quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Os crentes e o terreiro

Um grupo de crentes se reúne para uma vigília.

Destas igrejas cujo som, mesmo depois das dez da noite, pode ser ouvido por toda a vizinhança.

No meio da vigília eis que surge a ideia: vamos expulsar os demônios deste bairro!

Entendem de atravessar a rua e ir em uma casa quase logo a frente, um terreiro.

Os crentes se posicionam em frente da propriedade, erguem suas mãos, e começam a proferir palavras de ordem: "fora Satanás, nós te amarramos", "nós te expulsamos", "xuricantalarabás", etc, etc.

Uma senhora habita no local. Quase noventa anos.

Se sente indignada, passa mal.

Tem um ataque cardíaco.

Morre no hospital.

Alguém disse: a culpa foi do diabo!

Qualquer similitude com a realidade, talvez não seja mera coincidência.

(...)

Não estou aqui a discutir acontecimentos, fatos reais ou não, versões bem ou mal contadas.

Digo que já tomei conhecimento de atitudes parecidas com essa em alguns lugares, por parte de grupos evangélicos.

A questão é: que parte eles não entenderam do "amarás o próximo como a ti mesmo" e "tratá-los á como gostaria de ser tratado"?

Será que gostariam que, em um país islâmico, um bando de muçulmanos fosse em frente de seu templo, e ficassem gritando: "idólatras", "politeístas", "descendentes de porcos" e coisas do tipo?

Respeitar o espaço do outro, a religião alheia, o ser humano em si, que crê ou não, é um mandamento cristão. Jesus disse: "amarás o próximo como a ti mesmo", e não "amarás o próximo igual a ti mesmo".

Que possamos aprender a criar na sociedade um espaço de convivência comum, em que pessoas de religiões e pensamentos diferentes possam viver em paz.


Pixabay

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