sábado, 10 de julho de 2010

Corrigidos pelo Senhor

"Ora, na vossa luta contra o pecado, ainda não tendes resistido até o sangue, e estais esquecidos da exortação que, como a filhos, discorre convosco: Filho meu, não menosprezeis a correção que vem do Senhor, nem desmaieis quando por ele é reprovado; porque o Senhor corrige a quem ama, e açoita a todo o filho a quem recebe. É para a disciplina que perseverais (Deus vos trata como a filhos); pois, que filho há a quem o pai não corrige? Mas se estais sem correção, de que todos se têm tornado participantes, logo sois bastardos, e não filhos". (Hebreus 12.4-8)

Vivemos tempos difíceis. Difíceis porque, é complicado falar em um Deus disciplinador quando talvez, dentro dos lares, há tão pouca disciplina.

Fato é que o escritor aos Hebreus faz uma referência a "não ter resistido até o sangue na luta contra o pecado". Isto pode dizer respeito ao martírio, à perseguição que aqueles leitores estavam passando (resitir até o sangue), ou pode ter relação ao esforço máximo para se resistir ao pecado. Ambas as aplicações são igualmente úteis para os nossos dias.

O que muitos parecem não entender quando se achegam ao evangelho é que Deus faz tudo em amor, e, uma constante deste amor divino é o seu aspecto disciplinador. Disciplinador ao ponto do autor da epístola aconselhar seus leitores a não "desmaiarem quando por ele for reprovado". Ou seja, nós, como filhos, podemos fazer coisas que são reprovadas por Deus. Ele não mima seus filhos, definitivamente. E a luta de Deus contra o pecado será sempre acirrada. Nesta mesma epístola vemos o relato que o próprio Jesus, "ainda que era Filho, aprendeu a obediência por meio daquilo que sofreu" (Hebreus 5.8). Ou seja, nem o Filho foi poupado do sofrimento, e, sabemos, ele foi, de certa forma, "disciplinado" em favor de todos nós.

É bem possível que alguém queira menosprezar a correção que vem do Senhor. Isto porque, conforme vimos, a disciplina não é uma coisa agradável. Caso alguém se afaste, o estará fazendo para seu próprio prejuízo, pois somente postergará para o futuro algo que o Pai queria tratar naquele momento.

Em minha breve jornada pela vida cristã, foi possível também vislumbrar que algumas pessoas afastaram-se da disciplina do Senhor, que, na prática, em nossa opinião, manifesta-se no próprio afastamento da comunidade e de seus líderes. Com todo o respeito, tenho por mim que tais pessoas jamais foram as mesmas. Muitos ficam tropeçando por aí, fogem do problema, mas não percebem que este está dentro deles. E se forem realmente filhos, não conseguirão fugir da disciplina que Deus irá proporcionar, e isto para o bem deles próprios.

Há talvez quem diga que conheceu alguém que, afastando-se da disciplina, voltou a uma vida de pecado, e nada lhe pareceu acontecer.

Na verdade, isto é bastante temeroso, e, ao invés de nos dar uma falsa confiança no pecado, associada a uma perversa incredulidade em Deus e nas Escrituras, deveria nos fazer ficar atentos na seguinte declaração:

Mas se estais sem correção, de que todos
têm se tornado participantes,
logo sois bastardos, e não filhos
.

Ou seja, se alguém vai para o pecado, e não se sente mal com isso; não fala como o apóstolo Paulo quando disse "miserável homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?" Quem não se sente convencido do pecado, em crise, necessitado da graça, temo dizer que talvez não seja filho.

Pois se estais sem correção, não sois filhos.

O ato que considero mais terrível do aspecto disciplinador de Deus não é o castigo. Este, com dores, com lágrimas, devemos recebê-lo, e agradecer: "Obrigado, Senhor, pela disciplina! Obrigado, pelo sofrimento! Obrigado pelo fato do Senhor colocar pessoas no meu caminho que disciplinaram, ainda que além da conta, para que eu não descansasse nem justificasse o meu pecado! etc"

O aspecto mais terrível do juízo de Deus e do seu aspecto disciplinador, no me entender, é quando Ele abandona os impenitentes ao seus próprios pensamentos do coração:

E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus,
o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável,
para praticarem coisas inconvenientes... (Romanos 1.28)

Tire Deus sua influência santificadora, e o ser humano se entregará ainda mais ao mal!

Portanto, se uma pessoa "prospera" no pecado, e ainda se dá bem na vida, só temos a lamentar e chorar; pois passou a ser tratada como bastarda; não como filha. E, "a quem mais tem, mais ser-lhe-à dado. Quem não tem, até o pouco que tem lhe será tirado". Se alguém tem disciplina e comunhão com o Senhor, e perservera, terá mais do Senhor, muito mais. Quem não tem disciplina e comunhão com o Senhor, o pouco que tem da graça comum, do sol que brilha e da chuva que cai para todos, um dia ser-lhe-à tirado. Por isso, não desanimemos e não nos deixemos enganar por aqueles que aparentemente perseveram no mal, pois o nosso maior tesouro é o Senhor.


Senhor, nós te agradecemos por
sua grande provisão. Pela correção e
disciplina que ora sofremos de ti.
Tão somente nos ajuda a suportarmos e
perseverarmos a exemplo do Filho, que
tudo suportou, por amor de Ti, e por amor
a nós. Em teu nome. Amém

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