sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Estado Civil: Divorciada


Fui com a minha namorada a um passeio em um clube aqui em São Paulo, e conhecemos uma senhora, de uma conhecida igreja evangélica pentecostal brasileira (centenária, inclusive). Papo vai, papo vem, ela se apresentou como Maria, missionária. Ela nos disse que éramos um casal lindo e unido por Deus (algo muito bom de ouvir). Entretanto, em dado momento, ela pediu oração, pois estava querendo arranjar um marido, dizendo que agora era viúva. Fato é que, o marido dela a havia abandonado antes dela se converter (há uns vinte anos atrás), e ela se divorciou. Na carteirinha de membro da igreja pertencente a ela vinha constando o estado civil dela como divorciada. Coisa estranha esta de se constar. E ela disse que seria difícil arrumar um marido constando “divorciada” na carteirinha dela. Acho estranho algo deste tipo ter que constar em uma carteirinha. Não bastaria a palavra dela. Tinha que carregar este fardo a vida toda.


Mas o interessante ela dizer que seria difícil dela arrumar marido. Não entendi muito bem se a igreja não a casaria novamente, ou se eram os irmãos que eram preconceituosos pelo fato dela ser divorciada. Não importa a alternativa, ambas as alternativas são bastante severas. A primeira, pelo fato dela ter sido abandonada pelo marido. Ora, ela não mereceria mais ser feliz, ter uma outra chance, visto que foi abandonada? E a segunda, terrível, pois mostra que o cristianismo destes irmãos não os livrou do preconceito, não os ensinou a amar.

Então, ela teve que esperar o antigo marido (que já havia inclusive constituído outra família) morrer para ela poder novamente sonhar em casamento. Ou seja, a morte do marido fujão foi um alívio para ela, não é mesmo? Mas e aí? Seria lícito se alegrar com tal morte? A única chance desta mulher ser feliz seria esperar o ex-marido voltar para ela, mesmo com outra família? E se ela não tivesse notícias do paradeiro do ex-marido? Como ela saberia que finalmente agora era uma viúva divorciada? Aliás, nem para o sistema jurídico brasileiro, nem faz sentido ela ser chamada de viúva, pois já era divorciada; e só pode ostentar tal situação quem estava casada quando da morte do cônjuge, penso.

Bom. A dona Maria teve que carregar um jugo bem pesado durante estes anos, todo este tempo. Mas o que me deixou alegre, é que ela não se mostrou uma mulher amarga, muito pelo contrário. Era muito simpática, sorridente, cheia de vida! Jesus consola e alegra o coração, mesmo daqueles que, injustamente, carregam um jugo que talvez tenha sido imposto, não por Jesus, mas pelos homens. Espero que ela consiga o tão almejado companheiro.

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