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Mostrando postagens com o rótulo Reflexão

Primeiros capítulos de Gênesis - Uma leitura sempre literal?

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U ma das matérias que leciono em alguns cursos que tenho o privilégio de ministrar é o de Antropologia Bíblica, ou doutrina do homem, conforme outros preferem chamar. E obviamente, sempre que estudamos este assunto, um dos textos que costumamos ler é o referente aos dois primeiros capítulos de Gênesis.

Dar com uma mão, e com a outra tirar...

A té os dias de hoje, em minha curta existência, ainda não vi um grupo de recuperação social mais ativo e eficaz que as igrejas evangélicas inseridas em nosso contexto urbano, notadamente as de cunho pentecostal (ou neopentecostal). Ouvi falar em diversos testemunhos, bem com vi pessoalmente (aliás, eu mesmo sou fruto disso), pessoas que viviam vidas completamente desgovernadas: são pais de famílias que passavam horas em bares, traiam suas mulheres, gente com abuso de álcool, drogas, desorganização de ordem financeira, etc. Sem dúvida nenhuma, isto foi um grande serviço para a sociedade, bem como para as famílias que viram seus membros serem completamente transformados, em um sentido positivo.

Estado Civil: Divorciada

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F ui com a minha namorada a um passeio em um clube aqui em São Paulo, e conhecemos uma senhora, de uma conhecida igreja evangélica pentecostal brasileira (centenária, inclusive). Papo vai, papo vem, ela se apresentou como Maria, missionária. Ela nos disse que éramos um casal lindo e unido por Deus (algo muito bom de ouvir). Entretanto, em dado momento, ela pediu oração, pois estava querendo arranjar um marido, dizendo que agora era viúva. Fato é que, o marido dela a havia abandonado antes dela se converter (há uns vinte anos atrás), e ela se divorciou. Na carteirinha de membro da igreja pertencente a ela vinha constando o estado civil dela como divorciada. Coisa estranha esta de se constar. E ela disse que seria difícil arrumar um marido constando “divorciada” na carteirinha dela. Acho estranho algo deste tipo ter que constar em uma carteirinha. Não bastaria a palavra dela. Tinha que carregar este fardo a vida toda.

O bispo cristão

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E stes dias estava a meditar nos requisitos que o apóstolo Paulo indica que são necessários para que alguém se torne bispo, quando escreveu ao seu discípulo Timóteo (I Timóteo 3.1-7). O que eu achei interessante é que são requisitos bem práticos. Na verdade, quase chocam pela sua simplicidade. Entre outras coisas, o bispo deve ser irrepreensível (ou seja, nada na sua vida está a desabonar sua pessoa), é marido de uma só mulher (ou seja, monogâmico, fiel), é temperante (qualidade de quem é moderado nos aspectos intelectuais, espirituais, etc, ou seja, não é um radical), sóbrio (moderado no que tange às bebidas, alimentação, etc), modesto (não faz alarde de suas próprias virtudes e boas obras), hospitaleiro (faz com que os visitantes se sintam bem acolhidos, oferece lugar de repouso e confiança) apto para ensinar (ou seja, também um estudioso; tem que ser um bom professor), não dado ao vinho (tem controle de si, não é um beberrão), não violento (não usa a coação de nenhu...

Minhas dificuldades com o sistema calvinista de pensamento

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S ou admirador de muitos autores calvinistas, e no que diz respeito em ouvir e ler material teológico evangélico, a maior parte do meu tempo e dedicação tem sido em ler autores desta linha de pensamento, como o próprio Calvino, Spurgeon, Loyd-Jones, John Pipper, Berkhof, entre outros. Particularmente, eu tenho a impressão de que o protestantismo sério, do ponto de vista prático e teológico, tem sido majoritariamente calvinista, e até poderei um dia tornar-me um também.

Co-participantes do sofrimento de Cristo

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“...pelo contrário, alegrai-vos na medida em que sois co-participantes dos sofrimentos de Cristo” (1 Pedro 4.13). Q uando Pedro escreveu estas palavras, o fez para um público que corria o risco de constantemente ser perseguido por conta de sua adesão ao evangelho. O sofrimento é uma realidade na vida de todos aqueles que unem suas vidas à Cristo, ainda que muitos passem de largo desta realidade.

O governo cristão e o governo secular

P enso que a maior diferença que pode existir de princípios entre um governo de índole cristã e outro, secular, é o fato de que o primeiro serve o povo, e o segundo, serve-se do povo. Os anabatistas, radicais defensores da separação entre a Igreja e o Estado, diziam que seria impossível um governo ter tal índole, daí não se imiscuirem nos negócios públicos.

Da infabilidade das Escrituras II

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D esde os meus primeiros anos em um seminário, ouvia falar muito mal de Karl Barth. Isto porque, segundo meus mestres, Barth dizia que a Bíblia “contém” a Palavra de Deus, e não que “é” Palavra de Deus. Obviamente, fiquei muito tempo sem ler Barth... Ocorre que, passado um tempo, percebi que é Barth, na verdade, que se mantém fiel ao protestantismo, e não os meus mestres... Isto porque, o mencionado teólogo, no meu entender, nada mais faz do que fazer reverberar os próprios ditos de Lutero, o grande reformador. Lutero entendia que a Palavra de Deus é o próprio Cristo, que habitou entre nós, viveu vida de cruz, morreu por nós e ressuscitou. E as Escrituras disso dão testemunho, apontam para este fato, mas não são o fato em si. E Lutero não acreditava na infabilidade total dos textos bíblicos, tanto é duvidou da inspiração da epístola de Tiago do cânon, de trechos de Hebreus e Apocalipse, além dos livros apócrifos (deuterocanônicos, para os católicos). Karl Barth, no meu sentir, tão...

Idolatria Moderna, ou Antropolatria?

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Q uando "Deus é removido", sempre colocam algo no lugar para ser idolatrado. A essência da idolatria é colocar algo condicionado, temporal, e relativo como se fosse objeto de devoção última, incondicionada. Mas o problema dos ídolos, é que eles são muitíssimo mais exigentes, e minam a própria vida dos que os seguem, e os oprimem. Além do que, destroem os que não se curvam perante eles, sendo esta a essência do demônico, segundo Paul Tillich, estando também na raiz de todo fundamentalismo, seja secular, seja religioso. A presença de Deus no mundo, segundo Bonhoeffer, e isto precisa ser entendido com calma, é fraca. Deus tem uma presença fraca no mundo. Isto porque, Deus, em Cristo Jesus, permitiu ser expulso do mundo. Na cruz, Deus disse a humanidade que a amava, que a aceitava plenamente. Mas na cruz, a humanidade disse a Deus: fora daqui, não te queremos aqui! Então, Deus se permitiu ser expulso do mundo. Hoje, segundo as Escrituras, a presença máxima de Deus entre ...

Deus estava em Cristo

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“pois Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo...” (2 Co 5.19) “Será que este Deus – que requer um sanguinário sacrifício humano – ainda merecedor de adoração hoje, ao trazermos finalmente esta idéia ofensiva para a consciência” (John Shelby Spong, em “Um novo cristianismo para um novo mundo”, p. 33) U ma das críticas mais inconsistentes que ouço em de alguns teólogos, sejam de outras religiões, ou mesmo protestantes liberais, é a idéia de que Deus precisou matar o Filho para nos amar. Tipo, eles dizem que se mantivermos a doutrina ortodoxa acerca da salvação, estaremos a dizer que Deus é cruel, pois só poderia nos perdoar à custa de sangue inocente. Entretanto, este é o problema de alguém que não observa o grande mistério da salvação por todos os seus ângulos, ou insiste em não se atentar a todo o conselho de Deus. Primeiramente, Deus não precisou matar o Filho para nos amar. Muito pelo contrário. As Escrituras nos dizem que Deus nos deu o seu Filho justamente porque...

493 anos de Reforma Protestante

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O lá, prezados leitores! No último domingo, comemoramos 493 anos da Reforma Protestante. Minha agenda não me permitiu elaborar nenhuma postagem a respeito do tema. Ocorre que não queria deixar passar em branco esta data que foi um marco, tanto para a história das religiões, como para a história do próprio ocidente. Geralmente, quando estudamos a Reforma, partimos do ano de 1517, mais precisamente do dia 31 de outubro, que foi o dia em que Lutero afixou as suas 95 teses na porta do castelo de Wittemberg, combatendo, mais precisamente, o sistema de indulgências. Obviamente, a história sempre precisa dos seus marcos para marcar determinadas ocorrências. Entretanto, a Reforma não foi um movimento que ocorreu de repente, como que em um ato único de revolução, ou de rompimento com a Igreja Católica. O descontentamento com a Igreja já ocorria muito tempo antes. Vale até mesmo a observação de que a maior parte dos países que aderiram ao movimento reformista nunca havia feito parte da ...

A tristeza de William J. Seymour

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E stamos diante de alguém cuja vida ainda será análise de muitos estudos, pois, por influência de tal homem, o cristianismo mundial foi abalado, em todas as suas esferas. Talvez um dos maiores e mais importantes acontecimentos, a despeito de muitos dos criticos sobre o assunto. O pentecostalismo é fascinante como objeto de estudo. É impossível estudar o cristianismo no último século sem se deparar com tal movimento, em praticamente todos os ramos da cristandade. Tudo parece ter começado com um piedoso evangélico afroamericano, que, segundo me disseram, tinha que assistir suas aulas de teologia do lado de fora da sala, visto que era proibida a presença de alunos negros. Foi este homem que teve a iniciativa de colocar um anúncio no jornal, convidando os seus leitores que iria começar uma reunião de oração na "Azuza Street". Contra toda evidência, fato é que a reunião, aos poucos, começou a ficar lotada. O púlpito era um caixote. Os bancos eram velhos. Mas uma revo...

Espiritualidade Cristã - Introdução

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H á algumas semanas tive a oportunidade e o privilégio de ministrar um curso sobre espiritualidade cristã na Faculdade de Teologia Metodista Livre. O curso consistiu em três encontros de seis a sete horas cada, valendo como módulo para a formação de bacharéis em teologia. Vou aproveitar o esboço daquelas aulas e postar por aqui um pouco do que compartilhamos por lá, adaptado, da melhor forma que conseguir, para textos escritos em blog (textos curtos e escritos de forma simples). Há diversos tipos de espiritualidades no mundo. Há uma espiritualidade espírita, outra islâmica, budista, e alguns até falam em espiritualidade agnóstica ou atéia. Obviamente, o nosso curso se limitou à cristã. Mas, mesmo falando em cristianismo, temos obviamente, muitos tipos de espiritualidades, o que torna praticamente impossível ministrar todas elas em um curso muito curto. Há a católico-romana, a ortodoxa, e protestante. Mas mesmo assim, só é possível falarmos delas de modo genérico. Isto porque, por e...

O cristianismo de Tolstoi (3)

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Continuo, nesta oportunidade, postando um pouco do que ensinou Tolstoi, em sua obra "O Reino de Deus está vem vós", editado no Brasil pela Editora Rosa dos Tempos. Vimos, na postagem anterior , que Tolstoi defende o princípio da não resistência ao mal com violência como sendo um preceito obrigatório para todos os cristãos. Segundo nosso autor, nenhum pensador ou teólogo o contradisse de forma condizente. Ele agrupou em seu livro cinco objeções ao seu pensamento, que citamos a seguir: 1ª objeção) A violência não está em contradição com a doutrina de Cristo. Tanto é que, o Antigo Testamento, e alguma passagens do Novo, como a expulsão dos mercadores do templo, por exemplo, apoiam, segundo os tais, a idéia de que Cristo não poderia ser contra a violência. Tolstoi considerou tão ridículo este argumento que nem se deu ao trabalho de refutá-lo, esta que é a verdade. 2ª) Por causa dos malfeitores, é preciso manter a força para proteger os bons. Ele cita o grande bispo...

O cristianismo de Tolstoi (2)

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(a postagem anterior pode ser lida aqui ). TESE 1: A doutrina da não resistência ao mal com a violência tem sido ensinada pela minoria dos homens desde a origem do cristianismo. Uma das teses do livro "O Reino de Deus está em vós" é a esboçada acima. Logo no primeiro capítulo de sua obra, Toltoi demonstra que a doutrina da não resistência ao mal com violência, considerada por ele uma doutrina autenticamente cristã, tem sido ensinada pela minoria dos homens em dois mil anos de cristianismo. Chega mesmo a afirmar em outro momento que nós mal sabemos ainda viver e entender o cristianismo (vivacidade, lucidez ou arrogância do nosso escritor?). Dialogou com diversos grupos de pessoas que sustentavam o mesmo princípio da não reação ao mal com a violência, como os quakers, vários defensores do movimento dos direitos civis nos EUA, vários intelectuais, menonitas, entre muitos outros. Mas que, de modo geral, o cristianismo de "mera aparência" abençoou os governos e gove...

O cristianismo de Tolstoi (1)

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Eis que surge em minhas mãos a obra "O Reino de Deus está em Vós", de Leon Tolstoi. Para quem não sabe, este russo, que viveu no final do século XIX, foi um dos maiores escritores de seu tempo, com obras como "Anna Karenina" e "Guerra e Paz". Entretanto, em determinado momento de sua vida, chegou a um momento de iluminação tal que entendeu a si mesmo como um seguidor de Cristo. Não demorou, e começou a traduzir o cristianismo de acordo com sua própria visão, um tanto quanto radical, dirão alguns. Ele, a exemplo de um bom protestante liberal, porém, nada burguês, desacreditou de todos os milagres descritos nas Escrituras, bem como desacreditou toda e qualquer organização eclesiástica, chamando-as inclusive de anti-cristãs, principalmente a Igreja Ortodoxa Russa. E quem acha que ele era um bom comunista (pois estas críticas têm cheiro de esquerdismo), caiu do cavalo, pois, Tolstoi, ao que parece, detestava o socialismo/comunismo, profetizando, inclusive, q...

A Igreja Evangélica à Luz do Materialismo Histórico

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Diferenciando-se profundamente da tradição hegeliana para a qual o motor da história era o racional, toda a insistência marxista está no sentido contrário, ou seja, o da afirmação do caráter humano, concreto, ativo, produtivo da existência. Nas condições materiais de vida, e não na consciência ou na evolução geral do espírito humano, reside o fundamento de sua concepção [1] . Segundo a concepção materialista histórica da sociedade, “as relações materiais que os homens estabelecem e o modo como produzem seus meios de vida formam a base de todas as suas relações [2] ”. As idéias, as ideologias, a moral, os sistemas jurídicos e religiosos não possuem uma existência autônoma, como que “vindas do céu”, mas ao contrário da filosofia anterior, fazem parte da superestrutura fundamentada sobre a infraestrutura que representa os modos materiais de existência de vida. Essas relações materiais podem ser chamadas de produção social dos bens, que “engloba dois fatores básicos: as forças produ...

UM MODELO TRINITÁRIO DE VIDA

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Cremos firmemente, com todo o cristianismo histórico, confirmado por Nicéia, preconizado pelos escritores neotestamentários, e ensinado por muitos dos chamados pais da Igreja, como Inácio, Irineu, Tertuliano, que nosso Deus é uma pluralidade de pessoas em uma mesma substãncia, ou seja, cremos na Santíssima Trindade. Um único Deus. Três Pessoas. Pai, Filho e Espírito Santo. O monoteísmo dito radical, que não aceita esta pluralidade por temê-la como politeísmo, e que entende de algum modo Deus como uma entidade radicalmente única, preconiza, segundo o entendimento tradicional, a imagem de um Deus solitário, radicalmente (desculpe-nos a repetição do termo) só. Para nós, data vênia dos que entendem ao contrário, tal imagem não se coaduna muito bem com a imagem de um Deus de amor. Isto porque, o amor, em sua plena potencialidade relacional, a nosso ver, só pode ser exercido e conhecido quando existente entre pessoas de uma igual natureza. Um Deus radicalmente só, um "totalmente outr...

O teólogo cristão

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Teólogo é aquele que discursa sobre Deus, conforme nos sugere a etimologia da palavra. Logos é discurso, é palavra, Theos é Deus. Por isso, teólogo, no mínimo, é alguém que crê desfrutar de alguma comunhão com Deus, que julga conhecer um pouco o “fundamento” de seu discurso, e não somente aquele que conhece o discurso de outros sobre Deus, caso contrário, estará sendo somente acadêmico. Não que tenha algo errado em ser acadêmico, mas este terá muito pouco a dizer a uma comunidade de fé. Neste sentido, qualquer cristão que tenha comunhão com Deus já é potencialmente um teólogo? Potencialmente, penso que sim; mas não necessariamente. Isto porque, não é impossível que alguém possua conhecimento de Deus, mas não tenha necessariamente um discurso articulado, sistematizado sobre Ele. No caso da teologia cristã, alguém que discurse sobre Deus, sobre Cristo, e o Espírito Santo; sobre a auto-revelação de Deus nas Sagradas Escrituras. Não é difícil alguém ter uma teologia ortodo...