domingo, 19 de setembro de 2010

Sobre evangélico não votar no PT



Eu cresci e vivi boa parte de minha vida em um bairro da periferia de São Paulo. E nunca liguei muito pra política, até mais ou menos uns 18 anos. E pra falar a verdade, nem sei se ligo tanto quanto deveria ligar ainda hoje...

Entretanto, desde moleque, via o pessoal do bairro sempre falar que votar no PT era melhor.

Tinha muita gente que votava no PT. Lembro-me que havia alguns professores da rede municipal, bem como gente que trabalhava na área da saúde, que sempre votava no referido partido, pois dizia que era melhor.

E de modo geral, me parecia que realmente o PT, que naquela época, só ganhava eleição na esfera municipal, governava melhor para os pobres, além de dar aquela impressão de que era um partido mais ético.

Depois, quando me converti, aproximei-me ainda mais de uma visão de esquerda.

Isto porque, os pastores e mestres que aprendi a admirar, eram todos desta visão.

Ricardo Gondim, Ricardo Bitun, Robinson Cavalcanti, Paul Freston, Caio Fábio, Rene Padilha, Ariovaldo Ramos, entre muitos outros.

Então, não me parecia outra alternativa ser socialista, afinal, os mestres que eu mais admirava também o eram...

Algum tempo depois, passei a estudar, mui superficialmente, o que significava ser realmente de esquerda, de direita, etc, etc...

E, realmente, é estudo pra gente grande, pois a confusão não é pequena...

Pode-se estudar do ponto de vista econômico, ético, filosófico, etc...

E não é fácil posicionar-se a respeito...

De qualquer modo, minha vida inteira, de modo geral, votei no PT, não posso negar.

Entretanto, este ano não o farei.

Meu voto irá para Marina Silva, na esfera federal.

Preocupa-me o agigantamento do estado sob o atual governo, entre outras questões.

Acerca do vídeo acima, ele trouxe muitas controvérsias e discussões na internet. E isso é muito bom.

Agora, faço algumas ponderações...

O Pastor começa dizendo que a iniquidade pode tomar uma forma instituicionalizada, através de leis, e que, se assim o for, Deus julgará a nossa nação.

Bom.

Realmente há muita iniquidade institucionalizada, mas agora há uma movimentação maior nos meios evangélicos e católicos por se tratar, entre outras coisas, da questõa homoafetiva.

Realmente, este é um assunto para refletirmos com bastante calma, sem paixões, ponderadamente, havendo necessidade de maior equilíbrio de ambos os lados.

Mas fato é que somos absolutamente alienados em outras formas de iniquidade institucionalizada.

Por exemplo, a Emenda Constitucional 62/00.

Tem gente com precatório para receber há mais de vinte anos!

Os entes políticos, seja federal, estadual ou municipal devem muita gente...

O Estado é mau pagador.

Tem muita gente que morreu sem receber por conta do artigo 33 do ADCT, da Emenda Constitucional 30/00, e agora, corre o risco de ter outra moratória instituída pela EC 62/00...

A terrível má distribuição de renda no Brasil, o fosso que separa o ganho dos mais ricos e dos mais pobres no Brasil é vergonhoso.

Isso é uma iniquidade institucional instaurada neste país desde sempre, e não vejo campanha evangélica contra isso...

Enfim, poderia listar aqui uma infinidade de problemas institucionais, mas, como se tratam dos gays, o pessoal acaba se movimentanto mais, enfim...

Bom, mas já que o assunto da homoafetividade esta no vídeo, faço um breve comentário.

Nunca foi segredo que o PT defendeu este grupo.

Apredi de alguns de meus mestres, entre eles, Ariovaldo Ramos, que, não obstante não concordarmos com a prática homossexual, eles, como cidadãos, têm o direito de ter direitos.

Entretanto, o que me preocupa, é a ingerência do estado em criminalizar todos os que se posicionarem contra a prática homoafetiva.

Uma coisa é eu reconhecer o direito patrimonial de parceiros homoafetivos.

Outra coisa, é, no nível moral e religioso, eu me posicionar a favor ou contra.

E o estado petista acena no sentido de que, aprovada uma lei daquelas, padres, pastores, educadores, etc, jamais poderão se posicionar contrariamente a tal prática.

E, isto, em minha opinião, é uma ingerência muito grande na vida do particular.

Uma vez que a prática homoafetiva é uma questão comportamental, e porque não dizer, cultural de determinados grupos, também tenho o direito de me posicionar contrário a tal prática e cultura.

Então, antes de conceder ou não direitos para tal grupo, tal questão precisa ser muito ponderada....

De qualquer modo, é preciso lembrar que a agenda homoafetiva não é exclusividade do PT; ela está em todos os partidos de expressão nacional, conforme o próprio pastor do vídeo mencionou.

Não me parece que no PT haja algum projeto de lei visando legalizar a pedofilia. Um vídeo desses acaba sendo associado à imagem do PT, uma vez que há recomenação clara do pastor para não votar em tal partido. Mas, pelo menos no presente momento, me parece desonesto e impreciso fazer tal associação.

Também no que tange à pornografia. Ela existe e esta aí, antes do PT, salvo melhor juízo.

No que tange a questão do divórcio institucionalizado, ele está ai desde 1977. O que a lei no direito de família tem feito foi tão somente se adaptar a realidade, salvo melhor juízo. A lei, neste aspecto, penso, tem seguido o costume, e não ao contrário. Não sei como associar ao PT (ou somente o PT) tal coisa. O debate acerca de que até que ponto, nós, como cristãos e cidadãos devemos contar com o apoio da lei a fim de se cumprir, de forma heterônoma, aquilo que Jesus nos ensina a fazer de forma autônoma, é muito mais profundo, e não vem ao caso, no presente momento.

Daí, a associação destas questões familiares com o PT, no meu entender, carecem de sentido.

Acho que esta ponderação vale também para a questão da violência familiar.

O que eu vejo é um pastor passando um vídeo com questões terríveis, que realmente merecem a reprovaçao de todo cristão, mas que associa a "não votar no PT...

Em relação a questão indígena, acho que ela é maior do que a questão do PT em si, mas corresponde a uma visão antropológica de que não devemos intervir em sua cultura, por pior que ela seja. Discordo totalmente de tal ponto de vista, pois sou favorável, como cristão, a divulgação do evangelho a todos os povos, desde que os missionários respeitem a cultura. Há questões na cultura que o evangelho corrobora, e há outras que o evangelho combate, seja em uma cultura urbana ou indígena. Fato é que, como temos um histórico no Brasil em que tais comunidades foram desrespeitadas, hoje, comete-se um exagero no sentido inverso. Entretanto, como vivemos em um unico país, as mesmas garantias constitucionais para todos os cidadãos deve valer também para os indígenas, entre elas, a liberdade de optarem por uma nova religião, se assim o quiserem, bem como de que suas criança sejam protegidas de tradições antigas que as matam. Mas não penso que podemos associar absolutamente a imagem do PT com a proteção dos aspectos culturais dos indígenas, bem como com a absoluta não intervenção. Penso que não são somente políticos do PT que pensam assim, enfim. Sinceramente, careço de informações neste sentido.

Em relação à questão do aborto, sou totalmente desfavorável, e, como cristãos, devemos ficar atentos a questão. Assisti uma reportagem em que Dilma afirmava que era favorável pessoalmente à manutenção da atual legislaçáo (ou seja, sem alteração nenhuma), e isso, em uma palestra para um grupo feminista. Não sei se ela disse isso por saber que o déficit político seria muito maior do que defender tal coisa em público (há mais evangélicos e católicos, ainda, do que feministas radicais, por enquanto). Novamente, aqui, é preciso saber se realmente vale a questão afirmada pelo Pastor, em que nenhum político do PT possa discordar, caso seja votado.

O que precisamos atentar no vídeo é que ele nos mostra coisas terríveis, que, os critãos devem se posicionar contrariamente, e devem mesmo. O pastor disse que tudo o que passou por lá existe em projeto de lei... E a associação de todas estas coisas terríveis com o PT, penso, como já disse, um tanto quanto impreciso.

O pastor do vídeo é alquém de reconhecida reputação e honestidade no meio evangélico, pelo que pude perceber. Diz ainda que a informação de que políticos do PT não podem votar contra o aborto veio da CNBB, da Igreja Católica. Sua autoridade moral, em algum sentido, dá crédito em relação às suas palavras. Se a CNBB está combatendo, é porque deve haver alguma expressão de verdade, afinal, penso que alguns padres e bispos da Igreja Católica têm grande responsabilidade na vitória do PT. Talvez o mesmo racioncíno vale para a questão da homoafetividade. Agora, pedofilia, infanticídio, violência doméstica, pornografia, divórcio, união estável, são coisas que, penso, não podem ser associadas com o PT com se fossem a mesma coisa.

Bom.

Acho que é comum os partidos desejarem que seus políticos votem todos da mesma maneira uma determinada questão (afinal, por isso estão no mesmo partido). Mas se não puderem discordar de um ou outro ponto por questão de consciência, aí a coisa complica. O que falta é informação acerca dos projetos de lei que cada partido quer votar. Falta transparência. Falta verdade. Como a democracia é um processo quase mercadológico, se procura ganhar adeptos, consumidores, para um curto período de tempo, que são as eleições, e depois, eles fazem o que bem entendem. Meu sentimento é que não parece haver uma agenda política que, de algum modo, represente melhor os valores cristãos (até mesmo porque, muita coisa se encaixa nesta definição).

A advertência de que Deus julgará a nossa nação é grave. Na verdade, penso que o Senhor já tem julgado àqueles que praticam a iniquidade. Nós, critãos, somos chamados à viver a imitação de Cristo indenpendente da legislação do pais do qual pertencemos. Obviamente, isso não nos remeterá a um posicionamento subjetivista e isolado, entretanto, maior do que um julgamento conjunto da parte de Deus, é o do julgamento individual de cada um de nós. Temos que estar atentos aos que não tem possibilidade de defesa, como as crianças no caso dos abortos. Somos chamados a defender os mais fracos. Entretanto, ha questões de ordem maior, em que cada adulto responsável dará contas de si, e terá que prestar contas disso, independente de legislação que o proteja ou não, segundo nossa crença.

Conforme disse, não votarei no PT. Votarei na Marina, e isto, muito antes de ver tal vídeo. Comparem as duas biografias, a história de vida das duas. Penso mais como Marina pensa. Foi catalogada como umas das cinquenta pessoas que podem mudar o mundo para melhor. Em SP, penso, os tucanos já ficaram tempo demais. Penso que é bom conhecer exatamente o posicionamento do seu candidato em determinadas questões (óbvio, isso não previne contra surpresas, mudanças, etc), caso contrário, vote nulo.



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