A purificação do templo (ou de como atrair os assassinos a si próprio)

Era provavelmente uma segunda feira.

Jesus entra no Templo, uma construção magnífica, e não gosta do que vê.

No local denominado "átrio dos gentios", lugar reservado à oração de todos os povos, cambistas trocam dinheiro, e vendedores comercializam animais.

Peregrinos vinham de todos os lugares do mundo, porém não eram aceitas moedas estrangeiras. Assim sendo, tudo precisava ser trocado por moeda judaica.

Acontece que nesse procedimento, havia abuso por parte dos cambistas. E é bem possível que parte dos lucros fossem para os sacerdotes.

Depois, com o dinheiro judaico, seriam comprados animais a serem oferecidos em sacrifício.

Mais uma vez é possível que o valor estipulado estivesse bem abusivo.

E novamente, parte de tais valores provavelmente iam para a liderança de Israel.

Trocar dinheiro, comprar animais, se tudo isso fosse feito por um preço justo, não haveria problema, DESDE QUE NÃO FOSSE NO TEMPLO!

Afinal, era muito mais fácil para os peregrinos comprarem animais no local do que trazerem para suas terras. Mas naqueles tempos, dificilmente os fiscais deixavam passar uma animal que não tivesse sido comprado ali mesmo.

Jesus, ao ver tudo isso, EXPULSA todos, e, mencionando discursos dos profetas Isaías e Ezequiel, ensina que a casa de seu Pai era uma casa de oração, porém, toda aquela turma tinha transformado tal local em um covil de salteadores, o que equivaleria dizer, a um esconderijo de ladrões.

Realizar tais atos profanos era violar a casa do próprio Pai!

Ao verem tal cena, os sacerdotes e os principais já começaram a bolar um plano para matar Jesus. Só não o fizeram no momento, pois temiam as multidões.

O que muito chama a atenção nessa história é essa postura de Jesus, tremendamente profética, de ir até o local em que a injustiça estava ocorrendo, e enfrentá-la de frente.

Jesus dizia em rosto dos injustos as injustiças que cometiam.

Esse é o verdadeiro ministério profético que vinha desde os tempos do antigo testamento.

Entretanto, ao interferir na injustiça alheia, bem como na corrupção, o Senhor atraiu a morte a si.

E esse sempre será o destino daqueles que tentarem interferir na injustiça desse mundo.

Mexa no bolso de alguém. Tente fazer parar a corrupção.

Primeiramente, tentarão macular a sua reputação. Depois, irão tirar a sua vida.

Havia sido assim com Isaías, Jeremias, Ezequiel e João Batista, bem como tantos outros.

Seria assim com Jesus.

Como bem disse, creio que que foi Rubem Alves, sempre haverá uma cruz no caminho daqueles que interferirem nos negócios deste mundo.

A questão é: quem teria coragem de agir assim nos dias de hoje?

Fonte da imagem: Pastoral da Juventude


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