quinta-feira, 6 de agosto de 2015

O problema da unidade no protestantismo

Imagem: gospel prime

Algum crente, alguém, qualquer pessoa, algum dia, já se fez a seguinte pergunta: mas por que raios existem tantas igrejas evangélicas neste mundo?

Se alguém verificar as estatísticas verá que somente em 2013 foram abertas 4400 igrejas novas (denominações diferentes) no Brasil. Isso, se levarmos em consideração as que abriram formalmente, senão este número pula para muito mais!

Particularmente, isso ocorre porque, segundo a concepção evangélica, pelo menos institucionalmente uma igreja pode ser "fundada" pela livre associação de algumas pessoas. 

A fórmula é bem simples: onde houver dois ou mais reunidos em nome de Jesus, e onde o evangelho é proclamado e as ordenanças administradas, ali há uma igreja.

A igreja institucional em si não se confunde com a verdadeira igreja, pois esta é invisível, ou seja, não se confunde e nem se limita com nenhuma instituição visível.

Como no protestantismo, em tese, não há sacerdotes (pois o sacerdócio é universal), qualquer grupo de crentes pode se associar e formar uma nova denominação! Simples assim!

Qual é a desvantagem de tal sistema?

Talvez o fato de ser muito difícil ter alguma verdadeira unidade institucional e visível entre os evangélicos. São bastante diversificados, não raras vezes até contradizendo uns aos outros.

Qual a vantagem?

Entre outras, talvez a maior facilidade para se amoldar às diversas demandas do mundo moderno. Há igrejas para todos os gostos e tipos.

Alguns podem se perguntar: porque no catolicismo parece ser diferente?

Por uma questão eclesiológica também.

No catolicismo, a ninguém é dado "fundar" uma nova igreja, pois ela já foi fundada há dois mil anos.

Funciona mais ou menos assim:

Os apóstolos de Cristo ordenaram bispos para continuar liderando a igreja. Estes bispos ordenaram outros bispos, e assim sucessivamente, realizando o que no catolicismo é chamado de sucessão apostólica.

Estes bispos devem ter comunhão com outros bispos também ordenados, e todos eles sob a liderança de um bispo principal, o de Roma.

Se algum destes bispos fugir da comunhão com outros, será um cismático. Se começar a ensinar coisas que foram acertadas em um concílio com outros bispos, será um herege. 

A unidade então, para o catolicismo, pelo menos no plano institucional depende desta comunhão dos bispos, líderes das igrejas locais, entre si. O bispo é o representante da igreja local na igreja universal reunida, e é o representante desta na igreja local.

As igrejas que cumprem tal sistemática atualmente são as igrejas católico romanas, as ortodoxas, e algumas outras que não estão em comunhão formal com as duas primeiras, como a Copta, Etíope, Armênia. 

Ou seja, a história já provou cabalmente que a eclesiologia do tipo católico, que existe desde os tempo patrísticos, logrou maior êxito do que as de tipo protestante, no que se refere a preservar uma unidade institucional.

Logo, talvez a resposta para o questionamento do porque existirem tantas denominações protestantes é o fato do protestantismo ter rejeitado uma eclesiologia mais que milenar e não ter encontrado outra que lhe fizesse frente.

Por isso, é praticamente impossível vislumbrar algum tipo de unidade visível entre os evangélicos. Tal unidade não existe, e provavelmente nunca existirá.

Para minimizar tal problemática, talvez algumas atitudes sejam recomendáveis:

1 - Um retorno ao diálogo amigável entre denominações que já romperam. Por exemplo, batistas dialogarem com outros batistas, assembleianos com assembleianos, presbiterianos com presbiterianos, metodistas com metodistas, e assim sucessivamente. Caso fossem sanados os problemas de divisões dentro das próprias denominações, estaríamos dando um passo significativo em busca da unidade.

2 - Um diálogo amistoso entre denominações diferentes visando uma plena comunhão. Tal fato tem ocorrido entre algumas denominações mais antigas, como por exemplo, o diálogo luterano anglicano, na Inglaterra, África, EUA, e outras localidades. Em alguns locais, já compartilham praticamente dos mesmos ministros e locais de culto, ou seja, estão em plena comunhão.

3 - Reduzir em menos itens as crenças fundamentais para uma possível aproximação. Não se deveria fazer "cavalo de batalha" para crenças secundárias". Quais seria essas doutrinas fundamentais? Particularmente, entendo que seriam aquelas restritas aos credos apostólico e niceno, notadamente no que diz à natureza de Deus e suas obras, mais os princípios da reforma, notadamente o da salvação pela fé somente.

Enfim, talvez assim possamos diminuir um pouco estas divisões que entre nós existem.

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