quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Teologia e Piedade em Hernandes Dias Lopes

A verdade não está nos extremos. Devemos ser crentes tradicionais, apegados às verdades de Deus, de forma irredutível. Os absolutos de Deus são inegociáveis. Não podemos jogar na lata do lixo nossa teologia. Igreja sem doutrina não tem consistência, não tem firmeza, nem fidelidade. Não podemos cortar nossas raízes com o passado. Não podemos colocar no museu a nossa Confissão de Fé. Não podemos jogar fora o rico legado que herdamos dos apóstolos, dos reformadores, dos nossos pais puritanos e de tantos servos fiéis do passado. Não podemos viver como folhas ao vento, sem raiz e sem estabilidade.

Nosso apego à verdade, longe de fazer-nos recuar a uma vida pobre e medíocre, deve impulsionar-nos a uma vida aberta ao Espírito de Deus. Ortodoxia e piedade se complementam. Precisamos de uma teologia com piedade, de ortodoxia com unção. Precisamos de doutrina com avivamento, de conhecimento com profundo poder. Precisamos deixar de lado todo radicalismo extremista e ver o equilíbrio que Jesus revelou em sua vida, pois ele se manifestou cheio de graça e de verdade. Nós também devemos crescer na graça e no conhecimento de Jesus. Devemos conhecer as Escrituras e o poder de Deus. Não podemos ter uma visão estreita, tacanha, bitolada e parcial.

(LOPES, Hernandes Dias. Voando nas alturas. Dez princípios para uma vida bem sucedida. Ed. Candeia. P. 53).

A Teologia, tradicionalmente, sempre foi feita por homens da Igreja, tanto para a proclamação (querigma) ou apologia (defesa) da fé cristã, como para a educação (didaskalia) do povo de Deus.

Infelizmente, no ocidente, parece que em determinado período vimos a cisão entre reflexão teológica e piedade, entre teoria e prática, entre academia e espiritualidade.

Isso, de certa forma, foi fulminante para grandes setores da igreja, notadamente no protestantismo.

Reagindo contra isso, parte do pentecostalismo, em seus primórdios, rejeitou qualquer tentativa de reflexão teológica de forma mais profunda.

E de fato, não precisamos condenar radicalmente tal postura, principalmente quando a academia pareceu não produzir mais pessoas tão interessadas no destino da igreja e da piedade cristã. Ou melhor, era uma teologia para a academia, não para a igreja.

O estudante de teologia precisará sempre, obviamente, de algum distanciamento para o estudo e para a meditação; mas é de bom alvitre que não se afaste da vida de sua igreja, caso contrário, estarão falando línguas incompreensíveis para a maior parte das pessoas simples da eclesia.

Não sou tão favorável a um estudo radical, em que a pessoa se distancie de todo convívio comunitário, em um espaço de quatro ou cinco anos, mas sim em um estudo mais lento, para toda a vida, e em pleno convívio com a comunidade cristã.

É preciso resgatar a noção de que a Santa Teologia é uma serva da Igreja, manejada para o conhecimento de Deus e para a prática da piedade e vida cristã satisfatória. Teologia e prática são inseparáveis, ainda que muitos possam não perceber isso. É triste quando vemos que muitos hoje fazem teologia para enfrentar a igreja, ou completamente desassociada do anúncio do evangelho e do discipulado. Uma teologia meramente especulativa também não traz muitos frutos bons (não que não seja necessário especular algumas vezes). Por outro lado, é uma ilusão achar que não há nenhuma teologia por trás de nossas práticas religiosas. Sempre há um fundamento teórico, ainda que não percebamos.

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