quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

As firmes resoluções de Jonathan Edwards



Acabei de ler a obra “As firmes resoluções de Jonathan Edwards”, de Steven J. Lawson, da Editora Fiel.
Consegui este exemplar diretamente do Reverendo Augustus Nicodemus, um campeão do calvinismo por estas terras, sendo esta, umas das obras que ele gentilmente doou para a Escola de Servos Líderes. Não perdi a oportunidade, e li o livro.
O livro é muito bom, em uma linguagem bastante acessível, além de bastante inspirador para vivermos as virtudes nele expressas.
As resoluções de Jonathan Edwards são propósitos, em diversas áreas da vida cristã, em que ele se comprometia a tentar viver, da melhor forma possível. São diversos temas relativos à prática cristã, em um total de setenta resoluções, feitas ainda no início do ministério de Edwards. O livro de Lawson tenta sistematizar algumas das resoluções por temas, entre estes, a de buscar a glória de Deus acima de tudo, abandonar o pecado, fazer todas as coisas pensando na eternidade, a busca por uma vida disciplinada, a prática do amor e a postura do auto-exame. A parte inicial do livro traz uma bela biografia do grande teólogo calvinista.
Uma das coisas que me chamou bastante a atenção é o fato de, como em alguns momentos, as resoluções de Edwards se parecem com a espiritualidade medieval de alguns antigos padres (é, pois é, eu também leio os padres, para estranheza de alguns alunos meus). Se você ler, por exemplo, o livro de Anselm Grun, “O céu começa em você”, ou ainda, ler a obra “Imitação de Cristo”, de Tomas de Kempis, poderá comprovar tal similitude. Há algo na espiritualidade calvinista e puritana, em minha opinião, que continua um pouco da ascética e disciplina medievais, tão somente transportando-as para a vida cotidiana.
Uma destas resoluções, muito viva nos antigos padres, era fazer com que o pecado alheio fosse uma forma de meditar nos próprios pecados. Trata-se da oitava resolução:
“Resolvi agir e falar, em todas as circunstâncias, como se ninguém fosse tão vil quanto eu, e como se tivesse cometido os mesmos pecados ou tivesse as mesmas fraquezas e defeitos das outras pessoas. Resolvi que deixarei que o conhecimento dos defeitos delas contribua apenas para que eu me envergonhe de mim mesmo e me permita uma ocasião para confessar os meus próprios pecados e minha miséria a Deus”.
Havia um antigo dito medieval em que seu autor, quando vislumbrasse um pecado no seu irmão, diria a si mesmo e a Deus: “Perdoa-me Senhor, porque pequei”.
Outra resolução, cuja característica era bastante celebrada nos antigos padres era manter a morte constantemente “diante dos olhos”, como no caso da nona resolução de Edwards:
“Resolvi meditar bastante, em todas as ocasiões, sobre minha própria morte e sobre as circunstâncias comuns relacionadas à morte”.
O monge era constantemente convidado a meditar na sua própria morte, a fim de buscar viver uma vida significativa, valorizando-a, e valorizando o momento, não o desperdiçando com nada que não fosse importante, sendo este um tema também das resoluções de Edwards. Ah, o livro de Lawson traz um anexo com as setenta resoluções.
Enfim, Edwards foi um teólogo calvinista de grande envergadura; talvez, um dos cristãos mais influentes dos reformados norte-americanos. É uma obra que vale ser lida, juntamente com todas as resoluções, para nos inspirarmos também à prática de vida disciplinada e voltada completamente para a glória de Deus. Entretanto, algo que eu senti um pouco de falta, como geralmente em obras sobre este tema, é um pouco da ausência de uma espiritualidade mais voltada para o próximo, para a ação e justiça social, por exemplo. Não que tal tema esteja completamente ausente; entretanto, preocupa-me um pouco o fato de que uma radical atenção para as auto-disciplinas possam ofuscar, se não tomarmos cuidado, um pouco a nossa atenção para com o próximo. Daí, é preciso sempre "balancear" um pouco tais obras com um pouco de Francisco de Assis e Albert Schweitzer, talvez...

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