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São João Crisóstomo e seu pensamento sobre as riquezas

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"Diz-me de onde vem tua riqueza? De quem a recebeste? E aquele de quem ele a herdou? Do avô, dir-se-à, do pai. Será que poderias, remontando às gerações, provar que esta posse é justa? Não poderias comprová-lo porque sua origem e raiz estão necessariamente associadas a uma injustiça qualquer. Por quê? Porque Deus, no começo, não criou, de um lado, ricos, e do outro, pobres... Ele deu a mesma terra a todos. Como é que se explica que, sendo a terra comum a todos, tu possuis uma tão grande quantidade de hectares, enquanto seu vizinho nem sequer possui um punhado? 'Foi meu pai', dizes tu, 'que me transmitiu tudo isso'. - E ele, de quem recebeu esta terra? -'De seus antepassados'. Mas se recuar bem atrás, vamos encontrar necessariamente a origem.... Quando alguém tenta apoderar-se de um bem para torná-lo seu, então, surgem as brigas, como se a própria natureza se indignasse pelo fato de que - enquanto Deus nos reúne os homens de toda a parte - nós n...

O testemunho de São João Crisóstomo

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U ma das biografias dos santos cristãos que considero mais fascinante é a de João Crisóstomo, que o leitor só terá a ganhar caso faça uma pesquisa sobre ela. Ele é considerado um dos maiores padres da Igreja Oriental pelos cristãos ortodoxos, e Doutor da Igreja, pelo catolicismo romano. E ouso dizer que, pela ênfase que os protestantes dão à pregação, Crisóstomo também deve ser considerado digno de admiração e inspiração, um de seus patriarcas. Crisóstomo significa “boca de ouro”. Ele era de família aristocrática; órfão de pai, foi criado pela mãe que o encaminhou a uma excelente educação. Em sua juventude, João optou pelo batismo cristão, tornando-se um excelente estudante das Sagradas Escrituras, filiando-se à chamada “escola de Antioquia” (foi lá que ele nasceu), que privilegiava mais o sentido literal e histórico das Escrituras; ao contrário da de Alexandria, onde florescia mais o sentido alegórico. Não tardou e foi ordenado leitor, depois diácono (381), presbítero (386)...

O padre, segundo João Crisóstomo

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É necessário que a alma do padre bilhe à maneira de uma tocha que ilumina a terra inteira; a nossa está encoberta por tal sombra provenitente de uma má consciência que se encontra incessantemente submersa nela e já não consegue levantar, com confiança, os olhos para o seu mestre. Os padres são o sal da terra; mas quem suportaria facilmente nossa tolice e nossa falta de experiência em todas as coisas, senão vocês que estão habituados a nos amar de maneira exagerada? Com efeito, é necessário não só que ele seja puro para ser julgado digno de tal serviço mas ainda que seja suficientemente precavido e possua uma grande experiência. Deve conhecer as coisas da vida como aqueles que vivem no mundo, embora deva manter-se afastado de todas elas mais do que os monges que se refugiaram nas montanhas. Por viver em companhia dos homens que têm mulher, criam filhos, dispõem de empregados, estão rodeados por grandes riquezas, administram negócios públicos e ocupam posições importantes, é necessário...