D esde os meus primeiros anos em um seminário, ouvia falar muito mal de Karl Barth. Isto porque, segundo meus mestres, Barth dizia que a Bíblia “contém” a Palavra de Deus, e não que “é” Palavra de Deus. Obviamente, fiquei muito tempo sem ler Barth... Ocorre que, passado um tempo, percebi que é Barth, na verdade, que se mantém fiel ao protestantismo, e não os meus mestres... Isto porque, o mencionado teólogo, no meu entender, nada mais faz do que fazer reverberar os próprios ditos de Lutero, o grande reformador. Lutero entendia que a Palavra de Deus é o próprio Cristo, que habitou entre nós, viveu vida de cruz, morreu por nós e ressuscitou. E as Escrituras disso dão testemunho, apontam para este fato, mas não são o fato em si. E Lutero não acreditava na infabilidade total dos textos bíblicos, tanto é duvidou da inspiração da epístola de Tiago do cânon, de trechos de Hebreus e Apocalipse, além dos livros apócrifos (deuterocanônicos, para os católicos). Karl Barth, no meu sentir, tão...