Da impossibilidade do fundamentalismo

U m homem vai. Constrói um ídolo. Quem é maior. Ele, ou o ídolo construído?... O homem é maior, ainda que não saiba, pois “deu vida” ao ídolo. O homem profere uma palavra. Quem é maior?... O homem ou a palavra que ele proferiu? O homem é maior, pois sem ele, a palavra não existiria. Que cria a linguagem é o ser humano. Pode haver ser humano sem linguagem. Mas não linguagem sem o ser humano. Depois, na linguagem, o ser humano vai se recriando. O que sabemos de Deus, o sabemos através da linguagem, seja falada, seja escrita. Se a linguagem é menor que o ser humano que a cria, logo, Deus está contido na linguagem que falamos, de modo que a linguagem sobre Deus é menor do que o ser humano que a cria. Mas e se foi Deus que se revelou utilizando-se da linguagem humana... Ora, se Ele fez isso, significa que Ele se diminuiu, esvaziou-se, se adaptou... O sopro se vez verbo... Portanto, se Ele esvazia-se no ato de se comunicar, significa que o que temos dele em nossa linguagem não é a totalidade...