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Mostrando postagens com o rótulo Pensamentos

Os crentes e o terreiro

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U m grupo de crentes se reúne para uma vigília. Destas igrejas cujo som, mesmo depois das dez da noite, pode ser ouvido por toda a vizinhança. No meio da vigília eis que surge a ideia: vamos expulsar os demônios deste bairro! Entendem de atravessar a rua e ir em uma casa quase logo a frente, um terreiro. Os crentes se posicionam em frente da propriedade, erguem suas mãos, e começam a proferir palavras de ordem: "fora Satanás, nós te amarramos", "nós te expulsamos", "xuricantalarabás", etc, etc. Uma senhora habita no local. Quase noventa anos. Se sente indignada, passa mal. Tem um ataque cardíaco. Morre no hospital. Alguém disse: a culpa foi do diabo! Qualquer similitude com a realidade, talvez não seja mera coincidência. (...) Não estou aqui a discutir acontecimentos, fatos reais ou não, versões bem ou mal contadas. Digo que já tomei conhecimento de atitudes parecidas com essa em alguns lugares, por parte de...

Os espíritas vos precederão no reino

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E ra uma vez uma casa de recuperação no Estado de São Paulo. Funcionava com grande sacrifício de seu idealizadores. Era grande, alugada, abria suas portas pra gente viciada, moradores de rua, gente necessitada, enfim. Tentava se curar o vício pela fé, pelo esforço pessoal. Casas iguais a esta existiam outras. Funcionavam de portas abertas, tanto para sair, quanto para ficar. Em muitas destas, morava a família de seu idealizadores, e partilhavam uma verdadeira vida comunitária. Alguns dos que nestas casas de repouso se hospedavam recebiam ajuda da família, e ajudavam com os custos. Mas a grande maioria a família já havia abandonado antes de chegarem lá. Ou eles que abandonaram a família, enfim... Em uma destas casas, um de seus líderes era pastor em uma importante denominação. Ele foi em um "culto de missões" em que lhe foi dada a oportunidade de mostrar o seu já conhecido trabalho. Havia umas quinhentas pessoas no culto. Abriram oportunidade para levant...

A tristeza de ter que defender aquilo que parece óbvio

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C onversava com um amigo na hora do meu almoço. Dizia a ele que estou lendo o livro "Herege", Editora Cia. das Letras. Contei um pouco do testemunha da autora da obra. Em resumo, disse que ela morou em Meca. Que ela assistia execuções semanais por conta do desrespeito a "sharia". Que as mulheres eram educadas separadamente dos meninos. Que eles recitavam o Alcorão, e quando erravam ou não falavam com  convicção, apanhavam na boca. Também contei a ele do deslumbramento que a autora sentiu quando foi acolhida como exilada na Holanda. Como ela ficou encantada em ver que não havia execuções públicas. Que crianças não eram educadas com violência. Em saber que as mulheres podiam sair sozinhas de casa, trabalhar, estudar, e que não eram obrigadas a aceitar o espancamento dos seus maridos. Disse acerca da defesa que ela começou a fazer dos valores liberais, e do risco do islamismo aplicado.  Curioso que o meu amigo não pareceu se sentir sensibilizado com a situação sof...

Aliança

E ntre pastores e fiéis não existe um contrato. Existe uma aliança (Henri Nouwen). De fato, se contrato um dentista e ele não me atende como eu gostaria, eu posso dispensá-lo e contratar outro. Assim também com o advogado, o psicólogo, o carpinteiro. Entretanto, com o ministro do evangelho não é assim. Se eu e ele estamos no mesmo ministério, não há uma relação contratual. Não é porque sou dizimista, contribuinte, que o ministro é o meu empregado. Não. Com ele sou aliançado. Assim também, da perspectiva do ministro, se o fiel vai embora, se desliga, começa a dar trabalho, não se pode considerar o contrato como quebrado. Alguém há de permanecer fiel nesta relação, mesmo que o outro se torne infiel, mesmo que o outro se vá. Pois o que existe, não é o contrato, e sim uma aliança. E o desejável é que alianças não sejam facilmente quebradas, embora isso possa ocorrer.

Uma meditação sobre o desapego

Durante muito tempo em minha vida sofri por verificar que a maior parte das coisas não acontece da maneira como gostaria. Tanto esforço, por exemplo, na vida profissional, quando vem alguma decisão, “do alto”, da maneira diametralmente oposta àquilo que considerava o mais correto. Achava que as coisas tinham que acontecer do jeito do que eu queria. Foi quando percebi que um dos maiores (ou o maior) bem que eu possuo sou eu mesmo, aquilo que sou e me tornei com os meus próprios valores. Nada me pertence, a não ser eu mesmo, e olhe lá. Esta frase “nada me pertence” foi realmente libertadora para mim. A empresa que eu trabalho, na verdade, não é minha. As instituições que participo. A vontade dos outros ao meu redor. Nada é meu. Tudo o que posso fazer é dar o melhor de mim, dos meus valores, mas desapegado dos resultados. E de algum modo, quando deixei a vontade de me apoderar das coisas, de algum modo misterioso, elas vieram até mim. Vejo que a maior parte das pessoas adoece...

Lidando com a traição

Um obreiro, um discípulo do Senhor precisa aprender a lidar com a traição. Assim como o seu Senhor foi traído, não espere o seu discípulo que algo parecido não possa ocorrer com ele também. Aconteceu com Paulo, com Policarpo, com diversos apóstolos e missionários da fé cristã. Há um aspecto do caráter cristão que somente aprendemos quando passamos por certos dissabores, e o momento em que mais nos identificamos com Cristo é quando sofremos em silêncio, como ovelhas indo para o matadouro. É quando sofremos injustamente e não revidamos. É quando tínhamos todas as condições de nos vingar, e ainda assim nos aquietamos. Temos o mandamento de nosso Senhor de não revidar, pois a Ele pertence qualquer tipo de vingança. O que fazer com a dor? Colocá-la diante do Senhor. Virar a página. Não ficar remoendo. Desfocar. Nada há de errado também em fazer o ofensor saber que te ofendeu (na verdade, isto também é uma obrigação), embora, nem sempre ele irá admitir ou se arrepender. Se...

E o mundo os odiou

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"Eu lhes tenho dado a sua palavra e o mundo os odiou, porque eles não são do mundo, como eu também não o sou" (João 17.15). O mundo odeia os discípulos de Jesus.

Compreensividade

Assumir nossa própria responsabilidade em processos e acontecimentos desestabilizadores nos ajuda a sermos sábios e compreensivos, e, a partir daí, perdoadores, ainda que tal expediente não sirva, de modo algum, como catalisador para justificar àqueles que também tiveram seu grau de responsabilidade. A partir daí, a compreensão nos remete à constatação que somos iguais em nulidade e incapacidade auto-salvífica, nos remetendo à mesmíssima condição existencial de necessitados e carentes de graça e misericórdia. Ou seja, sou tão carente de graça e misericórdia quanto aquele que me machucou, e também, em algum sentido (desde que não vitimado por uma atitude covarde) sou responsável pelo grau de falência que nos desuniu. Esta constatação me impede de ser juiz de meu próximo, não importa o quanto este tenha me machucado, convidando-me ao silêncio e a não retaliação. Reconhecer a minha própria fraqueza me torna co-participante dos processos de dor e crescimento de meu próprio irmão, desfazen...