sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Hebreus e muçulmanos mataram em nome de Deus. Há alguma diferença?

Matando e morrendo em nome de Deus

Não sou especialista no assunto, mas enxergo uma certa diferença entre os antigos hebreus, do antigo testamento, e os muçulmanos.

Veja.

Os antigos hebreus também mataram em nome de Deus, conforme podemos ver consultando o antigo testamento.

Foi o que fizeram muitos antigos guerreiros muçulmanos. Mataram em nome de Alá.

Entretanto, há uma diferença.

Os hebreus tinham uma terra especifica. E só. Não era uma religião universalista, no sentido de querer conquistar o mundo inteiro. Em nenhum momento foram imperialistas. Nunca quiseram impor uma teocracia para o mundo todo. Os judeus, em terra estranha, na dispersão, tinham o conceito de que se deveria obedecer a lei local.

Entretanto, para os muçulmanos, a "terra específica" é o mundo inteiro. Eles são ordenados a conquistar o mundo inteiro para Alá. Em princípio, isso deveria ser feito por meio das batalhas (embora não precisasse ser o único método). O islamismo se espalhou rapidamente assim logo no início, e sob liderança de Maomé.

O que é interessante que o islã herdou do antigo testamento essa atitude guerreira, em nome de Deus, e do novo testamento, esse sentido universalista, de ter que se espalhar para o mundo inteiro.
Isso faz do islamismo a maior força revolucionária e religiosa do mundo.

Não existe nenhuma religião assim hoje.

Seus princípios também não são difíceis de serem assimilados. Não há nada das discussões cristãs acerca de hipóstases, substâncias e pluralidade de pessoas em um único Deus. Até mesmo o céu muçulmano é mais sensual, pois a atividade sexual, segundo a interpretação de um expressivo número de muçulmanos, não cessa.

Fato é: provavelmente a maior parte dos muçulmano praticante quer que o islã seja a religião de toda a terra. Ele quer a sharia sendo aplicada para toda a sociedade, mesmo os moderados. Então, não importa o método, se for pela guerra, persuasão, gradual conquista democrática, enfim, tudo no islamismo tende para um estado teocrático. E com isso que lidamos, e não com uma minoria, espiritualista, e inofensiva. Então, se no judaísmo havia o desejo de um estado teocrático, e no cristianismo, um zelo missionário mundial, o islã pegou um pouco de cada. O fundamentalismo do antigo testamento, associado ao sentido missionário, universalista, do cristianismo.

E o islã, salvo melhor juízo, nunca recuou dos locais em que se instaurou. O império romano caiu, e os cristãos continuaram, e se sagraram vencedores. O socialismo soviético caiu, mas a ortodoxia russa continua forte. Mas com o islã não foi assim. O norte da África foi um celeiro de grandes teólogos cristãos. Isso sem falar em Constantinopla, atual Istambul, mas que hoje são locais islamizados.

A questão é: o judaísmo tem uma terra que considera específica. Os cristãos, embora tenham passado por uma fase fundamentalista, deixaram esse passado para trás, até mesmo porque não há nos textos sagrados algo como um "estado cristão". Jesus disse que seu reino não era desse mundo, e só essa frase já produziu uma multidão de cristãos que jamais concordaram com um estado cristianizado. Entretanto, não parece haver no islamismo uma teologia que tenha revogado a ideia de um estado teocrático. Ou seja, o  islã não pode, pelo menos para a maioria, aceitar um estado laico. Outras religiões podem existir, mas sob determinadas condições.

Há uma outra questão importante. Os textos do antigo testamento podem ser teologicamente encarados como para um momento específico. Uma ordem específica para conquistar uma terra específica,  destruir um povo específico. Entretanto, nos textos sagrados muçulmanos há passagens que podem ser interpretadas no sentido de que a guerra é mais abrangente, contra todos os que forem considerados inimigos de Alá.

Enfim, devem existir outras diferenças, mas por enquanto paro por aqui.

Segue abaixo um vídeo, bastante sincero, de alguns muçulmanos que se consideram normais, não extremistas.

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