sábado, 11 de dezembro de 2010

A Encarnação - o verdadeiro sentido do natal



“Eis que a Virgem conceberá e dará a luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco)” (Mateus 2.23).

Nesta época do ano, começamos a nos preparar para o Natal.
Igrejas de características mais litúrgicas estão a cada domingo, acendendo as velas do advento.
Eu, particularmente, admiro profundamente a liturgia praticada em séculos pelos cristãos, mas que, infelizmente, se perdeu nos círculos evangélicos, dos quais faço parte. Esta, penso, é uma daquelas coisas que tiramos do culto sem colocar nada à altura no lugar...
Lamento ainda mais por aqueles que simplesmente aboliram o natal de seu calendário, pelo simples fato de ser uma data fictícia elaborada em um período imperial. Pena...
Entretanto, não é sobre liturgias que quero discorrer nesta oportunidade, mas sim sobre algo que entendo ser o verdadeiro sentido do natal. Nada de novo, mas somente reforçar aquilo que como cristãos já sabemos.
O de mais sublime, maravilhoso, indescritível, fantástico nesta data é que comemoramos o fato de Deus, de maneira tão inesperada e espetacular ter se identificado com a condição humana, a ponto de ter se tornado um de nós.
Isto é um pensamento fundamental, básico, indispensável para toda a nossa compreensão de religião, de cristianismo. Deus se tornou um de nós!
Com isso, Ele se torna co-participante de tudo aquilo que caracteriza a condição humana, com suas alegrias, dissabores, júbilos e tristezas.
Isto é espetacular do ponto de qualquer ponto de vista religioso. Todas as grandes religiões têm verdades, coisas boas, interessantes; mas é pedra fundamental do cristianismo a idéia de que Deus encarnou na forma humana.
O Filho tomou a forma de uma inocente criança, leve, frágil, necessitada, com seu corpinho, perninhas, mãozinhas, em tudo dependente de seus pais.
O mundo então acolheu e conheceu o Filho de Deus!
Não há dor que o Filho não possa se identificar, compreender, entender, pois passou por todos os processos que caracterizam a existência de cada um de nós.
O Natal nos leva a novamente a acolher o Deus menino no interior de cada um de nós, pois, Deus quis humanizar-se, pois tudo “é muito bom”.
Temos que acolher tal criança, e deixá-la crescer em nosso íntimo, em nosso ser. Seu exemplo também nos leva a identificar-nos com o nosso próximo, com a dor alheia. A meditarmos no fato de que o Filho também teve uma família humana, um ofício, vida social, e todas estas coisas são dignificadas pela encarnação. A condição humana, na perspectiva divina, é para ser uma coisa bela, uma coisa boa, desejável, saudável. O nascimento do Filho foi o maior ato de sabotagem divino a uma sociedade em trevas. Luz do mundo é o nosso Senhor.

Que bom que o Senhor se tornou um de nós. Conhece-nos profundamente! Viu que estávamos desgarrados como ovelhas, cada um seguindo pelo seu próprio caminho. Que bom que Deus, o meu Deus conhece todos os sentimentos humanos. Conhece o sentimento de abandono e de traição, de tensão e de enfrentamento, pois se identificou plenamente conosco. Como não amar, como não adorar um Deus assim? Como não imitá-lo?

Que neste natal possamos meditar na encarnação do Senhor em nosso meio, bem como em nossas vidas, pelo Espírito, e que nos leve a encarnar a vida do Cristo em nosso cotidiano, pois ele sempre será Deus conosco!

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