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Prostituição espiritual

Um velho amigo, sacerdote que decidiu se tornar barman em Amsterdã, disse certa vez: “não quero ser chamado de ‘pastor’ porque já vi muitos chamados pastores que são prostitutos espirituais que vendem seu amor sob a condição de mudança. Se minha relação com as pessoas, como pastor, é uma pressão sutil para pararem de beber tanto, ou afastarem-se das drogas, serem menos promíscuos, cortarem o cabelo, irem ao tribunal, à igreja ou à prefeitura, ainda não estou realmente com elas, mas com minhas próprias preocupações, sistema de valores e expectativas e me tornei um prostituto degradando meus irmãos e irmãs, transformando-os em vítimas de minhas manipulações espirituais”. Muitos ministros reclamam que ninguém diz “muito obrigado” a eles, que as horas gastas com as pessoas não provocam nenhuma mudança nos outros, que depois e muitos anos de ensino, pregação, aconselhamento, organização e celebração, as pessoas ainda estão apáticas, a igreja ainda é autoritária e a sociedade corrupta. ...

Aliança

E ntre pastores e fiéis não existe um contrato. Existe uma aliança (Henri Nouwen). De fato, se contrato um dentista e ele não me atende como eu gostaria, eu posso dispensá-lo e contratar outro. Assim também com o advogado, o psicólogo, o carpinteiro. Entretanto, com o ministro do evangelho não é assim. Se eu e ele estamos no mesmo ministério, não há uma relação contratual. Não é porque sou dizimista, contribuinte, que o ministro é o meu empregado. Não. Com ele sou aliançado. Assim também, da perspectiva do ministro, se o fiel vai embora, se desliga, começa a dar trabalho, não se pode considerar o contrato como quebrado. Alguém há de permanecer fiel nesta relação, mesmo que o outro se torne infiel, mesmo que o outro se vá. Pois o que existe, não é o contrato, e sim uma aliança. E o desejável é que alianças não sejam facilmente quebradas, embora isso possa ocorrer.

Verdadeiras mães, verdadeiros pais

Quando Paulo escreveu sua primeira carta aos tessalonicenses ressaltou algumas questões do modo como ele os tratou. No que se refere à possibilidade de exigir da igreja a sua própria manutenção, ele ressaltou: “todavia nos tornamos dóceis entre vós, qual ama acaricia os seus próprios filhos ” (1 Tess 2.7).  Paulo continua sua epístola, ressaltando o procedimento dele e de seus companheiros perante os seus leitores, a ponto de dizer: “E sabeis, ainda, de que maneira, como pai a seus filhos ...” (1 Tess 2.11). Ou seja, em uma rápida passagem, Paulo comparou a si mesmo e a seus companheiros pastores de mães e pais da nascente igreja em Tessalônica. Creio que assim deve ser o coração pastoral. Ora, tratar a todos como verdadeiras mães, acolhendo, acariciando. Ora, como verdadeiros pais, exortando, aconselhando, protegendo. Não deve ser fácil para nenhum pastor assumir esta postura, mas é exatamente isso que Paulo disse de si mesmo e de seus companheiros. Daí, a necessidade de ...

Um ardente coração pastoral

O capítulo 15 do evangelho de Lucas nos traz uma meditação acerca da parábola da ovelha perdida, em que o pastor deixa noventa e nove ovelhas para trás e sai em busca de uma solitária. Parece algo meio estranho de se fazer, deixar noventa e nove e ir atrás de uma só... Somente com um coração pastoral podemos compreender profundamente o sentido desta parábola. Por algum motivo, muitas pessoas deixam o nosso convívio comunitário. Muitos deixam de congregar conosco. Isso faz parte da rotina de uma comunidade. Entretanto, há algumas pessoas que nos são muito queridas, que realmente andaram ao nosso lado, junto conosco. Por algum motivo, elas querem sair do aprisco, deixar a igreja, a comunhão dos irmãos. E, de vez em quando, o Senhor nos dá a oportunidade de encontrá-las nos caminhos da vida. É aí que o nosso coração arde, com o desejo de que tal pessoa possa estar novamente conosco.  Nem sempre são ovelhas que saem por aí totalmente perdidas, fazendo coisas erradas, ...

A atitude pastoral dos apóstolos

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M editando um pouco na primeira epístola de Paulo aos Tessalonicenses, pude perceber um pouco da atitude pastoral dos apóstolos para com aqueles que deles aprenderam o evangelho. Em primeiro lugar, percebo que os apóstolos ofereceram aos Tessalonicenses o “evangelho de Deus ” (2.8). Igreja não é lugar para especulação filosófica e intelectual. Igreja é lugar para a pregação do evangelho. Não há tarefa mais urgente do que essa. Salvar os que crêem pela loucura da pregação. Os apóstolos são enviados com uma mensagem, e a esta mensagem devem manter-se fiéis. Não têm o direito de inovar. Em segundo, os apóstolos ofereceram aos seus ouvintes a sua própria vida (2.8). O evangelho não é somente uma especulação filosófica. O que dá conteúdo à mensagem é a vida do mensageiro. A atitude pastoral dos apóstolos é oferecerem a si próprios. Não são pregadores de palco. Não são profissionais, nem professores distantes. Oferecem-se a si próprios, assim como o próprio Cristo anteriormente a eles se...