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Mostrando postagens com o rótulo Reflexões

Tiago, Pedro, a teologia do processo e a soberania divina

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O primeiro apóstolo a ser martirizado foi Tiago, irmão de João (Atos 12.1). Foi passado ao fio da espada, por determinação de Herodes. Segundo o autor de Atos, em uma clara intenção de agradar os judeus, o governante mandou também prender a Pedro. Entretanto, o príncipe dos apóstolos teve um destino diferente. Ele foi liberto miraculosamente por um anjo (Atos 12.9). Ele estava preso, sob vigilância de alguns soldados. Depois, pela manhã, estes são executados, tendo em vista que Pedro fugiu. Alguém poderia perguntar: mas por que Deus libertou Pedro e não a Tiago? E o que dizer dos soldados que foram mortos, mesmo não tendo culpa alguma da fuga de Pedro? Não é injusto que eles morressem dessa forma? São perguntas pertinentes. Há algum tempo, estão surgindo teologias no sentido de que o Senhor não pode agir nesse mundo de forma sobrenatural, pois isso seria favorecer alguém e não a outro, demonstrando uma espécie de acepção de pessoas. Talvez a mais pertinente teologia que declare algo as...

Graça preciosa X Graça barata no pensamento de Dietrich Bonhoeffer

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Para entendermos a obra de determinado autor, não podemos deixar de considerar um pouco do panorama histórico em que estava inserido. No caso de Dietrich Bonhoeffer, o contexto histórico é de uma Alemanha nazista, em um regime totalitário, e que foi considerado, talvez, o regime mais cruel da história da humanidade, levando-se em consideração que é relativamente recente. Interessante é que em boa parte de seus escritos teológicos, ele não faz referência direta à sua contestação ao nazismo; entretanto, este mesmo autor teve cassada a sua autorização para ensinar na Universidade de Berlim em 1936, justamente quando ensinava os princípios contidos em sua obra Discipulado (publicado no Brasil pela Editora Sinodal). Portanto, nesta obra, escrita sob rígida censura, talvez encontremos um chamado ao combate ao mundo, que, no contexto alemão, se submetia ao nazismo, bem como uma igreja organizada incapaz de exercer qualquer papel benéfico no contexto de então. Bonhoeffer nasceu em 4 de ...

O martírio de um profeta

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“E, enviando logo o executor, mandou que lhe trouxessem a cabeça de João. Ele foi e o decapitou no cárcere” (Marcos 6.27). João Batista era um profeta, anunciado no antigo testamento como aquele que prepararia o caminho do Senhor (vide Isaías 40.3 e Malaquias 3.1). Nascido de uma família sacerdotal, foi no deserto que desenvolveu seu ministério. Após repreender Herodes por estar em um relacionamento conjugal ilícito, foi preso e encarcerado. Herodias, um tipo de Jezabel, o odiava. Mas não podia mata-lo, pois o seu “marido”, ainda que perverso, nutria algum tipo de simpatia para com João, e o escutava de boa mente. Entretanto, por conta de uma palavra mal pensada de Herodes, aquela mulher teve sua tão aguardada chance. O tetrarca da Galileia deu uma festa em comemoração ao seu aniversário. Chamou seus convivas. Houve um banquete. A filha de Herodias, que Flávio Josefo nos diz ser Salomé, realizou uma dança erótica que muito agradou o aniversariante. Herodes impens...

Porque Jesus disse que santificava a si mesmo?

"E a favor deles eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade" (João 17.19). S antificação é um processo pelo qual vamos nos tornando mais parecidos com Deus. Algo que se inicia nesta vida, e que provavelmente continuará para sempre. O significado mais imediato de santidade é "separação", e denota a essência daquele que se separou de todo o mal e se abriu para o Pai de todas as luzes.   O curioso é que Jesus disse, em sua oração, que se santificava a si próprio. Curioso porque ele já é o santo por excelência. Nele não há trevas alguma, e o príncipe deste mundo, nada tem nele. Ele já era, é, e sempre será perfeito. O que significa Jesus dizer que precisava se santificar?   Acredito que podemos tentar entender esta declaração de Jesus por dois aspectos.   O primeiro, é entender sua declaração à luz da encarnação. As Escrituras nos afirmam que o Verbo se fez carne e habitou entre nós. Ou seja, a identificação de Cristo...

O cristão e a greve

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  Tendo em vista tantas manifestações grevistas ocorrendo atualmente, alguém me perguntou se é lícito a um cristão participar de greves, como, por exemplo, no caso dos metroviários que está ocorrendo neste momento em São Paulo.   Sinceramente, não creio que existe uma resposta absoluta para tal questionamento. Cada caso deverá ser avaliado individualmente. Alguns entendem que, ainda que por analogia, a recusa do povo de Israel em continuar trabalhando para Faraó de algum modo poderia servir como inspiração para as paralisações. Outros, dizem que isso é forçar a barra.   Creio que um cristão tem o direito de se rebelar contra atitudes abusivas, injustas, escravagistas, discriminatórias, ou coisa do tipo, ainda que o deva fazer de forma pacífica. Creio que o cristão pode e deve participar de passeatas, manifestações, ou coisas do tipo, quando, conforme sua consciência, e em confrontação com a Palavra de Deus, sejam causas justas ...

O ensino de Jesus sobre riqueza e pobreza.

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S erá que aquilo que os cristãos pensam acerca de riqueza e pobreza tem a ver com aquilo que Cristo realmente ensinou? Senão vejamos. Jesus ensinou que ninguém pode servir a Deus e ao dinheiro: Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom. Mateus 6:24 .  Nesta perspectiva todo aquele que se dedicar a ganhar muito dinheiro estará desprezando a Deus. Jesus disse que é loucura buscar ter muitos bens neste mundo mas não ser rico para com Deus: E propôs-lhe uma parábola, dizendo: A herdade de um homem rico tinha produzido com abundância; E arrazoava ele entre si, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos.  E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens;  E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa,...

O "Deus do Antigo" e o "Deus do Novo" Testamento

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S éculos depois de Marcião (meste considerado herege pela igreja primitiva) ainda há muitos que entendem que o Deus do Antigo Testamento é um Deus mau, ruim, diferente, segundo eles, do Deus de amor preconizado por Jesus. Isso porque houve ocasiões em que Deus, no Antigo Testamento, matou, executou coisas, segundo eles, tenebrosas para um Deus de amor, por  isso, rejeitam este "Deus judeu". Particularmente, entendo que, nem a história da Igreja, nem uma análise das próprias Escrituras, autorizam este tipo de constatação. Muitos exemplos poderiam ser mencionados. Por exemplo, no livro de Levítico, temos o relato da história de Nadabe e Abiú, que trouxeram fogo estranho para o altar, e por conta disso, foram consumidos por Deus (Levítico 10.1-7). No Novo Testamento, temos o relato da história de Ananias e Safira, que morreram pelo fato de terem mentido ao Espírito Santo (Atos 5.1-11). Ora, mas não se trata do Espírito de amor tão preconizado por Jesus? Sim, certamente,...

As características do ministério de Cristo

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De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. ( Filipenses 2:5-8 ) Q uando o apóstolo Paulo escreveu esta epístola, ele estava na prisão. Sua carta aos filipenses é também conhecida como a "epístola da alegria", tendo em vista o ótimo relacionamento que o apóstolo tinha com aquela comunidade. Ele iria agradecer o apoio que tal igreja estava dando a ele durante a sua prisão. Entretanto, o seu coração pastoral também o levou a dar algumas exortações àquela igreja, por ter tido conhecimento de que havia algumas dissensões na comunidade. O apóstolo dos gentios ensinou então a humildade como a primeira condição de vida em comunidade e solução de conflitos, e argumenta que Jesu...

Santíssima Trindade: modelo de comunidade

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A Comunidade Trinitária é uma pluralidade de pessoas que se amam.

Espiritualidade Intrauterina

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"A ti me entreguei desde o meu nascimento; desde o ventre de minha mãe tu és o meu Deus" (Salmo 22.10). V ocê já parou para pensar neste tema? Há coisas na espiritualidade que são um tanto quanto misteriosas para nós. Um feto pode ter espiritualidade? Segundo o texto que lemos, sim. O salmista reconhece que, mesmo no ventre da mãe dele, ele já tinha um Deus. De algum modo, que nós não entendemos, o salmista já havia se entregado a Deus desde o seu nascimento. Que o ventre de sua mãe já era um pequeno templo, um lugar de oração e comunhão com Deus. Eu sei que muitos poderão dizer que este é um salmo messiânico, e que o texto em si trata de Jesus. Ora, não importa, pois a realidade ai demonstrada não se restringe, nas Escrituras, somente a Jesus. Veja, por exemplo, o texto de Lucas 1.44, que faz referência à  visita que Maria, grávida de Jesus, fez para Isabel, sua prima, quando esta estava grávida de João Batista: "Pois, logo que me c...

Sobre o conhecimento de Deus: Revelação

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"E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem tu enviaste" (João 17.33). A vida eterna é conhecimento. Conhecimento de Deus e de Jesus Cristo. Mas a que tipo de conhecimento se está a referir? Afinal de contas, Jesus não está presente fisicamente em nosso meio, muito menos Deus, o Paí.

495 anos de Reforma Protestante

H á algum tempo, todos os anos faço uma breve reflexão acerca da Reforma Protestante em seu aniversário; e procuro esforçar-me para não ser nem ufanista, nem pessimista demais, tentando fazer uma ponderação equilibrada deste fato, se é que algo assim é possível, quando se narra de dentro da experiência histórica que se quer descrever. Boa parte do cristianismo evangélico hoje, no Brasil, pouco se parece com o cristianismo dos tempos da Reforma. Somos, na maioria, pentecostais ou neopentecostais, arminianos, e temos poucas afinidades práticas, litúrgicas, e até mesmo teológicas, seja com Lutero, Calvino ou Thomas Crammer. A ver o rumo que os menonitas tomaram durante a história, é de se concluir também que pouco temos a ver com Menno Simons. Do cristianismo da reforma, creio que pouca expressividade temos no Brasil. É bem verdade que parece estarmos passando por um tipo de despertamento reformado, com o apoio de diversas igrejas presbiterianas e batistas, realizando alguns im...

Objetos sagrados

Um dia destes estava dando aula sobre o tema “santidade” quando surgiu uma discussão acerca de objetos sagrados, dividindo as opiniões da turma. Sabemos que no Antigo Testamento havia a consagração de objetos para uma utilização santa, que não poderia ser violada de modo algum, sob pena, algumas vezes, da pessoa ser fulminada, como foi no caso dos filhos de Arão. No Novo Testamento, não parece haver muitas referências a tais objetos, e, o protestantismo, por conta do “sola scriptura” e também, pela reação ao catolicismo romano, acabou por reduzir a praticamente zero a existência de algum objeto sagrado que não fosse o próprio ser humano habitado pelo Espírito Santo de Deus. Entretanto, mesmo assim há os que defendem a existência de tais objetos no contexto evangélico. Há jovens, por exemplo, muito piedosos, que consagram seus instrumentos musicais para louvor ao Senhor, fazendo o voto de não tocar com os tais nenhuma música mundana. Acho muito bonita esta consagração, e válid...

Arminianismo e Catolicismo Romano

Seguem abaixo algumas passagens acerca do livro arbítrio nos cânones do Concílio de Trento. 814. Cân. 4. Se alguém disser que o livre arbítrio do homem, movido e excitado por Deus, em nada coopera para se preparar e se dispor a receber a graça da justificação - posto que ele consinta em que Deus o excite e o chame - e que ele não pode discordar, mesmo se quiser, mas se porta como uma coisa inanimada, perfeitamente inativa e meramente passiva - seja excomungado [cfr. n° 797]. 815. Cân. 5. Se alguém disser que o livre arbítrio do homem, depois do pecado de Adão, se perdeu, ou se extinguiu, ou que é coisa só de título, ou antes, titulo sem realidade, e enfim, uma ficção introduzida na Igreja por Satanás - seja excomungado [cfr. n° 793 e 797]. Tais artigos foram elaborados claramente contra a fé reformada. Alguns anos após Calvino, um de seus discípulos, Jacob Armínius negou a doutrina da predestinação dos eleitos, conforme elaborada po seu meste. Há uma substânci...

Tudo aquilo que um ladrão deseja

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  Q uer o cristão prosperidade? O ladrão também quer. Quer o cristão ter bastante para dar aos seus queridos, sustentar os seus filhos, recompensar os seus pais? O ladrão também quer. Quer o cristão uma bela casa, com belos móveis, belos carros, equipamentos de última geração? O ladrão também quer. Quer o cristão ter um guarda-roupa com todas as peças com os quais sonha impressionar os seus pares, sentir-se bem, expressar sua própria personalidade. O ladrão também quer... Enfim, poderíamos ficar aqui indefinidamente fazendo este exercício para verificarmos o quanto nossos desejos se parecem com os desejos de qualquer bandido, de qualquer ladrão... Já escuto os protestos: "Ah, mas o meio que eles utilizam é pernicioso, é desonesto, é fraudulento, violento, mas os nossos não ..." Bom, não nego isso. Claro que os nossos meios de conseguir as coisas são mais dignos... Afinal, não exploramos ninguém através de nossos honestos empregos, não ameaçamos n...

Da leitura devocional das Sagradas Escrituras

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Todo cristão, de qualquer confissão, de qualquer igreja, deveria separar um momento do dia para oração e leitura das Sagradas Escrituras. É o chamado momento devocional, para nós, protestantes, ou “lectio divina”, para os católicos. Independente do nome que se dê, o objetivo é basicamente o mesmo, qual seja, o de aprofundarmos o nosso conhecimento, não somente da Palavra de Deus, mas principalmente do Deus da Palavra, fazendo crescer a nossa comunhão com Ele, transformando nossas vidas e influenciando a vida dos que estiverem ao nosso redor. O momento devocional foi uma das primeiras lições que aprendi no discipulado cristão, e, posso dizer com segurança que, minha vida espiritual se eleva ou decai a medida que faço ou deixo de fazer tal exercício. Deste modo, gostaria de dar umas dicas ou sugestões para aqueles que quiserem aplicar o momento devocional em suas vidas. Ressalto que estou escrevendo principalmente para pessoas que não dispõem de muito tempo para se dedicarem ...