sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O cristianismo de Tolstoi (2)



(a postagem anterior pode ser lida aqui).

TESE 1: A doutrina da não resistência ao mal com a violência tem sido ensinada pela minoria dos homens desde a origem do cristianismo.

Uma das teses do livro "O Reino de Deus está em vós" é a esboçada acima.

Logo no primeiro capítulo de sua obra, Toltoi demonstra que a doutrina da não resistência ao mal com violência, considerada por ele uma doutrina autenticamente cristã, tem sido ensinada pela minoria dos homens em dois mil anos de cristianismo. Chega mesmo a afirmar em outro momento que nós mal sabemos ainda viver e entender o cristianismo (vivacidade, lucidez ou arrogância do nosso escritor?).

Dialogou com diversos grupos de pessoas que sustentavam o mesmo princípio da não reação ao mal com a violência, como os quakers, vários defensores do movimento dos direitos civis nos EUA, vários intelectuais, menonitas, entre muitos outros.

Mas que, de modo geral, o cristianismo de "mera aparência" abençoou os governos e governadores, e o princípio violento da existência.

Preconiza que nenhum que se considere cristão deve utilizar nenhum meio de violência em hipótese alguma. Não pode ser policial, não pode ter arma, não pode ser juiz, não pode se alistar no exército, não pode reagir nem à maior violência com violência; antes, deve ser manso, dócil, dar a outra face, perdoador, enfim, tudo o quanto está descrito no sermão do monte.

Conta a história de camponeses russos que, recusando-se ao serviço militar, eram submetidos a humilhações, levados aos padres para serem catequizados e mudassem de idéia, submetidos a trabalhos forçados, etc. Mas advertia que, era impossível ao estado Russo executar alguém por cumprir justamente a doutrina da qual este mesmo Estado julgava ser submisso, qual seja, a doutrina de Cristo! Daí, tanto esforço em se tentar fazer com que tais pessoas mudassem de idéia.

Estará certo Tolstoi ao preconizar que nenhum cristão deve adotar nenhum tipo de método violento? Que mesmo diante de uma ameaça, deva sofrer passivamente, sem reagir com violência?

O que torna tão irresistível o pensamento de Tolstoi nos parece que, de fato, se cada ser humano deste planeta abandonasse quaisquer métodos violentos, toda sorte de desgraças cessariam neste nosso mundo tão sofrido.

É por isso então que Tolstoi chega a conclusão que existiram tão poucos cristãos de fato?

Mas poderia uma sociedade, de fato, existir segundo tal estilo preconizado pelo celebrado escritor russo?

Se isto é tão evidente, porque é tão pouco difundido em nossas igrejas?

E porque não parece existir nenhuma ordem clara nas Escrituras que tenha determinado que, todos os que fossem soldados, abandonassem tal profissão (João Batista, Jesus, Pedro, Paulo, os demais apóstolos tiveram contatos com vários soldados, segundo o Novo Testamento).

(vale lembrar que Tolstoi não tem compromisso com nenhuma doutrina de infabilidade das Escrituras, mas sim com as palavras de Jesus no sermão do monte).

Tolstoi, que anteriormente fora soldado, desejava ardentemente que a espada se convertesse em instrumentos para arar a terra, que a criança voltasse a brincar com o animal selvagem, e que o povo de Deus fosse realmente aquele em que não houvesse nem judeu, nem grego, nem escravo, nem senhor, nem homem e nem mulher.


A próxima postagem acerca de Tolstoi pode ser lida aqui.

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