sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O cristianismo de Tolstoi (1)


Eis que surge em minhas mãos a obra "O Reino de Deus está em Vós", de Leon Tolstoi.

Para quem não sabe, este russo, que viveu no final do século XIX, foi um dos maiores escritores de seu tempo, com obras como "Anna Karenina" e "Guerra e Paz".

Entretanto, em determinado momento de sua vida, chegou a um momento de iluminação tal que entendeu a si mesmo como um seguidor de Cristo.

Não demorou, e começou a traduzir o cristianismo de acordo com sua própria visão, um tanto quanto radical, dirão alguns.

Ele, a exemplo de um bom protestante liberal, porém, nada burguês, desacreditou de todos os milagres descritos nas Escrituras, bem como desacreditou toda e qualquer organização eclesiástica, chamando-as inclusive de anti-cristãs, principalmente a Igreja Ortodoxa Russa.

E quem acha que ele era um bom comunista (pois estas críticas têm cheiro de esquerdismo), caiu do cavalo, pois, Tolstoi, ao que parece, detestava o socialismo/comunismo, profetizando, inclusive, que se este subisse ao poder, formaria um governo tão mais opressivo e despótico do que o que estava a combater (o que, de fato, ocorreu).

O homem era tão bom que até previu que, no ritmo em que caminhava a Europa de então, logo poderia ocorrer uma guerra de proporções mundiais (isto sim que é profeta).

Tolstoi ainda desacreditava de todos os dogmas da igreja. Dizia que, era impossível seguir o Sermão do Monte e o Concílio de Nicéia. Que era uma decisão crucial, que cada um que se julgasse cristão, optasse por um ou por outro.

Acho que nem é necessário dizer que o Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa Russa o excomungou, e lhe negou inclusive um funeral cristão quando de sua morte.

Mas o que ressalta muito a vista no pensamento de Tolstoi é a insistência que todos devem buscar viver o que diz o sermão do monte (Mateus 5-7), dando destaque muito grande para a doutrina da não resistência ao mal com o mal. Apregoava que, o cristão, é proibido de utilizar-se da violência em qualquer hipótese, seja como ataque, ou mesmo como defesa. Era um pacifista radical, por assim dizer, e lamentava que, todas as instituições ditas cristãs de seu tempo, seja o Estado, seja a Igreja, eram favoráveis à guerra em determinadas circunstâncias.


A próxima postagem pode ser lida aqui.

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