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Livrando-se de todo peso que nos embaraça

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Leitura: Hebreus 12.1 O autor aos hebreus nos exorta a corrermos a carreira que nos está proposta. Entretanto, duas coisas nos atrapalham: o peso e o pecado. Do pecado, sabemos que temos que nos livrar. Entretanto, há coisas que são pesos que carregamos, e que nos impedem de correr. Podem até não ser pecado, mas tendem a ele. Que pesos poderiam ser estes? Um deles  é o desejo exacerbado pelas coisas materiais . Jesus disse que “ninguém pode servir a dois senhores, pois há de amar a um e aborrecer a outro, ou se devotará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e as riquezas” (Mt 6.24). Também determinou que devemos nos guardar de toda a avareza, pois a vida não consiste na quantidade de bens que possuímos (Lc 12.15). Ou seja, em uma época materialista como a nossa, corremos o risco de focarmos demais na aquisição de bens, como casas, carros, roupas, investimentos, e coisas do tipo. Não que elas sejam erradas em si, mas se focarmos exclusivamente nisso, nos...

“Não haverá penas cruéis” ( CF, Art. 5º, XLVII, “e”).

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O Supremo Tribunal Federal decidiu no RE 580.252 , tema 365 de Repercussão Geral , que “ o preso submetido a situação degradante e asuperlotação na prisão tem direito a indenização do Estado por danos morais ”. Não foram poucos os revoltados nas redes sociais dizendo que no Brasil, o trabalhador passa fome, tem necessidade, trabalha duro, enquanto o bandido tem direito a danos morais. Fora isso, os comentários de que bandidos têm que sofrer mesmo, passar fome, e até ser torturado, se for preciso. Entretanto, constitucionalmente, a coisa não é bem assim. Uma vez que o Estado tem o preso sob sua custódia, também tem o dever de zelar, no que lhe couber, ao bem estar do condenado. A nossa constituição é clara no sentido de que a nossa pena mais severa é a de privação ou restrição da liberdade. E só. Não esta associada a essa pena a permanência em uma situação degradante. Estar em uma cela com o triplo, ou o quádruplo da capacidade não faz parte da pena. Ter que fazer turno para ...

Meritocracia - ter ou não ter, eis a questão

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A discussão acerca da meritocracia ser algo bom ou ruim voltou a bombar nas redes sociais após a aprovação de uma jovem, negra, e humilde,   em primeiro lugar   em um concurso público neste país. Pedindo ajuda ao Wikipédia, há o seguinte conceito para tal termo: Meritocracia  (do  latim   meritum , "mérito" e do  sufixo   grego antigo   κρατία  ( -cracía ), "poder") [1] é um  sistema de gestão  que considera o  mérito  como a razão principal para se atingir posições de topo. Segundo a meritocracia, as  posições hierárquicas  devem ser conquistadas com base no merecimento, considerando  valores  como  educação ,  moral  e aptidão específica para determinada atividade. Constitui-se numa forma ou método de seleção e, num sentido mais amplo, pode ser considerada uma  ideologia   governativa . A meritocracia está associada, por exemplo, ao  estado   burocrático ,...

A militarização da sociedade é a solução para o problema da violência?

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Eu tenho ouvido de muitas pessoas um desejo por uma maior militarização, aumento de autoridade, combate radical ao crime, e gritos de ordem no que se refere à punição de bandidos e coisas do tipo. E de fato, a autoridade é necessária. Quando se chega ao fundo do poço da degradação moral, somente o temor pela vida pode fazer talvez com que alguém abandone o crime. A falta de punição dá ousadia aos maus. Entretanto, é preciso entender que isso, por si só, não resolve de modo algum a questão social. Veja. Ser pobre e miserável não dá a ninguém o direito de ser um delinquente. E a grande maioria dos pobres não o é. Entretanto, um ambiente em que não há educação de qualidade, saúde, lazer, e amor, torna mais propício que uma parcela da população se torne mais vulnerável ao crime, principalmente quando as armas, as drogas, o sexo, a violência, estão ali, tão perto. Basta olhar para os países com melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do planeta e ver o seu índice de crimi...

Deve existir um local sagrado para os evangélicos?

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Recentemente houve uma polêmica em um município de Santarém, referente a realização do carnaval em um local conhecido como “Praça da Bíblia”. Cuida-se de uma localidade em que aparentemente são realizados cultos evangélicos, e talvez outras atividades que o Conselho de Pastores local denominou de culturais. Se as publicações que relataram o assunto forem fidedignas, cuida-se de um local em que os evangélicos consideram sagrado, de modo que os pastores locais protestaram contra a realização da festa carnavalesca naquela localidade. Particularmente, não tenho o condão de desrespeitar eventuais sentimentos das pessoas envolvidas, mormente porque, ao que parece, se entendi direito, o povo evangélico ajudou a reformar a dita praça. Entretanto, não me parece lógico, do ponto de vista do nosso atual modelo jurídico e político, separar um local público e proibir atividades que não sejam de cunho de determinada religião. Existe um sistema jurídico em que entidades privadas, após a...

Smartphones deveriam ser produzidos pelo Estado?

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É comum, no metrô, trens, ruas, pontos de ônibus, ver as pessoas carregando seus telefones celulares. São pessoas de todos os níveis sociais. Mesmo as mais humildes conseguem ter o seu aparelho (ainda que não seja tão barato assim). Agora, imagine se o estado começasse a produzir "smartphones", e considerasse a posse de tal aparelho como um direito de cada cidadão. Ou seja, o estado passaria a utilizar parte da sua receita para produzir o dito aparelho um para cada um de nós.  O aparelho teria que ser igual para todos, pois não poderia violar o princípio da isonomia (igualdade), a não ser que diferenciasse por idade, atividade, coisas do tipo. É muito provável que parte da população não viria a se contentar com tal aparelho fornecido pelo estado, e quisesse um de melhor qualidade, tendo que se socorrer da iniciativa privada. Diante de tal quadro, as empresas privadas que produzissem tal tipo de aparelho teriam que fazer com uma qualidade melhor que os produzid...

A tributação das igrejas

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Historicamente, as igrejas construíram creches, escolas, orfanatos, universidades, hospitais, entre outras entidades de benefício social. São religiosos que abrem, em boa parte, casas de acolhimento para ajudar viciados, moradores de rua, entre outras situações. São também as pequenas igrejas que se encontram na periferia, frente a frente, com a situação dos mais marginalizados da sociedade. A grande maioria dos membros das igrejas é composta de pessoas humildes. No convívio eclesiástico pessoas são ajudadas em seus embates sociais, e isso entra muito pouco nas estatísticas e contabilidades oficiais. Por conta dessas e outras evidências, ninguém parecia questionar muito a questão da isenção tributária das religiões, enquanto entidades de interesse social. Entretanto, após notícias em série de “espetaculações” da fé, enriquecimento desmedido de determinados líderes, um grupo declarado de ateus, de maneira bem inteligente e convincente (muito provavelmente mais à esquerda do...

O dia da mulher evangélica

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O governador Geraldo Alckmin sancionou o dia da Mulher Cristã Evangélica no Estado (sim, no estado todo) de São Paulo. A autoria do projeto de lei foi do deputado Adilson Rossi (PSB). Não vai virar feriado. É uma homenagem em reconhecimento da importância das mulheres evangélicas para a família, igreja e sociedade. É claro que reconheço tal importância, entretanto, penso em alguns motivos para que não existisse esse tipo de lei: 1 – Se criarmos o dia da mulher evangélica, o que impede de criarmos o dia da mulher católica, budista, espírita, muçulmana, ateia, agnóstica, entre outras? Porque diferenciar um tipo das demais? TODA e QUALQUER mulher, que for boa cidadã, tem incalculável importância para a sociedade, enfim. 2 – Mais uma vez a mistura da religião com a laicidade do estado, que a meu ver, deve ser evitada. Existem inúmeras religiões hoje. Iremos criar uma lei para cada qual? 3 – Acredito que isso possa ofender um pouco o sentimento das minorias. Se eu fosse um...

O conflito católico/protestante pode ser considerado sempre ruim para o cristianismo?

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Não temos dúvida de que guerras por motivos religiosos sempre trazem um grande flagelo, como a conhecida guerra dos trinta anos (que não era, diga-se de passagem, somente religiosa). Após a Reforma Protestante, e os conflitos que daí se seguiram, a maior parte dos países se dividiu também religiosamente, entre católicos e protestantes. Séculos depois de tais acontecimentos, seguiu-se um grande esfriamento da religião. Por exemplo, ninguém pode negar que a religião católica na Espanha, Portugal, França e Itália está em franco processo de decadência . Também na Inglaterra, Holanda, países nórdicos, predominantemente protestantes em sua história, as igrejas estão fechando as portas . Qual seria o motivo de tanto esfriamento da religião na Europa? Claro que, em um primeiro momento, os livros irão nos ensinar que, após o renascimento, reforma e iluminismo, o velho continente entrou em um processo de laicização impossível de retroceder. Entretanto, gostaria de acrescen...

Lidando com o argumento "ad hominem"

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Digamos que um ateu e um crente estejam empreendendo a seguinte discussão: Ateu : particularmente, entendo que não há bases sólidas para se crer em Deus. Não é possível provar empiricamente a sua existência. O ônus da prova cabe a quem alega. Crente : você não passa de um incrédulo, irracional, bobalhão! Ou então, o contrário: Crente : particularmente, entendo que há mais bases para crer do que para ser incrédulo. Primeiramente, precisamos verificar que nada surgiu do nada nesse mundo. Tudo é derivado de uma causa primeira. Ateu : você não passa de um cego, que tenta impor sua cegueira para todo o mundo! Fanático! Ou então uma conversa de cunho mais político entre o João e o Marquinho: João : sou favorável a um estado mais interventor, a fim de que possa socorrer aqueles que são materialmente desprovidos. Marquinho : seu petralha, comunista! E assim sucessivamente... O que podemos notar em comum em todos esses diálogos? É que o segundo dialoga...

A fidelidade de Deus na vida do patriarca Abraão

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Leitura: Gênesis 12.1-20 O texto nos narra o chamado de Abrão, sua peregrinação e desvio para o Egito, quando mente, entregando sua mulher para Faraó, a fim de preservar a sua própria vida. Quais lições podemos aprender com esse texto? 1 – O chamado de Abrão foi um chamado para a renúncia : lhe foi dito que deixasse sua terra, sua parentela e a casa de seus pais, e que fosse para uma terra que lhe seria anunciada. Assim também, na vida cristã, somos chamados a renunciar a tudo o quanto temos para seguir o Mestre (Lc 14.33). Muitas vezes o chamado envolve realmente em deixar fisicamente muitas coisas para trás. Mas na maioria das vezes, realmente é uma questão de mudança de prioridades. Nossa prioridade agora é a vontade de Deus para nossas vidas. 2 – O servo chamado de Deus deve construir altares em sua caminhada . Abrão construía altares por onde quer que passava (vers. 7,8). Assim também, em nossa caminhada, procuramos estabelecer momentos de comunhão e intimidade ...

O vício em álcool e a liberação das drogas

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Há muitas pessoas que defendem, com algum grau de sensatez, a liberação das drogas. E há motivos para isso, sendo talvez o maior deles o fato de que, em havendo a liberação, a violência decorrente do tráfico irá acabar (por exemplo, as máfias norte-americanas surgiram quando por lá proibiram o comércio de bebidas alcoó licas). Entretanto, me ocorreu um pensamento, acerca de uma eventual liberação.  Algo não fundamentado cientificamente (que eu saiba). Em nossa atividade eclesial, não é incomum nos depararmos com pessoas que têm determinados vícios na vida, notadamente o álcool. Hoje em dia, ouso dizer, todas as famílias possuem alguém próximo com tal vício. E o álcool é uma droga liberada, sabemos todos, com efeitos devastadores quando não o vicio não é moderado. Ocorre que, geralmente, pessoas viciadas em álcool dificilmente aceitam que precisam de ajuda. Demora muito para “cair a ficha”. Presenciei pessoas perderem a vida por conta deste vício, mas sem jamais...

Realmente vale a pena aumentar impostos no Brasil?

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Uma notícia de um ano atrás, mas que vale a pena refletirmos. Estamos entre os trinta países que mais arrecada impostos no mundo, e, entre os tais, somos o que menos retorno em serviços públicos de qualidade dá a população. Aumentar impostos em um país como o nosso, é no mínimo temerário. Não seria o caso, talvez, de diminui-los, e permitir que tais serviços dos quais a população precise fique nas mãos da iniciativa privada? Ou pelo menos moralizar o que já é arrecadado? Fato é que vivemos em um país um tanto quanto burocratizado, caro, em que boa parte das pessoas coloca mais fé em um emprego estatal que na iniciativa privada. Batemos recordes atrás de recordes de arrecadação, e, mesmo assim, serviços como saúde, educação e segurança deixam muito a desejar. Infelizmente, talvez ainda tenhamos agentes públicos que procuram fazer da coisa pública, privada, de modo que o “investimento” não retorna para a população. Será que realmente podemos acreditar em políticos...

Secularismo, islamismo e cristianismo europeu

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Já tive a oportunidade de visitar alguns retiros para estudos promovidos por teólogos liberais. Nestes encontros, Bultmann, Tillich, Spong, Freud, Marx, J. A. T. Robinson, Bonhoeffer,  entre outros (que talvez nem possam ser propriamente chamados de liberais), eram celebrados.  Entre os intervalos das aulas, alunos e professores se reuniam para fumar um cigarrinho e tomar uma cervejinha. Claro que nestes encontros, ninguém ensinava que os milagres relatados nas Escrituras eram verdadeiros. Eram somente mitos. E nem milagres nunca existiram. Nascimento virginal, ressurreição física? Nem pensar. A conversão do indivíduo é analisada em seu aspecto psicológico, sociológico. Nunca como um ato de novo nascimento. Um deles sequer acreditava em conversão. Até mesmo a oração parece ser somente um exercício de falar consigo próprio, seu eu interior, ou com o mistério, enfim. De ressaltar que promotores de tais eventos eram inteligentes, educados, atenciosos, entre outras qualid...