sexta-feira, 16 de março de 2012

Panorama do Novo Testamento - Os evangelhos sinóticos

Os evangelhos sinóticos - resumo


(Cuida-se de esboço de aulas ministradas acerca do tema "Panorama do Novo Testamento")

O processo de elaboração de um evangelho (Lc 1.1-4):

- Muitos empreenderam a tentativa de fazer uma narração coordenada dos fatos que se realizaram (ou seja, havia outros evangelhos escritos à época, o que pressupõe fontes escritas);

- a transmissão se deu primeiramente pelos que foram testemunhas oculares dos fatos ocorridos e ministros da palavra (o que pressupõe fontes orais);

- O evangelista investigou tudo cuidadosamente deste o princípio para escrever uma narração em ordem (o que talvez possa chegar perto do que nós consideraríamos um historiador nos dias atuais);


O estudo minucioso dos evangelhos nos leva a perceber que Lc, Mc, e Mt são muitos semelhantes, daí, serem chamados de evangelhos sinóticos. Sinótico vem do grego synopsis que significa "ver em conjunto" (Termo utilizado pela primeira vez por J. J. Griesbach, no sec. XVIII).

O estudo dos evangelhos se dá por intermédio de três procedimentos (Broadus David Hale, Introdução ao Estudo do Novo Testamento, p. 54).

Crítica de Forma: é a análise do material antes de existir o primeiro documento escrito.

Crítica de Fonte: é a investigação das circunstâncias em que os atuais evangelhos usaram um ou mais documentos escritos

Crítica de Redação: é a forma como os evangelistas utilizaram suas fontes para redigirem seus documentos.

Dados interessantes acerca dos evangelhos sinóticos

- Cerca de 93% do evangelho de Mc está contido em Mt e Lc;

- Dos 661 versículos do evangelho de Mc, cerca de 630 são encontrados nos outros dois;

- Cerca de 606 versículos de Mc estão contidos em Mt, sendo que pelo menos 500 são mais aproximados;

- Cerca de 320 versículos de Mc estão em Lc, sendo que destes, 24 não estão em Mt;

- Somente 8% de João é comum a Marcos (para termos uma idéia de quanto o último evangelho é diferente);

- Há cerca de 250 versículos partilhados por Mt e Lc que não são encontrados em Mc;

- Cerca de 300 versículos em Mt (de 1.068) não são encontrados em outro evangelho;

- Cerca de 580 versículos de Lc (de 1.151) não são encontrados em outro evangelho (Ibdem);

Estas semelhanças e diferenças entre os três primeiros evangelhos e as tentativas de explicá-las é denominada de “A questão sinótica” ou “o problema sinótico”.

Atualmente, as conclusões a seguir são as mais aceitas acerca da relação literária entre estes evangelhos (não é a única teoria possível, mas parece ser a mais aceita):


- Mateus e Lucas utilizaram Marcos como fonte, ou seja, Marcos é o mais antigo dos três;

- Mateus e Lucas utilizaram um material comum relativo a um documento que se perdeu, que continha grandes trechos de ensinos de Jesus (ditos de Jesus). Este material comum foi denominado de “Q”, do alemão “quelle” que significa fonte;

- É possível que nem Mateus teve acesso a Lucas, nem este a Mateus, ou seja, escreveram independentemente um do outro, daí, quando não utilizam nenhum material em comum, se diferem bastante, como por exemplo, os relatos do nascimento e da ressurreição;

- Naquilo em que Mateus e Lucas se diferem, é possível que tenham tido outras fontes,mesmo que fosse oral. Mateus tem cerca de 300 versículos exclusivos, e Lucas, 580.

- Todos os três evangelhos sinóticos foram escritos em língua grega.


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