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Ainda sobre a graça de Deus

"Porque Cristo, quando ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios" (Romanos 5.6). D eus nos amou com seu máximo amor quando sequer cogitávamos em lhe dar ouvidos. Fomos absurda e absolutamente amados por Deus quando Cristo deu sua vida por nós. E o que fizemos para merecer isso? Absolutamente nada! Esta é a teologia da graça! Tudo já estava feito e consumado, no nosso caso, antes que sequer existíssemos. E fomos de algum modo atraídos por este amor, até o ponto de dizemos juntamente com Pedro: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo!" (Mateus 16.16). E quase que podemos ouvir juntamente com o referido apóstolo: "Bem aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que te revelou, mas meu Pai que está nos céus" (16.17). Quase posso ouvir também o prólogo do Evangelho segundo João em que o evangelista proclama: "Mas a todos quanto o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber: aos que crêem no seu nome, os qua...

Corrigidos pelo Senhor

"Ora, na vossa luta contra o pecado, ainda não tendes resistido até o sangue, e estais esquecidos da exortação que, como a filhos, discorre convosco: Filho meu, não menosprezeis a correção que vem do Senhor, nem desmaieis quando por ele é reprovado; porque o Senhor corrige a quem ama, e açoita a todo o filho a quem recebe. É para a disciplina que perseverais (Deus vos trata como a filhos); pois, que filho há a quem o pai não corrige? Mas se estais sem correção, de que todos se têm tornado participantes, logo sois bastardos, e não filhos". (Hebreus 12.4-8) Vivemos tempos difíceis. Difíceis porque, é complicado falar em um Deus disciplinador quando talvez, dentro dos lares, há tão pouca disciplina. Fato é que o escritor aos Hebreus faz uma referência a "não ter resistido até o sangue na luta contra o pecado". Isto pode dizer respeito ao martírio, à perseguição que aqueles leitores estavam passando (resitir até o sangue), ou pode ter relação ao esforço máximo para se r...

Ícone Ortodoxo contra o Aborto

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Sugiro enfaticamente aos amigos leitores que consultem o site da Igreja Ortodoxa para entenderem a explicação deste ícone que expressa a monstruosidade do aborto: http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/iconografia/icone_ortodoxo_contra_o_aborto.html #

Novo mandamento vos dou

"Novo mandamento vos dou: que vos amei uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos amei uns aous outros. Nisto conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros" (João 13.34-25). A lguém, ao ler este texto, poderia se perguntar: porque Jesus diz que tal mandamento é novo, visto que, mil anos antes dele, Moisés já mandara cada um amar o próximo como a si mesmo (Levítico 19.18)? Ele é novo pela simples constatação: "Assim como EU vos amei". Ou seja, a grande novidade do mandamento é o próprio Cristo. Ele se torna o paradigma do amor a ser imitado pelos discípulos. E aí, eu convido a que o próprio leitor medite de que modo Jesus amou aos seus discípulos, e estará aí a resposta de como se cumprir este novo mandamento. E isto é muito importante, visto que, o próprio Jesus afirmou que "nisto serão conhecidos como meus discípulos, se tiverdes amor uns aous outros". Cada grupo cristão tem seus próprios símbolos e sinais pelos quais p...

Protestantismo e individualismo

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"Daí, alguns já terem dito que um protestante tentar combater o individualismo é como tentar sair do chão puxando os próprios cabelos..." S emana passada tive uma aula excelente com um professor de sociologia evangélico que nos falava acerca do individualismo moderno, passando pelo Renascimento até a Revolução Industrial, entre os pareceres de diversos doutos acerca do assunto. O individualismo, em seu sentido mais radical e doentio, todos na sala concordaram, é um mal a ser combatido. Foi quando lhe perguntei (sou um aluno meio chato) o que o protestantismo poderia ter a ver com o individualismo moderno; e, em uma sala lotada de alunos protestantes, o professor disse-me, brincando, que eu o havia colocado em maus lençõis... De qualquer modo, fez umas poucas citações de alguns que entenderam a participação do movimento protestante na formação espiritual da sociedade moderna, mas que não daa para entrar em muitos detalhes naquele momento. Alguns alun...

O quanto é lícito juntar

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Por isso, ressalto e repito o que tenho entendido deste assunto até aqui, ainda que corra o risco de ser prolixo: o problema não é juntar dinheiro para comprar um carro, sair do aluguel, pagar um curso, investir em uma aplicação, etc; o problema é se vivermos unicamente para isto... E stes dias, em uma de minhas aulas por aí, conversávamos sobre algumas passagens polêmicas do Novo Testamento, notadamente o Sermão da Montanha, ou sermão do monte. Conversávamos sobre qual seria a ética econômica ideal para os discípulos de Cristo. Ou seja, como deve um discípulo lidar com a questão do dinheiro. Aí, surgem dúvidas das mais diversas, e um professor que se preze deve considerá-las todas com seriedade. Entre elas é, diante das desconcertantes palavras de Jesus de não juntarmos riquezas nesta terra, como deveríamos nos comportar? Uma mãe, por exemplo, perguntou-me se era então lícito juntar dinheiro para a futura faculdade da filha. O outro perguntou se era lícito ter caderneta de poup...

Um evangelho antropocêntrico

O nosso problema é que estamos vivendo a era de um evangelho antropocêntrico. Isto corre o risco de entrar em todas as igrejas; até nas mais sérias. Deus se torna uma espécie de emissário, de servidor do fiel, lhe dando uma vida boa, uma boa casa, uma boa família, um bom emprego, tudo assim. Quem não quer um Deus assim? Que resolva todos os meus problemas? Se você ouvir as músicas evangélicas contemporâneas, verá que em boa parte delas tem em seu centro a figura do adorador. É tudo para mim, um novo tempo para mim, uma nova vida para mim. Não se foca mais a pessoa de Deus, como nos antigos hinos que diziam "Santo, Santo, Santo", ou que exaltavam a fidelidade de Deus dizendo que "Tu é fiel, Senhor", nem se diz mais "A Deus demos glória". O problema disso tudo é que este evangelho antropocêntrico, não obstante nos dar uma carga de otimismo inicial, não resolve a vida de ninguém, pois não combate o que de pior nos torna infelizes, que somos nós mesmos, o pec...

Maria, por um evangelical

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E sta última quinta feira tive a oportunidade de estar em um evento ecumênico, realizado na Paróquia de São Luiz, aqui em São Paulo, em que um padre católico romano, um ortodoxo e um anglicano discorreram acerca das percepções que cada igreja tinha acerca da Bem Aventurada Mãe de Nosso Senhor. O primeiro a falar foi o padre católico que deu uma boa visão histórica acerca dos diálogos entre a igreja católica e demais igrejas sobre o assunto. Discorreu sobre o diálogo com batistas, pentecostais, metodistas, e sobretudo, anglicanos. Um dos pontos que talvez ele tenha mais dedicado seu tempo foi em uma, por assim dizer, a uma interpretação mais aceitável, dos dogmas mariológicos católico romanos por parte das igrejas oriundas da Reforma. Ao discorrer, por exemplo, acerca do dogma da Assunção de Maria, quis dar a entender de que, muito mais do que uma elevação física dela aos céus, tem muito mais a ver com o fato do próprio Deus assumir os seus, levando-os para junto dele, o que ...

Nem legalismo, nem antinominianismo

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"Digo, porém: "Andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne" (Gálatas 5.16). Paulo, conforme já dissemos por aqui, foi talvez o primeiro e maior defensor da doutrina da graça de Deus e da justificação pela fé. Ensinou claramente seus leitores a confiarem única e exclusivamente em Cristo para a salvação. Isto porque, talvez a primeira tentação humana no nível religioso seja justamente a de tentar criar algum sistema de automerecimento para alcançar sua própria salvação, seus próprios méritos diante de Deus. Entretanto, há um outro risco. O risco de se chegar á falsa conclusão de que, já que a salvação é pela graça, e que as obras não salvam, e já que somos libertos em Cristo, podemos viver de acordo do modo como quisermos, sem observância de nenhum ditame moral ou ético para a nossa existência. Os dois erros são tremendamente terríveis, e destroem o evangelho. O primeiro porque afasta a graça de Deus dizendo que Cristo é insuficiente, criando-se um sis...

Da impossibilidade do fundamentalismo

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U m homem vai. Constrói um ídolo. Quem é maior. Ele, ou o ídolo construído?... O homem é maior, ainda que não saiba, pois “deu vida” ao ídolo. O homem profere uma palavra. Quem é maior?... O homem ou a palavra que ele proferiu? O homem é maior, pois sem ele, a palavra não existiria. Que cria a linguagem é o ser humano. Pode haver ser humano sem linguagem. Mas não linguagem sem o ser humano. Depois, na linguagem, o ser humano vai se recriando. O que sabemos de Deus, o sabemos através da linguagem, seja falada, seja escrita. Se a linguagem é menor que o ser humano que a cria, logo, Deus está contido na linguagem que falamos, de modo que a linguagem sobre Deus é menor do que o ser humano que a cria. Mas e se foi Deus que se revelou utilizando-se da linguagem humana... Ora, se Ele fez isso, significa que Ele se diminuiu, esvaziou-se, se adaptou... O sopro se vez verbo... Portanto, se Ele esvazia-se no ato de se comunicar, significa que o que temos dele em nossa linguagem não é a totalidade...

Anselm Grün no Brasil

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A convite de uma amiga minha católico-romana, tive a graça e a oportunidade de estar em uma palestra do renomado mestre e teólogo em espiritualidade Anselm Grün nesta última segunda feira.

A imensidão do cosmos e a pequenez da vida

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O prezado leitor já deve ter feito algum estudo, ou visto alguma informação no sentido de se comparar, por exemplo, a estrutura, o tamanho do planeta terra com o sol. Se acaso tenha tal informação, verá que a terra é muitíssimo menor que a estrela que sustenta este nosso sistema. Acho que a comparação talvez seja a de um pequeno limão perto de uma bola de basquete, ou talvez seja maior ainda a discrepância entre uma e outra. Entretanto, o sol não nos atrai muito. Não passa de uma bola de fogo. Acho que não faz meditar; só faz temer (e abanar). Vai que este troço explode um dia, é o fim de todos nós. Mas salvo sacerdotes criadores de religião, penso que o sol não faz meditar muito. Por outro lado, haja vista a grande tecnologia de nossos dias, podemos, por exemplo, comparar o sol com outras estrelas. A estrela “Vega”, por exemplo. Veremos que é aí que o sol se torna pequeno. Ou então comparar o nosso sistema solar com outro. Veremos que há incontáveis sistemas, talvez tão complexos e i...

Se o exame é livre, porque a intolerância?...

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H á um certo paradoxo no protestantismo. Paradoxo este daqueles complicados de entender, daqueles em que, um mesmo fenômeno apresenta tantas contradições em um mesmo aspecto que é de deixar qualquer um meio tonto, ou atônito... Um destes paradoxos do protestantismo é: como um movimento que, de certa forma, esteve na vanguarda do chamado individualismo no Ocidente (isto, tanto no bom como, talvez, no mau sentido) possa desenvolver características, as vezes, tão intolerantes? Explico. O protestantismo é, em tese, o ramo da cristandade que tem o menor espectro dogmático de todos; ou seja, comparado com o catolicismo romano e com a ortodoxia do oriente, há pouquíssimas crenças absolutamente obrigatórias no protestantismo. De modo geral, no protestantismo as crenças tradicionais na Santíssima Trindade, mais as teses protestantes do "Somente a Cristo", "somente a Graça", "somente a fé" e "somente a Escritura" são, de modo geral, são as crenças que toda...

Protestantismo, ortodoxia e liberalismo

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É comum vermos uma certa "guerra doutrinária" nos seminários e circulos teológicos evangélicos. A bola da vez é atacar o que se convencionou chamar de liberalismo teológico". Entram debaixo desta alcunha desde teólogos neo-ortodoxos como Karl Barth ou mesmo existencialistas como Tillich e Bultmann, que de liberais mesmo, tenho alguma dúvida se algo tiveram... Aliás, conversando aqui ou acolá, a gente fica sabendo que gente que é considerada liberal por um grupo é considerada conservadora por outro. Vejamos o exemplo de Dom Robinson Cavalcanti, o grande anglicano brasilerio. No meio evangélico, é considerado um liberal. Se você ler o blog do Júlio Severo, que, salvo melhor juízo, está entre os ultra conservadores, verá muitas críticas ao socialismo de Cavalcanti. Entretanto, se você conhecer boa parte da liderança da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, igreja da qual o mencionado pernambucano foi consagrado bispo, veríamos que por lá ele é considerado ortodoxo, conserv...

A fraqueza de Deus...

S empre recordo-me de um dito de Bonhoeffer acerca da presença de Deus no mundo... O referido teólogo alemão, quando preso em um campo de concentração nazista, e a meditar, entre outras coisas, no sofrimento humano escreveu sobre a fraqueza de Deus, e que a maturidade do cristão exigia que ele aprendesse a viver o abandono do Getsemani, ou seja, como se não houvesse Deus no mundo. Vivos no mundo, mas sem Deus no mundo... E que, se Cristo era a expressão máxima de Deus no mundo, isto significaria que, na cruz, Deus se permitiu ser expulso do mundo! Ou seja, a cruz não foi somente a mensagem de Deus ao mundo, expressando o seu máximo amor! A cruz também foi, em contrapartida, a mensagem do mundo para Deus: "não te queremos mais aqui!!! Fora daqui!!! E o expulsaram do mundo, crucificando-o numa cruz... E o que é pior (ou melhor). Ele deixou. Ele permitiu. O Filho de Deus se permitiu ser crucificado, anulou-se a si mesmo, e deu de si mesmo... Foi a fraqueza de Deus que venceu o mundo....