Realmente eu não sei analisar de quem é a responsabilidade pelo atual estado de coisas. Será uma Europa radicalmente secularizada que recusou reconhecer culturalmente suas raízes religiosas judaico cristãs e que minou o cristianismo europeu ou se foram os próprios clérigos cristãos que se deixaram envolver demasiadamente no espírito secular e demitologizante de teologia contemporânea? Fato é que um certo vazio espiritual do povo europeu (se é que posso dizer assim) parece estar sendo substituído pelo islamismo, e isso, sem a necessidade de nenhum ato de violência (esta, na verdade, só atrapalhou o avanço do Islã na Europa, em minha opinião).

(...)

Um dos pastores liberais que ensinou naqueles congressos que fui, pregou em sua igreja por ocasião da Páscoa. Acerca de uma visão de anjos que a Escritura relata que uma das discípulas de Cristo teve, ele, o pastor, arrematou para sua plateia: “provavelmente não passavam de homens bonitos”. Conheço sua igreja, e, embora o povo seja muito bacana, ela esta cada dia mais vazia. A questão é: será que alguém realmente continuará indo em uma igreja se não acreditar mais em Deus, ou que sua oração seja ouvida por uma divindade, ou que milagres acontecem? Talvez haja exceções, mas e a regra geral?


Bom. Os muçulmanos acreditam em tudo isso, e são eles que provavelmente irão ditar o futuro da religião na Europa.

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quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Escola sem partido - Uma opinião

Até o antigo "segundo grau" estudei em escolas públicas. Isso, há vinte anos.

Mal me recordo do que foi ensinado, e nenhum professor de história ou geografia marcou minha vida.

Em 1996 comecei a fazer cursinho.

E de fato, sem brincadeira, praticamente todos os professores de história e geografia eram de esquerda. Eram aulas maravilhosas! Não tinha como não ser arrebatado por elas!

Outro dado.

Desde 1994 sou cristão evangélico!

Minha primeira igreja foi a Betesda, do Ricardo Gondim. Na época, ele era filiado ao PT. Lá conheci jovens intelectuais sensacionais, a grande maioria de esquerda. E meu pastor de coração, Ricardo Bitun, sempre de esquerda. E tive contato com as obras do Ariovaldo Ramos, Robinson Cavalcanti, Paul Freston, Caio Fábio, e tantos outros, a maioria de esquerda (muitos deles, professores também). E todos, com pregações, aulas sensacionais (que, na grande maioria, não tinham a ver com política).

Mesmo no curso de direito em que me formei, a maioria dos professores das matérias em filosofia, sociologia, ciência política, antropologia, eram de esquerda. E, alguns deles, sensacionais, sempre os melhores!

Onde quero chegar?

Bom.

Essas pessoas não se tornaram "de esquerda" por força de lei. Pode ter sido por qualquer outra coisa, mas não por força de lei.

Por isso, se os conservadores, ou a direita, ou parte da direita quer mudar alguma coisa no ensino, que tenham a competência de formar educadores nesse sentido e forçarem o debate público (como tem ocorrido, aliás). Se não teve competência para fazer isso, que não o seja por meio de lei. Eu me ressinto sim da pouca informação que tive (quase nenhuma) de pensadores conservadores, como Scruton, Kirk, Burke, ou ainda, de liberais, como Mises. Mas se fizerem por força de lei, me parece que o efeito seria justamente o oposto.

Por isso, em princípio, não sou favorável ao referido projeto.

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quinta-feira, 21 de julho de 2016

O reino de Cristo não é deste mundo

Não é de hoje que vemos na história a religião se envolver em assuntos do poder (e vice versa). Desde a antiguidade, religião e política são questões que andam misturadas.

O cristianismo nasceu à margem do poder. A pequena seita foi perseguida pelos poderosos dentro do judaísmo, e depois também pelo império romano. Jesus pode ser considerado um preso político/religioso.

Assim também, quando teve oportunidade, o grande cristianismo católico acabou por se tornar uma religião primeiramente aceita, e depois, oficial. Não tardou e logo os perseguidos passaram a ser perseguidores.

A Reforma Protestante não trouxe grande mudança em relação a isso. Religião e Estado continuavam sendo coisas misturadas, com a honrosa exceção aos grupos anabatistas pacifistas, que separaram, por si próprios, a igreja do estado, e pagaram com a vida por conta disso.

As guerras de religião nos levaram ao iluminismo, e finalmente a algum consenso de que para que todos vivam em certa paz em uma sociedade pluralista, o estado não deveria favorecer nenhuma religião em particular. Certo é que, em alguns países, mesmo com religião oficial, se tornaram tolerantes com o tempo, como é o caso da Inglaterra e dos países nórdicos.

No Brasil também, em seu início, religião e política se misturaram, sendo que, com a proclamação da República, tal relação se desfez. Curiosamente, no caso brasileiro, mesmo a Igreja Católica assim preferiu, tendo em vista a intromissão do imperador nas questões eclesiais.

Hoje vivemos uma democracia, em boa parte, representativa. Com o crescimento dos grupos evangélicos, é normal que tal seguimento social tenha também seus representantes, e até aqui, nada de mal. O problema é se tais representantes começarem a defender mais o interesse das suas denominações do que os do país. Se estiverem ali somente a mando de seus líderes eclesiais a fim de obter poder político, riqueza, concessões em canais de televisão. Ou ainda, quando colocam em risco a laicidade do estado.

O que penso de tudo isso?

Bem. Fico um pouco triste quando tais homens fazem tudo isso supostamente em nome de Deus, do evangelho, de Jesus. Quando usam suas igrejas para conseguirem votos. Creio que Jesus não faria isso. Se algum pastor quiser se tornar político, deveria, a meu ver, abandonar o pastorado. Deveria seguir uma carreira política normal, em algum partido político, mas não construir sua fama e campanha junto às igrejas. Deve lutar pelo direito dos órfãos, das viúvas, dos mais fracos e fragilizados na sociedade. Se estiver atrás do poder pelo poder, nada faz de diferente que os filhos deste mundo. Aliás, se Jesus disse que seu reino não é desse mundo, porque aqueles que dizem segui-lo querem ter tanto poder?



Pastores e a política
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segunda-feira, 18 de julho de 2016

Crianças: sejam bem vindas à igreja!

Participo de uma pequena igreja em Guaianazes, pela misericórdia de Deus.

Durante esse mês de julho, alguns irmãos e irmãs tiveram a ideia de realizarem uma escola bíblica de férias, aos sábados à tarde. Não é possível fazer durante a semana, tendo em vista que todos nós trabalhamos fora.

Tem sido uma experiência muito boa. O mais interessante é que boa parte das crianças que participam não são da igreja. São crianças do bairro, de comunidades, dos arredores.

O mais bacana é que algumas dessas crianças voltaram em um culto no domingo. E aí, é claro, elas não se comportam, de modo geral, como as demais. Elas correm, andam, conversam durante o culto e coisas assim. Falam até palavrões.

O interessante é que, segundo o relato das professoras durante o culto infantil, todas as crianças se comportaram maravilhosamente bem. Isso é realmente graça do Senhor.

Após o culto, tivemos algumas briguinhas, discussões, um menino saiu chutando a cadeira, e por aí foi.

Bom.

Como vejo algumas coisas.

Muitas dessas crianças vivem nas comunidades, alguns, até mesmo sem acompanhamento direto dos pais. Elas vivem boa parte do tempo nas ruas. Não tenho certeza se a escola tem suprido suas necessidades mais básicas de educação e formação. Acho que não. Parte dessas crianças é um pouco mais ousada do que as demais. Temo que elas estejam caminhando para a marginalidade, em todos os sentidos. Marginalidade material, educacional, e mesmo criminal. Alguém tem que dar um “stop” nisso. Fazer a diferença. Tentar mudar o rumo de suas vidas, antes que seja tarde demais. Penso que a igreja de Cristo tem que ser vocacionada para tal tipo de coisa. Eu mesmo me considero um inútil para isso. Tudo o que acho que sei fazer é abrir as Escrituras, e falar um pouco sobre elas. Ainda bem que Deus coloca outros irmãos na igreja que fazem tão nobre trabalho.

Perde-se um pouco a paz com isso? Claro que sim. Em certo sentido, as crianças tiram o nosso sossego. Mas como já disse alguém, nos cemitérios também há paz, mas não é essa que queremos.










sábado, 23 de abril de 2016

Lidando com o dinheiro em tempos de crise

Graça e paz!

A atividade pastoral exige que sejam dadas orientações de diversos tipos na vida das pessoas. Vão desde coisas consideradas “espirituais”[1], como orar, ter um programa de leitura bíblica, evangelismo, ou mesmo questões mais práticas, como o relacionamento conjugal, postura no trabalho, entre outras coisas.

Uma destas questões práticas é sobre o uso do dinheiro. Estamos vivendo tempos difíceis. Muitas coisas que ocorrem ao nosso redor não são consequência da nossa atividade direta, como o preço da gasolina, o valor da condução, o preço do pão, do leite, do café, entre outras coisas.

Também não escolhemos o lar em que nasceríamos, o bairro, a cidade, a cultura, a família (ou ausência desta). Faz muita diferença entre ter nascido na Finlândia ou na periferia de São Paulo.

A maioria de nós não tem culpa direta[2] pelo fato de estarmos em meio à uma crise financeira no país. Os juros estarem altos, e coisas do tipo.

Entretanto, mesmo em meio à crise, mesmo em meio às dificuldades econômicas, ou em estarmos em um contexto difícil, creio que é possível delinear algumas atitudes concretas que podem nos ajudar, enquanto cristãos, a lidarmos com o dinheiro em meio à crise financeira.

Nesta curta mensagem, vou me ater a alguns textos do livro de Provérbios.

O primeiro conselho que, “de cara”, gostaria de extrair do mencionado livro, é referente ao texto que se encontra em Provérbios 3.9:

Honra ao Senhor com os teus bens, e com a primeira parte de todos os teus ganhos;
Provérbios 3:9

Vejam.

Falo como a cristãos. Falo àqueles que possuem fé.

O texto acima nos fala para “honramos ao Senhor” com a primeira parte (primícias) dos nossos ganhos.

Não é minha intenção reviver o complexo sistema de contribuições do antigo testamento, que pode ser dividido em dízimos, ofertas, primícias e primogênitos. Não é esta a questão.

A ideia aqui envolvida é que a nossa intenção em tudo o quanto fazemos, mesmo naquilo que ganhamos, é “honrar ao Senhor”. É aquilo que vai no nosso coração, em nossas intenções.

Claro que, enquanto pastor evangélico, e como fiel membro da igreja, sempre interpretei o mencionado versículo como a contribuição que se dá na comunidade. Em se separar parte dos ganhos e ofertar para o que hoje chamamos obra do Senhor. Sei que há outras interpretações possíveis, e até quem diga que o versículo não é mais válido para os dias de hoje. Minha intenção não é discutir com tais ideias, e entendo que cada qual deve estar bem firmado em sua mente, naquilo que acredita. Tão somente expor que, enquanto cristão, entendo que o Senhor deve ser honrado em todas as coisas, inclusive com nossos eventuais ganhos, sejam eles dirigidos aos pobres ou inseridos na comunidade de fé, ou ambos. Fato é que o versículo tem uma bonita promessa, e creio que não é errado semear com a expectativa de se colher frutos melhores, desde que não se faça isso com um espírito de troca, mas sim de voluntariedade, amor e desejo de honrar ao Senhor.

Outrossim, acho bom começar nosso texto com um versículo assim. Isso porque, pelo menos para nós, os crentes, a nossa prosperidade não vem em primeiro lugar como fruto do nosso esforço e trabalho. Não. Vem pela graça de Deus. Assim entendemos. Por isso, d’Ele, por Ele e para Ele são todas as coisas. Por isso, entendemos ser o mais correto, honrar a Deus com as primícias da nossa renda.

Há outro princípio que gostaria de compartilhar é o que se encontra em Provérbios 12.24, que assim diz:

A mão dos diligentes dominará, mas os negligentes serão tributários.
Provérbios 12:24

Aqui já estamos em um campo que depende, em muito, de nós mesmos.
Independentemente do local em que nascemos e crescemos, do que fazemos, nós é que definiremos se seremos ou não diligentes.

Ser diligente é ser organizado, responsável. Alguém que se possa contar. Esforçado. Alguém que dá o melhor de si.

Se você faz bem alguma coisa, estude para fazer melhor. Não importa o que seja, não importa de onde se está começando. Seja dos serviços mais simples aos mais complexos. Cumpra prazos. Não fique chegando atrasado no seu trabalho. Não se distraia com redes sociais, ou outras coisas do tipo. Se você é profissional liberal, certifique-se que seus clientes estão satisfeitos com o seu trabalho.

Um terceiro conselho que eu gostaria de deixar para com os irmãos é o de ser prático no que se refere a ter alguma renda. Vejam o que diz Provérbios 14.23:

Em todo trabalho há proveito, mas ficar só em palavras leva à pobreza.
Provérbios 14:23

Veja o que o texto diz: “em todo trabalho há proveito”. Eu vejo que as pessoas, muitas vezes, romantizam muito esta questão do trabalho. Em minha vida, sempre pensei assim: que ter algum trabalho, ganhar algum dinheiro, é melhor do que não ter trabalho nenhum, do que não ganhar dinheiro nenhum.

Então, entendo que não podemos ser muito frescos nesta questão. Talvez um momento ode crise seja a oportunidade de mudarmos um pouco de área. É possível que a nossa área já está um pouco saturada. Talvez a gente não consiga, no momento, ter o mesmo salário do que tínhamos antes de sermos mandados embora de outro emprego. Logo, é possível que não dê para ficar escolhendo muito. O importante é não deixar de entrar algum dinheiro. Como diz o ditado popular, “é melhor pingar do que secar”.

Eu sempre associei um pouco esta questão da espiritualidade com a do trabalho. “Ora et labora”, diz um velho ditado. Todas as vezes que fiquei sem trabalho, a minha espiritualidade não funcionava direito. Logo, muitas vezes, mesmo podendo ter um emprego melhor, não vacilei em trabalhar de atendente, lavar banheiro, caixa, office boy, o que for necessário. Eu, particularmente, tinha horror em ficar parado. Em minha vida, pela misericórdia de Deus, isso sempre funcionou.

Você também pode inovar. Tem gente, por exemplo, que conseguiu pagar os estudos vendendo pão de mel. Há outro testemunho de uma empregada doméstica que se tornou juíza estudando com livros achados no lixo. Tente, invente, faça diferente, não perca tempo com coisas que não te darão nenhum retorno. Plante de manhã, a tarde e à noite, pois você não sabe qual dará o seu fruto (Eclesiastes 11.6).

Um outro conselho que o livro de Provérbios nos dá é o de saber poupar um pouco. Está escrito:

A riqueza de procedência vã diminuirá, mas quem a ajunta com o próprio trabalho a aumentará.
Provérbios 13:11

Vejam. Juntar com o próprio trabalho. Como isso é importante.

Uma das regras de ouro da economia é não gastar mais do que se ganha. Todos nós tempos um tempo de produtividade, que irá se acabar. Um dia chegaremos na velhice, onde nossa produtividade diminui. Daí, será melhor ter algo acumulado do que depender dos filhos, ou mesmo do estado. Alguns dizem que o ideal seria tentar poupar pelo menos dez por cento do quanto se ganha.

Também é importante, no mundo em que nós vivemos, entender um pouco de investimento. Não tem jeito. Se você, por exemplo, nos tempos que nós vivemos, de juros altos, deixar o seu dinheiro na caderneta de poupança, vai perder dinheiro. Guardar debaixo do colchão, nem pensar! Por isso, é preciso conhecer um pouco sobre renda fixa, CDB, LCA, LCI (estes dois últimos não cobram imposto de renda), Tesouro Direito (que nenhum gerente de banco te oferece por não dar lucro para a instituição), fundo de investimentos, ações, etc. Talvez seja bom você fazer uma planilha de gastos, para saber se não está desperdiçando com alguma coisa.

Outro conselho que acho muito importante no livro de provérbios é o de tomar cuidado com empréstimos. Está escrito:

O rico domina sobre os pobres e o que toma emprestado é servo do que empresta.
Provérbios 22:7

A coisa mais comum é você ver propaganda de banco te oferecendo dinheiro para financiar alguma coisa. Tenho amigos que se comprometerem por 60 meses para comprar um carro. Trinta anos para pagar um imóvel. O problema disso é que os juros podem estar muito altos, e você acaba pagando três vezes o valor do bem. O ideal é tentar abaixar um pouco o padrão de vida, poupar o necessário para pagar o bem a vista, ou então, dar uma boa entrada para não naufragar nos juros altos. Muitas pessoas, no meio do caminho, podem perder o emprego, deixar de pagar, e perder o bem. Tome cuidado com empréstimos. Cuidado com o “usufrua agora e pague depois”. Talvez por falta de educação financeira por parte da população, os bancos lucrem mais do que deveriam.

E finalmente, o último conselho da Palavra do Senhor que eu gostaria de deixar é o de ser generoso:

Ao Senhor empresta o que se compadece do pobre, ele lhe pagará o seu benefício.
Provérbios 19:17

Nós não podemos fazer do dinheiro uma idolatria. Esses conselhos para lidar com o dinheiro são para tornar nossa vida melhor, mais agradável, para incentivar à prudência, mas não são para fazer disso o único objetivo de nossas vidas. Enquanto cristãos, temos duas obrigações que são a de contribuir para a expansão do evangelho no mundo e aliviar a dor dos que são necessitados, atendendo principalmente ao órfão e à viúva, os mais fracos da sociedade. Não se trata do dinheiro pelo dinheiro, e sim, como meio para ajudarmos mais os que necessitam.

Enfim, meus irmãos, muitos outros conselhos poderiam ser dados. De qualquer modo, creio firmemente que, se estes forem seguidos, nos darão sabedoria para lidarmos com esta área tão delicada de nossas vidas, que é a área financeira.

Deus abençoe!

Que o Senhor nos guie em todas as coisas!


Princípios do livro de provérbios para lidar com o dinheiro
Pixabay






[1] É só um jeito de falar, pois para os cristãos, tudo é espiritual.
[2] Talvez culpa indireta, por má escolha nas eleições, mas não é disso que tratamos aqui.

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