sexta-feira, 26 de junho de 2015

O islamismo não é um bloco monolítico

Jamais devemos pensar que o islamismo é um bloco monolítico.

Assim como existem muitas diferenças entre os cristãos, também há muitas entres os muçulmanos.

Por exemplo: os membros do Estado Islâmico são sunitas, e ferrenhos inimigos dos xiitas. Tanto é que uma bomba foi explodida em uma mesquita xiita no Kwait, um país em que os dois grupos vivem em relativa harmonia. Já, no Irã, predomina a versão xiita do islamismo. As maiores vítimas da violência em nome do islã são os próprios muçulmanos.

Atualmente, muitos membros do chamado Estado Islâmico eram parte do exército iraquiano. Entretanto, acredito que a desastrosa atuação dos EUA naquele país tirou o equilíbrio da região, e agora, aqueles que em tese até poderiam ser islâmicos moderados (sunitas), fazem parte agora de um dos mais combativos e sangrentos grupos que já se teve história e querem implementar um califado em toda a região.

Há muçulmanos também em versões mais liberais, mas parecem ser também uma grande minoria. E geralmente, essas visões não prosperaram em países dominados pela sharia, a lei islâmica.

Há certamente muita beleza no islamismo dito espiritualizado, por assim dizer. Aquele que se dedica às orações, à prática da virtude, caridade, jejum e disciplina. Mas o problema são quando as religiões procuram ter o monopólio do controle social, o que acabam fazendo via controle estatal. No caso do Islã, a questão é mais dramática, a meu ver, pois de modo geral, a religião não aceita a separação entre Mesquita e Estado, o que se torna um risco para a democracia e para uma visão mais liberal de sociedade.

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