segunda-feira, 6 de julho de 2015

O sacrifício do Pai

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"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito para que todo o que nele crê não pereça mas tenha a vida eterna" (João 3.16).

Este versículo pode ser considerado o grande alvo de todas a Escritura Sagrada.
Tudo no Antigo Testamento aponta para tal texto. A criação do homem, sua queda, a promessa que a descendência da mulher esmagaria a serpente, José como salvador do Egito, a libertação sob Moisés, a lei, os juízes, os reis, os profetas... Tudo converge para este texto, e dele flui para toda a eternidade. Por isso hoje, quando um cristão lê as páginas do antigo testamento, tem que ser com lentes cristocêntricas, pois tudo em Cristo se converge.

Jesus, pela pena do evangelista, diz que "Deus amou o mundo". Mas que mundo é esse? Seria um mundo aberto, receptivo, amoroso também? De modo algum. É um mundo que jaz no maligno (1 Jo 5.19). Um mundo onde não há nenhum justo, nem um sequer, nem quem entenda, nem que busque a Deus (Rom 3.9 e seguintes). Um mundo cujos habitantes bebem iniquidade como se fosse água (Jó 15.16). Enfim, um mundo que sempre virou as costas para Deus. 

O texto ainda diz que Deus amou o mundo "de tal maneira". Ou seja, isso quer dizer, amou muito, indescritivelmente, imensamente. 

Mas Escrituras não poupam descrições do modo como Deus não se agrada dos transgressores. Ele aborrece (ou odeia) todos os que praticam a iniquidade (Salmo 5.5). Ele abomina o que ama a violência (Salmo 11.5). A ira d'Ele permanece sobre aquele que lhe é rebelde (João 3.36). Prostituição, lascívia, impureza, avareza, entre outras coisas, atraem sua ira (Colossenses 3.5 e seguintes). Entretanto, tais características não fazem parte de uma minoria dentre os da humanidade. Não. As Escrituras dizem que todos estavam mortos em delitos e em pecados (Efésios 2.1). Geralmente se diz que Deus ama o pecador mas abomina o pecado. Mas por acaso, Deus punirá somente os pecados? Não punirá o pecador junto com eles?

Como pode Deus amar um mundo que tem sido objeto de sua ira?

É difícil responder esta pergunta, talvez até mesmo um dos mais complexos paradoxos! O que precisamos entender é que o amor de Deus pelo mundo não foi um amor fácil, natural, tranquilo. Foi um amor do tipo sacrificial.

Deus amou o mundo de tal maneira que "deu o seu Filho unigênito". Unigênito é o único gerado, aquele que foi eternamente gerado no seio do Pai, que é com ele da mesma substância, infinitude, eternidade. Quando uma mulher dá a luz a um filho, há uma separação. Entre Deus e Cristo nunca houve. Ambos sempre foram um. Então, quando a Escritura diz que Deus deu seu Filho, significa que deu mesmo, em um sacrifício que começa com a encarnação e se consuma com a cruz. Uma pessoa boa até pode dar a vida por outra pessoa, ou um grupo de pessoas. Creio que eu mesmo seria capaz de dar a vida por alguém. Entretanto, se me pedissem para dar a vida de meu filho pela de outro, provavelmente eu negaria. Tenho uma amiga espírita que rejeitou o evangelho para o espiritismo e disse que jamais daria sua filhinha para morrer, nem que fosse por um prédio inteiro de pessoas! Se você não tivesse saída, talvez se conformaria por dar a vida de sua criança por alguma pessoa boa, que não desperdiçaria tal chance. Mas imagine dar a sua vida em favor de um bandido, um assassino, uma pessoa má. Pois foi isso que o Pai fez. Deu seu Filho para morrer pelos transgressores. 

Percebe então a dimensão do sacrifício do Pai?

Entretanto, tudo isso que Deus fez só terá efeito para ti se você crer, pois o versículo diz "para que todo o que nele crê". Crer é confiar. Confiar na obra do Filho ao mundo. Entretanto, crer neste contexto também significa obedecer, pois o seu contrário é "permanecer rebelde" (João 3.36). Crer é se entregar ao Filho. É amar sua Palavra. É obedecê-la com todas as tuas forças. É amoldar sua vida à vida do Mestre. São as características de uma fé verdadeira. Caso contrário, o sacrifício do Pai e do Filho, por ti, poderá ter sido em vão.

Crendo verdadeiramente você não perecerá, mas terá a vida eterna. É uma vida que não terá mais fim, pois reconectada com a fonte de toda a vida! Uma vez minha filha tirou uma flor de um jardim, e eu disse a ela: você a matou! Ela contestou dizendo que flor estava do mesmo jeito. Eu lhe disse que a partir do momento em que ela arrancou a flor de sua raiz, ela morreu. Sua deterioração só é uma questão de (pouco) tempo. Assim somos nós. Como flores arrancadas de sua raiz. Só duramos um pouquinho mais. O Filho faz a reconexão de nossas vidas com a fonte, que é o Pai. O meio que nós nos reconectamos é pela fé, que se consuma em atos de obediência. Os que assim procedem, recebem a promessa para a vida eterna.

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