sexta-feira, 14 de julho de 2017

O cristão e seu posicionamento político

Um cristão pode ser de esquerda? Ou de direita? De centro? Anarquista? Liberal?

Tenho lido em algumas redes sociais que, por exemplo, um cristão não pode ser de esquerda.

Isso porque, a esquerda apoia o comunismo, o socialismo, o aborto, o movimento LGBT, e coisas do tipo. Logo, não pode ser de esquerda.

Mas também já li amigos dizendo que cristãos não podem ser de direita. Não podem apoiar Bolsonaro, Trump, a liberdade de usar armas, a ditadura, o fascismo, etc.

Tenho também um amigo que diz que cristão não pode ser liberal. Isso porque, o liberal (econômico) só pensa em dinheiro, acumular, é contra a intervenção do estado na economia, não pensa nos pobres, etc. Não pode apoiar também, se for cristão, a liberdade da pessoa conduzir-se sexualmente conforme quiser, fumar e beber o que quiser, e coisas do tipo, sem intervenção do estado em seus usos e costumes.

Ora.

Particularmente entendo que alguém pode ser cristão, e, em algum momento de sua vida apoiar alguma dessas visões. Cada qual tem sua própria experiência, visão de mundo, e está em algum estágio de conhecimento diferente da dos demais.

É importante que nós não façamos esterótipos do que significa assumir algumas destas posturas, e nem das visões políticas em si. Ideias mudam com o tempo, assim como pessoas.

Há cristãos que entendem que a esquerda tem maior preocupação com os necessitados, daí, assumem essa postura política. A preocupação com os necessitados é um valor do evangelho.

Há cristãos que entendem que é preciso mais espaço para a liberdade, sem limitações demais impostas pelo Estado, mesmo que para isso, as pessoas estejam sujeitas a fazerem más escolhas e sofrerem com isso. Daí, enxergam nos valores liberais mais proximidade com o evangelho. E a liberdade é um valor do evangelho.

O importante é cada qual ir estudando, questionando e questionando-se para assumir a postura que julgar mais correta á luz do evangelho (aqui, me dirijo aos cristãos), e respeitar se alguém tiver uma visão diferente. 

Algo que vejo com a máxima importância é o fato de que, um verdadeiro cristão pode trazer algum equilíbrio à radicalidade de algumas doutrinas politicas/econômicas.

Por exemplo, um cristão socialista certamente rejeitará o autoritarismo que certas versões dessa visão política pode querer conceder ao Estado. Não me parece que um estado totalitário esteja de acordo com o evangelho. Um cristão cuja visão seja a de um estado mais conservador e liberal (visão essa mais de direita) também se esforçará ao máximo para que a filantropia voluntária se espalhe pela sociedade, e também não deixará de pregar que "o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males". O enriquecimento desmedido e insensível à necessidade alheia não está de acordo com o evangelho.

De minha parte, tenho chegado no momento, à conclusão de que nenhuma sociedade pode prosperar sem liberdade econômica. Liberdade de comprar, vender, negociar, ter livre iniciativa, concorrência, além dos direitos clássicos como de liberdade política, religiosa, filosófica, etc. Essas liberdades dos liberais.

Entretanto, também entendo que não é possível uma sociedade sem alguma organização estatal (ou seja, não vejo no momento nenhuma possibilidade para o anarquismo; mas gostaria que o estado fosse mais reduzido a questões administrativas). Vejo a necessidade de um estado que arrecade e redistribua renda a fim de diminuir as desigualdades e proporcione condições minimamente dignas de existência. Isso me aproxima dos direitos de segunda geração (já seria o suficiente para ser classificado pela escola austríaca como socialista). De qualquer modo, não vejo com bons olhos o estado como um grande gestor, onipresente, onipotente, que assuma o controle de tudo. O estado tem sido um grande arrecadador, em muitas áreas ineficiente, pois conforme monografia do Mises, não realiza bem o cálculo econômico (isso, mesmo se não houver corrupção). 

Ou seja, resumindo, há de sempre buscar um equilíbrio entre a liberdade dos liberais e o estado interventor, que proteja os mais fracos.

Em tudo isso, completo dizendo que por mais elaborado um sistema, o mais importante é a integridade dos homens que o conduzem. Honestidade, integridade, ética, bondade, amor, não podem ser substituídos por nenhuma forma de sistema. Haverá sempre por traz de todo sistema um conjunto de crenças, de decisões fundamentais que fará com que uma sociedade se conduza ou não de maneira mais eficiente. Daí, nós nunca devemos deixar de labutar pela reforma ética de cada cidadão em busca do bem comum.




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