Lidando com a traição

Um obreiro, um discípulo do Senhor precisa aprender a lidar com a traição.

Assim como o seu Senhor foi traído, não espere o seu discípulo que algo parecido não possa ocorrer com ele também.

Aconteceu com Paulo, com Policarpo, com diversos apóstolos e missionários da fé cristã.

Há um aspecto do caráter cristão que somente aprendemos quando passamos por certos dissabores, e o momento em que mais nos identificamos com Cristo é quando sofremos em silêncio, como ovelhas indo para o matadouro. É quando sofremos injustamente e não revidamos. É quando tínhamos todas as condições de nos vingar, e ainda assim nos aquietamos. Temos o mandamento de nosso Senhor de não revidar, pois a Ele pertence qualquer tipo de vingança.

O que fazer com a dor? Colocá-la diante do Senhor. Virar a página. Não ficar remoendo. Desfocar. Nada há de errado também em fazer o ofensor saber que te ofendeu (na verdade, isto também é uma obrigação), embora, nem sempre ele irá admitir ou se arrepender. Se possível, também não há nada de errado em buscar fazer com que cesse a ofensa. Se alguém puder fazer cessar a agressão, creio que deverá faze-lo. Uma coisa é fundamental: nunca mendigue o amor de ninguém. Isso iria contra a sua dignidade. É melhor, as vezes, uma separação rápida do que ficar clamando por clemência.
 
Algumas pessoas acham que o sinal máximo de identificação com o Mestre é quando se expressa poder. Mas não é verdade. Há muitos que expressarão poder, seja de profetizar, curar e expulsar demônios mas que não entrarão no Reino. O sofrer injustamente, e sem murmuração, é sim um sinal de identificação, pois nos foi dado não somente o crer, mas também o padecer por ele. Não é fácil, nem nunca será. As lágrimas irão rolar, obviamente, mas o Espírito Santo é consolador. Tão somente se deve atentar para não cair em tentação, e reagir de um modo que o Senhor não reagiria.

Chegará o dia, então, da ressurreição. Em que toda a lágrima e toda a dor será enxugada. Será o raiar de um novo dia. As cicatrizes continuarão ali, para te fazerem lembrar o quanto você sofreu, mas também para te dar uma dimensão da tua vitória.

Comentários

  1. Bom dia Carlos Seino,
    Sempre lembro-me da passagem em que Tiago e João queriam fazer descer fogo do céu para consumir uma comunidade que não quis receber a eles e a Jesus. Cristo os repreende dizendo: "Não sabeis de que espirito sóis".
    É uma grande tentação queremos o poder, a glória, mostrar grandes prodígios, arrasar os "inimigos" mas sem vivermos o calvário e a cruz de Nosso Senhor e sem a noção de que Jesus veio para a salvação e não para a perdição. É muito tentador em tudo queremos ser imitadores de Cristo, menos no calvário e na cruz.
    Obrigada pelos belíssimos e riquíssimos textos com que nos presenteou durante este ano.
    Desejo a você a a sua família um feliz e santo Natal e um ano novo cheio da presença de Deus.
    Paz de Cristo.
    Adriana

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Adriana!
      Como sempre, é muito bom ver seus comentários por aqui!
      Muito obrigado!
      Que possamos sempre olhar para o Calvário.
      Feliz Natal e um ano novo muitíssimo abençoado!
      Carlos

      Excluir

Postar um comentário

Mais visitadas do mês

Manaém, o colaço de Herodes

Aprendendo com os erros do Rei Amazias

Os discípulos ocultos de Jesus

Resenha da obra "Ego Transformado", de Tim Keller

E não endureçais os vossos corações (Hebreus 3.7-13)

Panorama do Novo Testamento: O Evangelho de João

Acolhei ao que é débil na fé - uma reflexão sobre romanos 14.1

FONTES DA TEOLOGIA

Considerações acerca das bem-aventuranças

Quem veio primeiro: A Igreja ou as Escrituras?