segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Secularismo, islamismo e cristianismo europeu

Já tive a oportunidade de visitar alguns retiros para estudos promovidos por teólogos liberais.

Nestes encontros, Bultmann, Tillich, Spong, Freud, Marx, J. A. T. Robinson, Bonhoeffer,  entre outros (que talvez nem possam ser propriamente chamados de liberais), eram celebrados. Entre os intervalos das aulas, alunos e professores se reuniam para fumar um cigarrinho e tomar uma cervejinha.

Claro que nestes encontros, ninguém ensinava que os milagres relatados nas Escrituras eram verdadeiros. Eram somente mitos. E nem milagres nunca existiram. Nascimento virginal, ressurreição física? Nem pensar. A conversão do indivíduo é analisada em seu aspecto psicológico, sociológico. Nunca como um ato de novo nascimento. Um deles sequer acreditava em conversão. Até mesmo a oração parece ser somente um exercício de falar consigo próprio, seu eu interior, ou com o mistério, enfim. De ressaltar que promotores de tais eventos eram inteligentes, educados, atenciosos, entre outras qualidades.

(...)

Acabo de ler uma notícia de que 2800 templos cristãos serão fechados na França. Este é um país bastante conhecido pela sua empreitada secularista na sociedade, proibindo a utilização de cruzes e outros símbolos religiosos em escolas e repartições públicas, tratando neste caso, igualmente, cristãos, judeus e muçulmanos.

Ocorre que não param de abrir mesquitas na França. E o número de muçulmanos somente aumenta. E essa era a tendência bem antes destas questões envolvendo a entrada maciça de imigrantes na Europa por conta das atuais crises na Síria e no Iraque. Na verdade, o terrorismo só prejudicou o islamismo na Europa por conta de todas as repercussões negativas frente a tal religião. Essa era a tendência natural. Muçulmanos têm mais filhos e, ao que parece, levam sua religião mais a sério que os cristãos do velho continente. A previsão é que em pouco tempo, na Bélgica, o número de muçulmanos praticantes irá ultrapassar a de católicos, para ficarmos somente em mais um exemplo.

Realmente eu não sei analisar de quem é a responsabilidade pelo atual estado de coisas. Será uma Europa radicalmente secularizada que recusou reconhecer culturalmente suas raízes religiosas judaico cristãs e que minou o cristianismo europeu ou se foram os próprios clérigos cristãos que se deixaram envolver demasiadamente no espírito secular e demitologizante de teologia contemporânea? Fato é que um certo vazio espiritual do povo europeu (se é que posso dizer assim) parece estar sendo substituído pelo islamismo, e isso, sem a necessidade de nenhum ato de violência (esta, na verdade, só atrapalhou o avanço do Islã na Europa, em minha opinião).

(...)

Um dos pastores liberais que ensinou naqueles congressos que fui, pregou em sua igreja por ocasião da Páscoa. Acerca de uma visão de anjos que a Escritura relata que uma das discípulas de Cristo teve, ele, o pastor, arrematou para sua plateia: “provavelmente não passavam de homens bonitos”. Conheço sua igreja, e, embora o povo seja muito bacana, ela esta cada dia mais vazia. A questão é: será que alguém realmente continuará indo em uma igreja se não acreditar mais em Deus, ou que sua oração seja ouvida por uma divindade, ou que milagres acontecem? Talvez haja exceções, mas e a regra geral?


Bom. Os muçulmanos acreditam em tudo isso, e são eles que provavelmente irão ditar o futuro da religião na Europa.

Pixabay

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