Evangélicos devem apoiar a retirada de imagens religiosas do espaço público?

Vira e mexe surge esta polêmica. Desta vez, há uma campanha de evangélicos querendo tirar uma imagem de Aparecida de uma praça em Goiânia, conforme você pode ler clicando aqui. Segundo o frei entrevistado na reportagem, foi um evangélico que tentou quebrar a imagem de Maria, que depois passou por um processo de restauração.

Caso isso seja verdade, tal pessoa deve ser punida nas formas da lei, pois não se desrespeita assim um simbolo religioso, ainda mais de uma religião que já está aqui há séculos.

Tudo o que eu sei é que este embate religioso, que se dá, em minha opinião, menos pelo zelo religioso do que pela disputa religiosa, acaba por favorecer o discurso de laicistas e ateus, que preferem que nenhuma imagem religiosa exista.

Evangélicos, em um primeiro momento, poderiam até concordar com tais laicistas, e unirem-se a eles para tal fim. Entretanto, penso que caso isso ocorra, estar-se-á contribuindo para um adiantamento da perca da memória cultural cristã em nosso país.

Explico.

Hoje, quando um evangélico fala de Jesus em algum local do país, ele não precisa ficar perdendo tempo explicando muito que Jesus era judeu, que nasceu de uma virgem, que crê em uma Trindade, etc. O evangélico pode começar uma pregação até em contraponto às imagens que existem nas cidades, grandes templos, etc. Ou seja, sua pregação se fundamenta em um substrato cultural cristão do país por conta do catolicismo romano. De certa forma, os evangélicos cresceram muito em contraponto à mencionada religião.

Retiradas todas as imagens, pela união de evangélicos, laicistas e ateus (vejam que, membros de outras religiões não se incomodam com tais símbolos) acelera-se o processo de secularização da sociedade, que poderá, com o passar do tempo, voltar-se, desculpem a redundância, contra os próprios evangélicos (se é que isso já não está ocorrendo).

Desta forma, creio que a unidade dos evangélicos não deveria existir em contraponto aos símbolos da Igreja Católica, e sou obrigado a concordar com um dos entrevistados, de que há coisas mais importante a fazer, como lutar pela justiça, pelos necessitados, e até mesmo pela proclamação do evangelho. Se a retirada de tal símbolo viesse da cidade algum dia, que seja por um processo natural de tomada de outros símbolos, mas não, creio respeitosamente, por este tipo de embate. Ninguém deve quebrar o símbolo religioso de ninguém. Se isso tiver que ocorrer, que seja pelas mãos de seu próprio e antigo dono...

Comentários

  1. Parabéns, que Deus continue te agraciando com tanta sabedoria. Acredito que temos o direito imposto por Deus de ter a liberdade de pensar, de acreditar, de fazermos o que quisermos de nossas vidas, mas todos sabemos que a nossa hora chegará de ser julgado, e não será os "justos" mas sim o nosso Senhor. Um abraço, adoro seu blogue.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Romuel!
      Muito obrigado pelo comentário, e obrigado pela sua visita por aqui!
      Espero continuar contando com seu apoio e suas orações!
      Grande abraço!

      Excluir

Postar um comentário

Mais visitadas do mês

Manaém, o colaço de Herodes

Aprendendo com os erros do Rei Amazias

Os discípulos ocultos de Jesus

Resenha da obra "Ego Transformado", de Tim Keller

E não endureçais os vossos corações (Hebreus 3.7-13)

Acolhei ao que é débil na fé - uma reflexão sobre romanos 14.1

Panorama do Novo Testamento: O Evangelho de João

Considerações acerca das bem-aventuranças

Panorama do Novo Testamento: Atos dos Apóstolos

As características do ministério de Cristo