terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Sobre garrafas e caninhos...

Deus é poesia, é mistério...

As religiões tendem a ser garrafas...

Entre estas garrafas, há algumas mais bonitas; outras mais feias...

No meio evangélico, há garrafas muito feias... Talvez, das mais feias de todas...

Ou armários, ou correntes, etc... sei lá...

Se o fiel não "rezar" na cartilha da denominação, não se vestir como lhe é determinado, não agir como mandam, não der dízimo. ele está fora da garrafa, portanto, longe de Deus, amaldiçoado...

Entretanto, não comungo da idéia de certos intelectuais que entendem que tais fiéis são um bando de pobres, abestados, explorados...

Não; penso sinceramente que, não obstante as possíveis perdas que tais fiéis possam ter, eles recebem algo de bom da comunidade ao qual estão inseridos, e que mudou a sua vida. Eles não são burros. Podem estar enganados, em certos pontos, mas burros, não são.

Esta não é somente a minha opinião; é também a do padre libertacionista José Comblim (inclusive, mais otimista do que eu) e do sociólogo Ricardo Mariano, salvo melhor juízo. Quem quiser, posto a fonte depois.

Mas há uma garrafa mais sofisticada, por assim dizer...

Não é bem uma garrafa.. seria mais parecido com um "cano" conforme já comparou Rubem Alves.

É um cano chamado de "sucessão apostólica", da qual afirmam possuir a Igreja Católico Romana, a Anglicana e a Ortodoxa e alguns luteranos do norte da Europa, além de Vétero Católicos, e outros grupos, como Coptas e Armênios, mas que não são considerados como autênticos cristãos ortodoxos por outros que se dizem os verdadeiros ortodoxos... que confusão...

Para mim, tudo bem. Na verdade, tal doutrina, que os entendidos classificam na cadeira de eclesiologia, é bastante bela e coerente, e, sem dúvida nenhuma, expressa a opinião de respeitáveis cristãos dos primeiros tempos (boa parte destes, como não poderia deixar de ser, membros do clero.. ). Eu, particularmente, considero o episcopado como a mais bela forma eclesiológica que já foi praticada até hoje, desde que moderada com uma forte participação popular, como penso ter sido nos tempos primitivos...

Entretanto, tal doutrina fica feia quando defendida por alguns radicais, em minha opinião...

A Igreja Romana, pós Vaticano II, passou a reconhecer que nas ditas "comunidades eclesiais" (leia-se: todas as igrejas que não forem Católico romanas ou Ortodoxas) existem meios de santificação, e que os seus fiéis são "irmãos" separados. Isto mesmo; irmãos... Não negam que são a única igreja completa de Cristo, mas asseguram a existência de irmãos fora do romanismo...

Os anglicanos, não obstante sustentarem tal doutrina, a da sucessão apostólica (ou episcopado histórico, conforme os mais modernistas) estão entre os mais tolerantes dentre todos os cristãos, e não ficam envergonhando nem desmerecendo aquelas denominações que não mantiveram a dita sucessão...

Entretanto, conheci um cristão ortodoxo que não admite nenhuma realidade espiritual genuinamente cristã que não seja na sucessão da Igreja Ortodoxa.

Ou seja, se não for Igreja Ortodoxa, não é nada! Não há graça! Não há milagre eucarístico. Não há sacramento. Não há nada no sentido espiritual do termo...

Ou seja, onde não houver um padre barbudo, rezando de frente para o altar (logo, de costas para o povo), cantando as leituras bíblicas, talvez em grego, árabe ou russo, ou outra lingua estrageira, fazendo diversos rituais com incensos, velas, sinal da cruz da direita para esquerda, com procissões, etc, e reconhecidamente ortodoxo, não há nada... Coitado de quem depender de um padre romano libertacionista, ou de um pastor pentecostal... eles nada são, não têm graça sacramental!!! ... ou que morar em alguma periferia do nosso grande Brasil, afinal, há tantas igrejas ortodoxas por aí...

Então, este é o caninho pelo qual o Espírito Santo atua (o caninho da dita sucessão), no pensamento de tal pessoa ... Ou seja, o exclusivismo racial judaico foi substituido pelo exclusivismo eclesial ortodoxo...

Pobres de nós, que estamos fora do dito "caninho"...

Mas nos dizeres de Rubem Alves, para os protestantes, não há formas de "encanar" o Espírito Santo... Ele é mais parecido com a chuva que cai onde quer... Ou nos dizeres de Jesus, é mais parecido com o vento... que sopra onde quer... ninguém sabe de onde veio... ninguém sabe para onde vai...

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