Considerações acerca das bem-aventuranças
Bem-aventurado é do grego "macarios", que significa feliz.
Há muitas interpretações sobre tais ditos de Jesus.
Alguns dizem que "bem-aventurado" tem a ver com uma espiritualidade superior, como por exemplo, daqueles que vão para o deserto, que se dedicam exclusivamente a Deus, à oração.
Mas tinha algum monge presente na hora que Jesus disse essas palavras?
Acho que não.
E penso que Jesus não teria um programa tão maravilhoso para uma classe tão restrita de pessoas.
Isso não significa que monges também não possam ser bem-aventurados.
Há quem diga que as características envolvidas nas bem-aventuranças já se encontravam presentes em determinadas pessoas que vivam sob determinadas condições.
Então aquele povo que era pobre (seja de espírito, seja materialmente), que chorava, que tinha fome e sede de justiça... esse sim era um povo bem-aventurado, pois haveria diante de Deus uma espécie de inversão de posições, como aconteceu com o rico e Lázaro.
Porém, talvez haja uma certa ingenuidade em admitir que só pelo fato de uma pessoa ser material e socialmente desprovida, por si só, já faria desta pessoa "beata", bem-aventurada, santa...
Afinal, Jesus fala em puro de coração, que é algo que independe de classe social, de ser rico ou pobre.
De qualquer modo, prefiro uma forma de pensar dos velhos evangélicos quanto a este assunto.
E tal modo de pensar é bastante simples.
Jesus estava ali como mestre.
Mestre de seus discípulos.
E ali estava a ensinar o tipo de gente que gostaria que seus discípulos fossem.
O próprio fato de estar no início do evangelho de Mateus me parece um lance assim mais catequético, um programa ético do Reino.
Esse sermão do Monte me parece realmente um resumo do ensino do Cristo, ou todo o programa ético do discípulo.
Um verdadeiro desafio!
Agora, me parece que ele não estava a dizer acerca de características que cada um de nós possa possuir em consonância com alguma que ali esteja dita.
Algo do tipo, alguém ser psicologicamente manso já atender o que ali se espera.
Isso porque, alguém pode ser manso de modo natural, mas ser um covarde, e não ter nenhuma fome e sede de justiça.
Logo, não seria um bem-aventurado.
Isso então nos leva à conclusão de que devemos buscar todas as características das bem-aventuranças.
Não só algumas.
Não só as preferidas.
Não só as que se ajustam melhor às nossas características psicológicas.
São como o fruto do Espírito, que Paulo menciona em Gálatas.
Tem que colher o fruto todo.
Tem que procurar eticamente exercer todas aquelas características.
Daí, alguns dizerem que o bendito sermão não ser um programa para o mundo todo, mas somente daqueles que se tornaram discípulos de Jesus.
Enfim, sem dúvida alguma, sejam as bem-aventuranças, seja todo o sermão do monte, são um grande desafio para ser entendido e vivido por todo aquele que ama o evangelho.
Depois vou escrever sobre cada uma delas.
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