A vaidade no coração


Há muitos motivos descritos nas Escrituras Sagradas que, segundo os escritores, fazem com que nossas orações não sejam ouvidas.

Um destes motivos é o que está descrito no Salmo 66.18:

"Se eu no coração contemplar a vaidade, o Senhor não me teria ouvido".

O que é contemplar?

Contemplar é admirar, é se demorar, é permitir que se faça morada.

O termo vaidade aqui também pode, segundo alguns, ser traduzido por iniquidade (afinal, tudo é vaidade, como já disse o autor de Eclesiastes).

Isso significa que, se nós dermos morada à iniquidade em nossos corações, não seremos ouvidos por Deus.

Mas alguém pode questionar: não é Deus quem purifica os nossos corações?

Há muita confusão nesta questão, por isso, precisamos tentar esclarecer algumas coisas.

O ser humano, neste mundo, precisa ser convencido do pecado, da justiça, e do juízo, e isso, somente o Espírito do Senhor pode fazer (João 16.8) pois o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo (II Co 4.4).

Então, nos despertar para a realidade do mal é uma tarefa do Senhor. Ocorre que, uma vez despertos, é nossa  responsabilidade, com o auxílio da graça de Deus, cuidar dos nossos corações para que neles o mal não faça morada.

O que nos torna realmente humanos, entre outras coisas, não é o fato de termos sido determinados por algo, mas sim de, em um dado momento de nossas vidas, nos auto-determinarmos.

Então, se o adultério, a ira, a violência, a ganância, e toda a sorte de torpezas passar a habitar os nossos corações a ponto de podermos contemplar, isso é responsabilidade nossa!

Daí, porque, o autor de Provérbios nos adverte:

"Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida" (Pv 4.23).

Evitemos contemplar a maldade em nossos corações, para que possamos "ser ouvidos" por Deus em nossas orações, e dizer com o salmista:

Entretanto, Deus me tem ouvido, e me tem atendido a voz da oração.
Bendito seja Deus, que não me rejeita a oração nem aparta de mim a sua graça.
(Salmo 66.19-20).


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