sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Uma fé que rompe barreiras: o exemplo de William J. Saymour

A fé perseverante de William J. Saymour


"Eis-me aqui, envia-me a mim". (Is 6.8b)

William J. Saymour nasceu em 1870, no sul dos EUA, em uma época e próximo a localidades em que imperava o racismo branco, protagonizado violentamente pela Ku Klux Klan. Ele viu de perto toda a violência que era praticada contra nos negros dos arredores, desde linchamentos a assassinatos. 

Sua vida, como a de qualquer negro naquele tempo, foi cercada de dificuldades. Desde cedo, ele teve que trabalhar muito, mas esforçava-se para tentar estudar sozinho. Logo cedo, despertou-se para a espiritualidade cristã.

O que acho tremendamente interessante na história dos negros protestantes norte americanos é que eles absorveram a religião que também era do branco racista e opressor. Isso mostra que, o evangelho é facilmente destacável do exemplo histórico daqueles que o desonram. Os negros, inspirados na história da libertação do povo de Israel da escravidão do Egito, absorveram para si, transformaram e melhoraram a fé naqueles dias. Souberam separar o joio do trigo.

Saymour, na sua juventude, poderia ter procurado uma igreja só de negros para se firmar. Teria sido o natural a ser feito. Entretanto, ele preferiu ir para uma igreja de liderança branca (Igreja Metodista Episcopal, e não a Igreja Metodista Episcopal Africana). Naquele tempo, as igrejas praticavam a segregação racial, ou seja, havia congregações somente de negros, e somente de brancos, e quando se misturavam, negros e brancos não podiam sentar-se juntos. A escolha de Saymour bem pode demonstrar que ele estava disposto a derrubar as fronteiras de raça e cor.

Em determinado momento de sua vida, quando já praticava o pastorado em algumas congregações, e sempre convivendo de perto com a segregação racial, ouviu falar do ministério do evangelista Charles Parham. Dizia-se que havia uma manifestação nova, e sobrenatural do Espírito Santo no ministério deste evangelista.

Saymour soube que Parham ia abrir uma escola bíblica em Houston, e se inscreveu. Ocorre que tal escola também tinha uma prática segregacionista, e não permitia que os alunos negros assistissem aula juntamente com os brancos. Entretanto, Parham já conhecia Saymor, e deixava a porta da sua sala aberta para que Saymour, do lado de fora, pudesse assistir suas aulas.

Todos os pentecostais lembram carinhosamente da história da Rua Azuza, onde se deu inicio o avivamento pentecostal mundial. Saymour participava de um grupo de oração em que, na sua busca, passou a ter experiências muito profundas. Segundo relatos, em determinado momento, foi uma efusão de línguas estranhas, mas que também eram traduzidas para vários idiomas, como o francês, espanhol, grego, latim, hindustani, entre outras, muito parecido com o Pentecostes. Logo, tal grupo cresceu tanto que precisaram alugar um local maior, na famosa Rua Azuza.

E o mais lindo é que, naquele momento histórico, tal experiência carismática quebrou todo segregacionismo norte americano. Na Rua Azuza havia muitos negros, latinos, e brancos também. Gente de todas as raças podiam entrar ali e não se sentir discriminadas. De lá, saíram missionários, publicações, o movimento de fé apostólica, e de certa forma, influenciou o surgimento de duas das maiores denominações pentecostais dos EUA, que foi a Igreja de Deus em Cristo e as Assembleias de Deus.

O que é bonito então na experiência de fé de W. Saymor? Entre outras qualidades, este homem sempre precisou ter uma fé que superasse barreiras. Superou todas as barreiras raciais em busca do que acreditava ser a vontade de Deus para sua vida. Não se deixou abater pelo forte racismo norte americano. Poderia ter dito que aquilo era religião de homem branco e se afastado, se abatido pelo ressentimento. Se submeteu aos ensinos de alguém notadamente segregacionista, como Parham. Entretanto, se humilhou para um fim maior. Submeteu-se a tal segregacionismo, dando sempre a face ao que o feria. Mesmo humilhado, humilhou-se ainda mais. Nunca assumiu um discurso de revanchismo em sua vida, pois esta transpirava amor. Nunca teve uma atitude de autocompaixão, ou autocomiseração. Se continuássemos meditando em sua história, veríamos que morreu com um verdadeiro mártir, traído por muitos daqueles que um dia o acompanharam.

Atualmente, o movimento carismático se espalhou pelo mundo inteiro. É a maior fé, já na América Latina e África, e em constante crescimento no mundo (não isenta de críticas, é verdade). A maior quantidade de líderes negros e de mulheres, no Brasil, estão nas igrejas pentecostais. Influenciou mesmo a Igreja Católica, e com vistas a crescer. Deus usou as coisas loucas do mundo para confundir as sábias. Um homem negro, com pouca instrução formal, de aparência não tão bonita, mas que influenciou decisivamente na história do cristianismo a partir do início do sec. XX. Uma fé que rompeu barreiras.

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