terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Compreensividade

Assumir nossa própria responsabilidade em processos e acontecimentos desestabilizadores nos ajuda a sermos sábios e compreensivos, e, a partir daí, perdoadores, ainda que tal expediente não sirva, de modo algum, como catalisador para justificar àqueles que também tiveram seu grau de responsabilidade.

A partir daí, a compreensão nos remete à constatação que somos iguais em nulidade e incapacidade auto-salvífica, nos remetendo à mesmíssima condição existencial de necessitados e carentes de graça e misericórdia.

Ou seja, sou tão carente de graça e misericórdia quanto aquele que me machucou, e também, em algum sentido (desde que não vitimado por uma atitude covarde) sou responsável pelo grau de falência que nos desuniu.

Esta constatação me impede de ser juiz de meu próximo, não importa o quanto este tenha me machucado, convidando-me ao silêncio e a não retaliação.

Reconhecer a minha própria fraqueza me torna co-participante dos processos de dor e crescimento de meu próprio irmão, desfazendo-se completamente a auto-presunção de lhe ser um julgador. Só compreendemos absolutamente o outro quando conseguimos nos exercitar a nos colocarmos radicalmente ao seu lado.


Isso é empatia, nada mais. Quanto menos empatia, mais egoísmo, e talvez, fique mais demonstrada a nossa própria patologia.

Muitos hoje não precisam somente de um conselho certeiro tanto quanto de uma escuta atenta. Sem discursos moralistas, sem fórmulas prontas, mas uma tentativa de, juntos, sondarmos uma solução ou uma saída para que possa trazer algum alívio ao outro.

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