segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

TEOLOGIA: ETMOLOGIA, ORIGEM HISTÓRICA E TEOLOGIA NATURAL

estudos acerca de teologia

O significado do termo teologia pode ser descrito na seguinte fórmula: Theo (Deus) + Logia (verbo, discurso, palavra) = Deus + discurso (Discurso acerca de Deus). Cuidam-se de termos gregos.


Vide também:


Origem histórica da palavra: Grécia antiga. Poetas gregos como Homero (Ilíada) e Hesíodo (Teogonia) eram considerados teólogos, pois discursavam acerca de Deus. Era uma religião politeísta, em que, de modo geral, os deuses expressavam os mesmos vícios que os seres humanos. Também controlavam determinados aspectos da natureza (Hiperión controlava o sol); ou psicológicos (Afrodite era a deusa do amor); alguns deuses eram considerados superiores (Zeus), e não eram onipotentes. Às vezes, eles se dividiam para apoiar diferentes lados de uma guerra entre os seres humanos. Apesar de imortais, não eram onipotentes. Muitos consideram que tais deuses, na verdade, eram projeções humanas sobre tais divindades, sendo que estas apresentavam os mesmos vícios que os seres humanos. Uma curiosidade: quando o Apóstolo Paulo fez seu discurso em Atenas, ele fez uma citação de poetas gregos (Atos 17.28), se bem, que no caso, o apóstolo dos gentios cita gregos monoteístas. De certa forma, isso mostra o apoio que se busca nos gregos na inicial reflexão teológica cristã, ao menos como ponte para comunicar a mensagem do evangelho.

Entretanto, alguns filósofos gregos começaram a criticar tal teologia. Xenófanes rebateu a possibilidade dos deuses terem os mesmos vícios que os seres humanos.

Platão, ao que tudo parece indicar, foi o primeiro a utilizar o termo “teologia” para caracterizar um discurso racional acerca de Deus (A República), rejeitou o politeísmo grego, sendo que para ele, Deus era a idéia do bem, de quem emanava a perfeição em todo o universo. Acreditava também na idéia de reminiscência (lembrança), ou seja, de que a alma já existia antes de vivermos neste mundo, daí, podemos ter lembranças do mundo anterior. O platonismo influenciou boa parte do pensamento cristão da idade média, e a alguns teólogos como Orígenes e Santo Agostinho.

Aristóteles também rejeitou a idéia de um politeísmo, e desenvolveu a idéia de que Deus é o primeiro motor do universo, a primeira causa não causada, e seus argumentos auxiliaram a Tomás de Aquino a fazer suas famosas teses, ou argumentações racionais acerca da existência de Deus. Principalmente por conta do pensamento de Aristóteles, Deus era visto com suas clássicas características (onipotente, onipresente, onisciente), mas principalmente impassível (sem paixões), o que dificultou para muitos filósofos/teólogos aceitarem a doutrina da divindade de Jesus.

A apropriação cristã do termo teologia: teologia não é uma palavra encontrada nas Escrituras Sagradas, ou seja, na Bíblia cristã. Entretanto, não podemos nos esquecer que o pensamento cristão se desenvolve no contexto cultural grego (todo o novo testamento é escrito nesta língua). Não demorou, e os chamados “pais da igreja” começaram a pensar a sua fé, inclusive, defendendo-a dos ataques que sofria, seja da população local, mas principalmente do Estado ou de outras religiões. Assim a teologia foi se desenvolvendo como a principal ciência da igreja e da religião cristã. Era uma forma de falar acerca do Evangelho com os instrumentos da filosofia. Associe-se isso ao fato de que muitos pensadores antigos como Orígenes e Justino Mártir, também chamado de apologistas, enxergaram em filósofos como Platão e Aristóteles um tipo de precursores, ou profetas, entres os povos gregos, que mesmo sem saberem, prepararam a mente daqueles povos para receberem o evangelho. Justino chegou a dizer que “onde está a verdade, ela pertence aos cristãos”, conceito este que foi reafirmado muito tempo depois por João Calvino.

O que torna a Teologia possível: entendemos que é aquilo que os teólogos chamam de “Revelação Geral”, ou seja, seriam como “pistas” da existência e dos atributos de Deus e de sua lei moral, deixadas na natureza (incluída aqui o próprio fato do ser humano ter sido criado à sua imagem e semelhança). Alguns chamam também de “Teologia Natural”. “Revelação Específica” é o fato de Deus, para nós, cristãos, ter se revelado especificamente a um povo e posteriormente por intermédio de seu Filho Jesus e do Espírito Santo, conforme suficientemente demonstrado nas Sagradas Escrituras. Muitos filósofos rejeitam a idéia de uma revelação geral de Deus na natureza, pois rejeitam como inconsistentes quaisquer provas acerca da existência de Deus. A filosofia teológica, por sua vez, não afirma a possibilidade da prova empírica da existência de Deus, mas sim que, pela argumentação racional e lógica, é possível deduzir a existência de um Criador com maior segurança do que a sua não existência.

O Apóstolo Paulo, por exemplo, reconhece que Deus se revelou entre os povos, a ponto de dizer que estes são indesculpáveis por serem idólatras (ler Romanos 1.18-23). O argumento é relativamente simples. O inferior não pode ser adorado pelo superior, conforme já argumentavam os profetas. É irracional que um “deus”, cuja existência dependa das mãos humanas, seja adorado pelos homens. Neste sentido, Paulo também ressalta que mesmo os povos, não tendo lei, podem agir, pela natureza, conforme os ditames da lei moral (ler Romanos 2.14-15). Ou seja, pela vida, pela experiência, pela vivência, é possível deduzir que não se deve fazer ao próximo o que não se quer que seja feito a nós mesmos. Isso é racional, natural, e independe de uma revelação sobrenatural, sendo que o motivo de descontentação entre os povos em toda a historia seria a violação de tal regra. Podemos dizer então que, pela chamada “Revelação Geral” ou “Natural”, ninguém tem desculpa para ser idólatra ou por não tratar o próximo da mesma forma como gostaria de ser tratado.



BIBLIOGRAFIA INDICADA:



BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. Campinas: Luz para o Caminho, 1990.

DUNN, James. D. G. A teologia do apóstolo Paulo. São Paulo: Paulos, 2003.

LANGSTON, A. B. Esboço de Teologia Sistemática. Rio de Janeiro: Juerp, 1991.

LEWIS, C. S. Cristianismo Puro e Simples. São Paulo: ABU, 1979.

OLSON, Roger. História da Teologia Cristã. São Paulo: Vida Nova, 2001.

McGRATH, Alister. Teologia – Sistemática, histórica e filosófica. São Paulo: Shedd, 2005.

PACKER, J. I. O Conhecimento de Deus. São Paulo: Mundo Cristão, 1980.

ROLDÁN, Alberto Fernando. PARA QUE SERVE A TEOLOGIA – Método – História – Pós-modernidade. Curitiba: Descoberta, 2000.

TILLICH, Paul. Teologia Sistemática. São Paulo: Paulinas; (São Leopoldo, RS): Sinodal, 1987.

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