Seguem abaixo algumas passagens acerca do livro arbítrio nos cânones do Concílio de Trento. 814. Cân. 4. Se alguém disser que o livre arbítrio do homem, movido e excitado por Deus, em nada coopera para se preparar e se dispor a receber a graça da justificação - posto que ele consinta em que Deus o excite e o chame - e que ele não pode discordar, mesmo se quiser, mas se porta como uma coisa inanimada, perfeitamente inativa e meramente passiva - seja excomungado [cfr. n° 797]. 815. Cân. 5. Se alguém disser que o livre arbítrio do homem, depois do pecado de Adão, se perdeu, ou se extinguiu, ou que é coisa só de título, ou antes, titulo sem realidade, e enfim, uma ficção introduzida na Igreja por Satanás - seja excomungado [cfr. n° 793 e 797]. Tais artigos foram elaborados claramente contra a fé reformada. Alguns anos após Calvino, um de seus discípulos, Jacob Armínius negou a doutrina da predestinação dos eleitos, conforme elaborada po seu meste. Há uma substânci...
pixabay "Acolhei ao que é débil na fé, não porém, para discutir opiniões" (Romanos 14.1) Débil significa fraco. Alguém com uma mente muito escrupulosa, que pode se ofender com facilidade. No contexto da epístola aos romanos, parece dizer respeito aos que eram mais apegados às regras e prescrições alimentares, que achavam que uma pessoa poderia pecar se comesse determinados alimentos (Rom 14.3). Também parecia estar associada a questão da guarda de determinados dias (Rom 14.5). Paulo ensina que devemos acolher os tais. Acolher significa receber com o coração e inserir no grupo de amigos . Ou seja, é para considerar estas questões como secundárias e não impeditivas para que haja comunhão. Paulo diz para não discutir opinião, no sentido de "não forçar" em cima do fraco. Em minha experiência pessoal, tenho visto que temos a tendência de querer que o outro se conforme com todas as nossas opiniões e práticas. E quem não concorda conosco logo despreza...
Houve três Herodes que foram mencionados no Novo Testamento. O primeiro foi Herodes, o Grande , também conhecido como aquele que mandou matar as crianças quando do nascimento de Jesus. Outro, foi Herodes Antipas , que viveu na época de João Batista, e que mandou a este degolar, após fazer uma promessa irrefletida à filha da mulher que tomara de Felipe. O outro foi Hedores Agripa , o que mandou degolar o apóstolo Tiago, prendeu Pedro, e depois morreu por juízo divino. Mas o que é interessante é a informação em Atos 13, de que Manaém era líder da igreja em Antioquia, e que era colaço (irmão de criação) de Herodes, provavelmente, do Antípas. Isso significa que mesmo de dentro da casa de pessoas tão perversas, Deus pode suscitar um filho seu. Todos os Herodes foram, em maior ou menor grau, tiranos, assassinos e imorais, mas ainda assim, um dos seus foi ganho para a causa de Cristo! Podemos aprender algumas lições: Primeiramente, não é porque nascemos em uma família ruim, q...
Há uma grande discussão se o título que se deve atribuir à Virgem Maria é "Theotokos" (Mãe de Deus) ou "Christotokos" (mãe de Cristo). Boa parte dos evangélicos contemporâneos dizem que o título correto deveria ser o segundo, pois Maria é somente mãe de Cristo, e não de toda a Trindade. E, os católicos, já definidos pelo Concílio de Éfeso (431) e pela Tradição a definem como mãe de Deus, pois Jesus é Deus. O que o protestante precisa saber é que, quando um católico diz que Maria é Theotokos, ele não quer dizer que Maria é mãe do Pai, ou do Espírito, e nem do Filho enquanto gerado eternamente no próprio Pai, mas justamente que Ela é mãe de Cristo, do Messias, enquanto Logos encarnado. Mas como o Cristo é Deus, Maria é mãe de Deus. Este dogma, proclamado em 431, foi para enfatizar a concepção acerca da pessoa de Cristo (não sendo ele duas pessoas, mas somente uma), sendo portanto, um dogma Cristológico, muito mais que Mariológico. Foi para combater o pensamento nest...
Leitura: 2 Crônicas 25 “Fez ele o que era reto perante o Senhor, porém, não com inteireza de coração” (2 Cro 25.2). Amazias, neto do Rei Joás, e pai de Uzias, parece ter começado relativamente bem o seu reinado, embora cometendo alguns erros. Ele contratou soldados israelenses para combater ao lado de Judá, por um grande valor em prata (vers. 6); porém, foi advertido por um profeta que o Senhor não se agradava de Israel, e que não era para os levar para batalha (vers.7). Ele deu ouvidos ao profeta e despediu os mercenários contratados, que muito se iraram e causaram prejuízo por onde passaram (vers. 12). Amazias então, com seu exército, conseguiu vencer uma grande batalha, porém, inexplicavelmente, prestou adoração aos seus deuses (vers. 14). Irado, o Senhor envia outro profeta ao rei para o advertir, porém, desta vez, Amazias não dá ouvidos, sendo isso a sua ruína (vers. 16). Depois, por conta de sua soberba, desafia o rei de Israel para “medir armas”, uma esp...
É provavelmente o mais comentado dentre todos os evangelhos. Considerado de muita profundeza devocional, espiritual e teológica dentre todos. O evangelho preferido de Lutero. Autoria : Formalmente anônimo, assim como os demais evangelhos. É uma testemunha ocular (João 1.14). A escola tradicional entende que foi João, filho de Zebedeu. A referência em João 21.24-25 parece apontar para o “discípulo a quem Jesus amava” (13.23; 19.26; 20.2; 21.7,20). A primeira testemunha que indica que João foi o autor é Irineu , e ele já está no segundo século. Entretanto, é uma testemunha muito importante, pois segundo a tradição, ele, Irineu, foi discípulo de Policarpo, e este, do próprio apóstolo João, e tal autoria foi aceita por diversos outros teólogos primitivos, que eram bem críticos e rígidos em suas análises, conforme afirmam muitos estudiosos (Tertuliano, Orígenes, Clemente de Alexandria, etc). A controvérsia surge pelo fato deste evangelho ter sido o preferido dos gnósti...
“...não endureçais os vossos corações...” (Hebreus 3.7-13) Não sabemos com certeza quem escreveu as cartas aos hebreus. É muito provável que alguns daquela comunidade pensavam em se desviar, talvez voltar para o judaísmo. Por isso o autor da carta, entre outras coisas, procura estabelecer a superioridade de Cristo sobre o sacerdócio levítico e exortar os seus leitores para que não se desviem. Da leitura de Hebreus 3.7-13, nós podemos aprender algumas lições: Primeiramente, que o Espírito Santo tem uma voz que pode ser ouvida . Conforme está escrito: “Assim, pois, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz” (Hb 3.7). O Espírito Santo foi dado para “convencer o mundo” do pecado, da justiça e do juízo. Ele está no mundo, usando os pregadores do evangelho para levar o povo ao arrependimento. Entretanto, é possível endurecer os corações, pois o autor de Hebreus adverte: “não endureçais os vossos corações” (Hb 3.8). Ora, é plenamente possível uma ...
H á algum tempo, li em um site calvinista radical em que se duvidava da possibilidade da salvação de um cristão arminiano/wesleyano. Isto porque, para alguns calvinistas, a salvação, conforme exposta pelo arminianismo, seria pelas obras, e não somente pela graça de Deus.
E ste mês estamos comemorando 494 anos de Reforma Protestante. Assim como, em nosso aniversário, é salutar que façamos uma auto-análise de nossas vidas, talvez assim também devamos fazer com este movimento, que logo irá completar quinhentos anos e que influenciou profundamente a história do ocidente e do mundo. Todos os anos eu faço uma breve meditação sobre este assunto, e este ano não será diferente. Gostaria de pensar nas idéias que, em minha opinião, foram a mais forte e mais fraca na concepção protestante. O que será que foi bom para a cristandade, e o que talvez não tenha sido tão bom assim. É, obviamente, uma concepção pessoal, sujeita a erros e críticas de todos os lados. Mas vamos lá (quando penso em protestante, estou sendo bastante genérico, não me restringido à reformados, anglicanos ou luteranos em si). Em minha opinião, o ponto forte da Reforma foi a concepção soteriológica , ou seja, a doutrina da salvação. Houve um consenso entre os reformadores que a salv...
Pneumatologia é o capítulo da teologia sistemática que estuda a pessoa do Espírito Santo e as suas obras. A palavra é formada pelos termos “pneuma” (vento) e “logos” (discurso). É o estudo sistemático da pessoa do Espírito Santo conforme demonstrado nas Sagradas Escrituras e na tradição cristã. Desde os primórdios da teologia cristã houve muitas controvérsias acerca do que seria o Espírito Santo. Seria tão somente outra forma de nomear a atuação de Deus? Ou algum tipo de força ou energia divina, ou ainda uma pessoa? E, se fosse considerado uma pessoa, seria divina ou não, Criador ou criatura? As primeiras controvérsias da teologia cristã se deram em relação à pessoa de Deus propriamente dito. Mestres gnósticos costumavam ser dualistas e dizer que o mundo tinha sido criado por um deus mal. O Deus bom seria um espírito puro, não se envolvendo com as coisas deste universo. A fim de salvar a humanidade, esse Deus bom deveria realizar várias emanações até se achegar ao nosso at...
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