domingo, 26 de dezembro de 2010

Silêncio humilde


Por Thomas Merton

Não é o falar que rompe nosso silêncio, mas a ansiedade de sermos ouvidos. As palavras do orgulhoso impõem silêncio aos demais, de maneira que só ele possa ser ouvido. O humilde fala somente para que lhe falem. O humilde nada pede senão uma esmola; depois, espera e escuta.

Recebemos a Cristo ouvindo a palavra da fé. Trabalhanos na obra da nossa salvação em silêncio e na esperança; mais cedo ou mais tarde, porém, chega a hora em que devemos abertamente confessá-lo diante dos homens e, em seguida, diante de todos os que habitam no céu e na terra.

Se nossa vida se derrama em palavras inúteis, jamais ouviremos algo, jamais nos tornaremos algo e, no fim - porque já dissemos tudo antes de termos tido algo a dizer - ficaremos sem fala no momento de nossa maior decisão.


(in Na liberdade da solidão, Ed. Vozes, p.71-72)



A igreja necessita urgentemente de pessoas que saibam ouvir, pois todo o falar, muitas vezes se parece mais com uma disputa do que com um "colocar em comum", comunicar. Quando ouvimos, nos colocamos em um nobre serviço ao nosso próximo e a nós mesmos. Não se perde tanto a paz no coração ao se ouvir, tanto quanto corre-se o risco de perdê-la ao muito falar.

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