sexta-feira, 25 de novembro de 2016

O dia da mulher evangélica

O governador Geraldo Alckmin sancionou o dia da Mulher Cristã Evangélica no Estado (sim, no estado todo) de São Paulo. A autoria do projeto de lei foi do deputado Adilson Rossi (PSB).

Não vai virar feriado. É uma homenagem em reconhecimento da importância das mulheres evangélicas para a família, igreja e sociedade. É claro que reconheço tal importância, entretanto, penso em alguns motivos para que não existisse esse tipo de lei:

1 – Se criarmos o dia da mulher evangélica, o que impede de criarmos o dia da mulher católica, budista, espírita, muçulmana, ateia, agnóstica, entre outras? Porque diferenciar um tipo das demais? TODA e QUALQUER mulher, que for boa cidadã, tem incalculável importância para a sociedade, enfim.

2 – Mais uma vez a mistura da religião com a laicidade do estado, que a meu ver, deve ser evitada. Existem inúmeras religiões hoje. Iremos criar uma lei para cada qual?

3 – Acredito que isso possa ofender um pouco o sentimento das minorias. Se eu fosse um evangélico em um país muçulmano, não sei se iria me sentir muito confortável com o dia da mulher muçulmana. E também acharia bobagem brigar para ter o direito a tal coisa.

4 – O governador faz lei para todos. Porque toda a sociedade tem que homenagear um determinado seguimento social? Quem tem que reconhecer a importância da mulher evangélica, todos os dias, é o seu marido, filhos, família, etc. A sociedade reconhece bons ou maus cidadãos.

5 – Mais uma vez, a política se imiscui na igreja, entre os evangélicos, podendo se tornar manipulação. Claro, criar um dia desses e sancionar, certamente deve ter lá seus interesses políticos.

6 – Aumenta o descrédito dos políticos e da política, pois convenhamos isso não muda a vida dos governados. As pessoas podem pensar coisas do tipo: “não tinha nada mais importante para fazer não”? E aí a coisa fica meio banalizada, enfim.

7 – Eu particularmente não acho um bom testemunho evangélico para a sociedade. A ideia básica que os demais passam a ter é que os evangélicos assumem o poder, de modo geral, para defender os seus próprios interesses.

Pixabay



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