Tiago, Pedro, a teologia do processo e a soberania divina

O primeiro apóstolo a ser martirizado foi Tiago, irmão de João (Atos 12.1). Foi passado ao fio da espada, por determinação de Herodes.

Segundo o autor de Atos, em uma clara intenção de agradar os judeus, o governante mandou também prender a Pedro.

Entretanto, o príncipe dos apóstolos teve um destino diferente. Ele foi liberto miraculosamente por um anjo (Atos 12.9). Ele estava preso, sob vigilância de alguns soldados. Depois, pela manhã, estes são executados, tendo em vista que Pedro fugiu.

Alguém poderia perguntar: mas por que Deus libertou Pedro e não a Tiago?

E o que dizer dos soldados que foram mortos, mesmo não tendo culpa alguma da fuga de Pedro? Não é injusto que eles morressem dessa forma?

São perguntas pertinentes.

Há algum tempo, estão surgindo teologias no sentido de que o Senhor não pode agir nesse mundo de forma sobrenatural, pois isso seria favorecer alguém e não a outro, demonstrando uma espécie de acepção de pessoas.

Talvez a mais pertinente teologia que declare algo assim seja a "teologia do processo".

Para os teólogos do processo, Deus não age no mundo, a não ser para inspirar os homens a serem melhores. Deus não conhece o futuro., a não ser suas possibilidades. Deus não tem nenhum poder para agir neste mundo miraculosamente, e só usa de persuação.

É uma tentativa de fazer a teologia ser mais aceitável à mentalidade homem moderno. 

Pois bem.

Com base em tais ideias, chego a algumas conclusões.

1 - Se alguém quiser preservar a concepção de que as Escrituras Sagradas são de fato relatos históricos, terá que aceitar a ideia de que Deus é soberano em algumas oportunidades para fazer o que bem entender. Ele libertou Pedro, mas deixou Tiago morrer, e ponto. E isso não significa injustiça da parte de Deus, embora em um primeiro momento possa nos parecer estranho. Segundo uma concepção tradicional, se Deus aplicar radicalmente sua justiça, homem nenhum estaria vivo. Se estamos, é por misericórdia.

2 - Se alguém quiser acreditar que Deus não interfere diretamente no curso das coisas deste mundo, não irá mais aceitar como relato histórico narrativas como essas, em que Deus liberta um dos seus apóstolos, mas deixa outro morrer. Seria somente uma narrativa mitológica. Os acontecimentos seguiram cursos naturais, como qualquer outro, determinados pela liberdade do homem agir neste mundo.

No segundo caso, o teólogo do processo e similares terão que abandonar quase tudo das Escrituras que relatem algo sobrenatural da parte de Deus.

Isso porque, nas Escrituras, Deus escolheu um homem entre milhares para ser o patriarca de seu povo. Um povo entre centenas para dar sua lei e levantar seu Messias. Elias foi enviado a uma viúva estrangeira, e não a tantas outras da casa de Israel. Eliseu também curou da lepra um sírio, e mais nenhum outro em Israel. No relato de Jesus no poço de Betesda não parece que Jesus tenha curado a totalidade dos enfermos. E assim por diante.

E, de fato, muitos têm relativizado grandes porções dos relatos das Escrituras a fim de preservarem somente o que entendem se os grandes valores éticos do evangelho.

E então? O que vale a pena procurar preservar? Uma concepção mais tradicional de Deus e das Sagradas Escrituras? Ou vale a pena se aventurar em novas teologias ainda que isso signifique sacrificar entendimentos seculares acerca da teologia?


Tiago, Pedro, a teologia do processo e a soberania divina
São Tiago


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