terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Deve existir um local sagrado para os evangélicos?

Recentemente houve uma polêmica em um município de Santarém, referente a realização do carnaval em um local conhecido como “Praça da Bíblia”.

Cuida-se de uma localidade em que aparentemente são realizados cultos evangélicos, e talvez outras atividades que o Conselho de Pastores local denominou de culturais.

Se as publicações que relataram o assunto forem fidedignas, cuida-se de um local em que os evangélicos consideram sagrado, de modo que os pastores locais protestaram contra a realização da festa carnavalesca naquela localidade.

Particularmente, não tenho o condão de desrespeitar eventuais sentimentos das pessoas envolvidas, mormente porque, ao que parece, se entendi direito, o povo evangélico ajudou a reformar a dita praça. Entretanto, não me parece lógico, do ponto de vista do nosso atual modelo jurídico e político, separar um local público e proibir atividades que não sejam de cunho de determinada religião. Existe um sistema jurídico em que entidades privadas, após as devidas providências diante da prefeitura, poderão utilizar do espaço público para fins pacíficos.

Por outro lado, mesmo no aspecto teológico, tenho minhas dúvidas se para o protestantismo determinados lugares podem ser considerados sagrados. O movimento protestante foi um dos mais radicais no que se refere à dessacralização do mundo. Ou seja, não há mais templos sagrados (e sim locais de culto), nem homens sagrados acima de outros (todos são), nem imagens sacras, ou coisas do tipo. Nem a Bíblia Sagrada tem alguma importância enquanto capa de couro e folhas de papel.

Por isso, tentar separar um local público sob essa perspectiva de sua suposta sacralidade me parece carecer de sentido, tanto político quanto teológico, com o devido respeito dos que pensarem ao contrário.


Polêmicas em torno do carnaval a ser realizado na Praça da Bíblia

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