sexta-feira, 7 de agosto de 2015

A imagem feminina de Deus

Uma ONG de mulheres anglicanas defende que Deus não é "ele" nem "ela", conforme você pode ler aqui.

Entretanto, mesmo não sendo "ele" ou "ela", tal associação defende que se utilize (pelo menos de vez em quando) pronomes femininos para Deus.

Realmente, em alguns momentos, há algumas descrições acerca da atuação divina como analogia a "uma galinha que tenta trazer debaixo de suas asas os pintinhos", mesmo diante da rebeldia do povo.

Entretanto, quando Jesus se referiu especificamente a Deus o fez como "Pai" e não como "Mãe". Seria também uma analogia? Seria isso pelo fato de Jesus estar em uma sociedade patriarcal?

E se tal patriarcalismo fosse um paradigma, não poderia ter sido mais um para ser quebrado? Afinal, Jesus quebrou tantos...

Ou será que é pelo fato de, em algum sentido, o masculino acolher o feminino, sendo que ao contrário isso talvez não possa acontecer?

Enfim, são muitos os questionamentos.

De fato, há menção a ações femininas de Deus nas Escrituras, conforme já escrito, mas todas as vezes que se faz menção à sua pessoa, a evocação parece mais masculina (Senhor, Pai, Rei, etc).

Se a revelação de quem entendemos ser Deus se deu neste contexto cultural, e se tal contexto foi utilizado para comunicar algo de Deus, não vejo muita necessidade de se adaptar tal noção para nosso contexto, a não ser que se entenda que a teologia é feita totalmente "de baixo para cima", "da terra para o céu".

Quem entende que a teologia tem origem na transcendência irá resistir a tal mudança. Agora, quem entender o contrário, que o labor teológico é totalmente imanente, ou  seja, tem origem no ser que produz a cultura, provavelmente poderá ser a favor de tais mudanças.

Não vejo como um ato de blasfêmia alguém considerar a Deus como o seu Pai e sua Mãe, isso do ponto de vista devocional, ou mesmo afetivo. E também sabemos que a própria Escritura é categórica em afirmar que Deus é espírito, e que este é desprovido de um corpo, seja feminino ou masculino. Entretanto, não mudaria radicalmente a liturgia do culto, ou a tradução de textos considerados sagrados para atender às demandas culturais de um determinado grupo.

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