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Eclesia e justiça distributiva

“Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade” (Atos 2.45). O s membros da igreja dos apóstolos vendem suas propriedades e formam um capital de apoio para os que têm necessidade. Assim, a Eclésia realiza justiça social, dando um mínimo de condições dignas de existência a todos os seus membros. Não é algo obrigatório, pois não é assim que o amor funciona. Os bens do povo de Deus são para o povo de Deus. Assim como os filhos do reino são chamados para não juntar bens neste mundo, assim também é a igreja de Deus. Pobre no mundo.

Anglicanos tornando-se católicos romanos

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A mídia tem noticiado um número significativo de anglicanos que têm se tornado católico romanos. Muitos amigos evangélicos perguntam-me, porque raios tais anglicanos não vão para uma igreja protestante mais tradicional, já que estão insatisfeitos. O fato é que o anglicanismo é composto de diversas tendências, das quais pelo menos três podemos citar. Há anglicanos anglo-católicos, por exemplo. Estes, em tudo assemelham-se aos católico romanos, a não ser pelo fato dos clérigos poderem se casar. Outra tendência é a evangelical, que se aproxima mais dos protestantes. A diferença é que mantém uma eclesiologia católica, não obstante uma soteriologia oriunda da Reforma, por assim dizer, e com uma liturgia mais "light". John Stott, James Packer, N. T. Wright, Robinson Cavalcanti, são alguns anglicanos que representam esta tendência. Há ainda uma tendência mais liberal no anglicanismo, que pode ser vista talvez como um ultra-protestantismo, no aspecto teológico, ainda que se mante...

Que tipo de luz queremos ser?

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“Vós sois a luz do mundo” (Mateus 5.13). H á muitos tipos de luzes no mundo. Há velas, e lâmpadas, mas também há fogos de artifícios. Quando geralmente viramos o ano novo, ou comemoramos alguma data importante, podemos vislumbrar nos céus das praias o grande espetáculo dos fogos de artifício. São realmente luzes impressionantes de se ver e ouvir. Quando se está no meio, ou logo abaixo da explosão de fogos, é quase assustador e bastante emocionante. Realmente impressionam pela sua aparência, pelo show, pela multidão que atraem e pela comoção que causam. O barulho que fazem chega a ser ensurdecedor. Ninguém ousa disputar a atenção quando os tais começam a estourar.

Co-participantes do sofrimento de Cristo

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“...pelo contrário, alegrai-vos na medida em que sois co-participantes dos sofrimentos de Cristo” (1 Pedro 4.13). Q uando Pedro escreveu estas palavras, o fez para um público que corria o risco de constantemente ser perseguido por conta de sua adesão ao evangelho. O sofrimento é uma realidade na vida de todos aqueles que unem suas vidas à Cristo, ainda que muitos passem de largo desta realidade.

Lectio Divina

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Por Henri Nouwen T omar a Escritura e lê-la contemplativamente chama-se "lectio divina" ou leitura espiritual. A expressão "lectio divina" vem da tradição beneditina e refere-se principalmente à leitura divina ou sagrada da Bíblia. "Lectio Divina" é a antiga prática monástica de ler a Escritura meditativamente - não para dominar a palavra, não para criticar a palavra, mas para ser dominado e desafiado pela palavra. Significa ler a Bíblia "de joelhos", isto é, com reverência, atenção e profunda convicção de que Deus tem uma palavra única para você, exatamentena situação em que você se encontra. Em suma, leitura espiritual é uma leitura na qual permitimos que a palavra nos leia e nos interprete. A leitura espiritual é uma disciplina de meditação sobre a Palavra de Deus.Meditar significa "deixar a palavra descer da nossa mente para o nosso coração". A meditação significa mastigar a palavra e incorporá-la à nossa vida. É a disciplina pe...

Silêncio humilde

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Por Thomas Merton N ão é o falar que rompe nosso silêncio, mas a ansiedade de sermos ouvidos. As palavras do orgulhoso impõem silêncio aos demais, de maneira que só ele possa ser ouvido. O humilde fala somente para que lhe falem. O humilde nada pede senão uma esmola; depois, espera e escuta. Recebemos a Cristo ouvindo a palavra da fé. Trabalhanos na obra da nossa salvação em silêncio e na esperança; mais cedo ou mais tarde, porém, chega a hora em que devemos abertamente confessá-lo diante dos homens e, em seguida, diante de todos os que habitam no céu e na terra. Se nossa vida se derrama em palavras inúteis, jamais ouviremos algo, jamais nos tornaremos algo e, no fim - porque já dissemos tudo antes de termos tido algo a dizer - ficaremos sem fala no momento de nossa maior decisão. (in Na liberdade da solidão, Ed. Vozes, p.71-72) A igreja necessita urgentemente de pessoas que saibam ouvir, pois todo o falar, muitas vezes se parece mais com uma disputa do q...

O testemunho de São João Crisóstomo

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U ma das biografias dos santos cristãos que considero mais fascinante é a de João Crisóstomo, que o leitor só terá a ganhar caso faça uma pesquisa sobre ela. Ele é considerado um dos maiores padres da Igreja Oriental pelos cristãos ortodoxos, e Doutor da Igreja, pelo catolicismo romano. E ouso dizer que, pela ênfase que os protestantes dão à pregação, Crisóstomo também deve ser considerado digno de admiração e inspiração, um de seus patriarcas. Crisóstomo significa “boca de ouro”. Ele era de família aristocrática; órfão de pai, foi criado pela mãe que o encaminhou a uma excelente educação. Em sua juventude, João optou pelo batismo cristão, tornando-se um excelente estudante das Sagradas Escrituras, filiando-se à chamada “escola de Antioquia” (foi lá que ele nasceu), que privilegiava mais o sentido literal e histórico das Escrituras; ao contrário da de Alexandria, onde florescia mais o sentido alegórico. Não tardou e foi ordenado leitor, depois diácono (381), presbítero (386)...

O padre, segundo João Crisóstomo

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É necessário que a alma do padre bilhe à maneira de uma tocha que ilumina a terra inteira; a nossa está encoberta por tal sombra provenitente de uma má consciência que se encontra incessantemente submersa nela e já não consegue levantar, com confiança, os olhos para o seu mestre. Os padres são o sal da terra; mas quem suportaria facilmente nossa tolice e nossa falta de experiência em todas as coisas, senão vocês que estão habituados a nos amar de maneira exagerada? Com efeito, é necessário não só que ele seja puro para ser julgado digno de tal serviço mas ainda que seja suficientemente precavido e possua uma grande experiência. Deve conhecer as coisas da vida como aqueles que vivem no mundo, embora deva manter-se afastado de todas elas mais do que os monges que se refugiaram nas montanhas. Por viver em companhia dos homens que têm mulher, criam filhos, dispõem de empregados, estão rodeados por grandes riquezas, administram negócios públicos e ocupam posições importantes, é necessário...

O discurso de despedida de um stárietz

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M as ainda que ele falasse com clareza e a voz estivesse muito forte, a fala porém, saia muito desconexa. Falou de muita coisa; parecia querer dizer tudo, concluir, no instante da morte, tudo o que deixara por dizer em vida, sem visar unicamente ao ensinamento mas como se ansiasse por dividir sua alegria e seu êxtase com todos e com tudo, desafogar o coração mais uma vez na vida... - Amai uns aos outros, padres... Amai o povo de Deus. Não somos mais santos que os leigos pelo fato de termos vindo para cá e nos enclausurado entre estas paredes mas, ao contrário, cada um veio para cá, já pelo simples fato de ter vindo, conheceu consigo que é pior do que todos os leigos, do que tudo e todos na Terra... E quanto mais o monge viver depois entre suas paredes, mais sensivelmente deverá tomar consciência disto. Porque em caso contrário não teria nenhum motivo para estar aqui. Só quando toma consciência de que não é só pior do que todos os leigos mas é, ainda, culpado perante todos ...

A glória de Deus em Lázaro

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"Quando, pois, soube que Lázaro estava doente, ainda se demorou dois dias no lugar onde estava" (João 11.6). S empre achei estranho ler estas palavras de Cristo. Isto porque, fico imaginando que, se eu amasse alguém, e soubesse que estava precisando de socorro, correria imediatamente para tentar assistenciá-lo.

O governo cristão e o governo secular

P enso que a maior diferença que pode existir de princípios entre um governo de índole cristã e outro, secular, é o fato de que o primeiro serve o povo, e o segundo, serve-se do povo. Os anabatistas, radicais defensores da separação entre a Igreja e o Estado, diziam que seria impossível um governo ter tal índole, daí não se imiscuirem nos negócios públicos.

Tropeçar no falar II

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"Assim também a língua, pequeno órgão, se gaba de grandes coisas" (Tiago 3.5). H á duas coisas que os seres humanos fazem com frequência, quando falam. Ou falam mal da vida alheia, ou ficam se gabando de coisas que fizeram. Faça esta observação, este teste, e será interessante. Qualquer assunto que se fale, parece que se está sempre disputando para ver quem é melhor em determinada coisa, ou conta o caso mais interessante, ou o acontecimento mais chamativo. As vezes, se disputa até para ver quem sofreu mais, quem teve o maior trauma, a pior doença, enfim. Há, podemos assim dizer, uma certa normalidade nisso. Mas quando alguém exageradamente fica nisso, vai ficando insuportável... E perceba que as pessoas não têm muita paciência, e mal querem saber o que o outro tem a dizer. Querem tão somente um intervalo para falar o que realmente querem. Dificilmente alguém mostra verdadeiramente interesse no outro. Por isso, foi o próprio Tiago que ensinou que "todo homem sej...

Tropeçar no falar

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"Se alguém não tropeça no falar é perfeito varão, capaz de refrear também todo o seu corpo" (Tiago 3.2) I nfelizmente somos assim. Tropeçamos no falar, o tempo todo. Quando dois amigos cristãos se reúnem para falar, vão falar do que lhe é mais comum; e infelizmente, muitas vezes o que lhe é comum são as críticas a outros irmãos da sua própria igreja. Damos um ar de espiritualidade, preocupação, mas na verdade, o que queremos mesmo é "desabafar", expor nossa crítica, nosso ponto de vista, enfim. Nestas horas, o que deveríamos fazer mesmo é um jejum de palavras! Daí, talvez, algumas dicas possam ser úteis para evitarmos tais tropeços. Cuidado ao falar de pessoas ausentes . Talvez uma boa regra seja pensar se, o que você está falando de quem está ausente, seria a mesma coisa que diria caso ela estivesse presente. Se for algo que não diria, provavelmente estará pecando. Há um dito de Roger de Taizé que admiro muito, quando ele diz que "o evangelho não nos...

Da infabilidade das Escrituras II

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D esde os meus primeiros anos em um seminário, ouvia falar muito mal de Karl Barth. Isto porque, segundo meus mestres, Barth dizia que a Bíblia “contém” a Palavra de Deus, e não que “é” Palavra de Deus. Obviamente, fiquei muito tempo sem ler Barth... Ocorre que, passado um tempo, percebi que é Barth, na verdade, que se mantém fiel ao protestantismo, e não os meus mestres... Isto porque, o mencionado teólogo, no meu entender, nada mais faz do que fazer reverberar os próprios ditos de Lutero, o grande reformador. Lutero entendia que a Palavra de Deus é o próprio Cristo, que habitou entre nós, viveu vida de cruz, morreu por nós e ressuscitou. E as Escrituras disso dão testemunho, apontam para este fato, mas não são o fato em si. E Lutero não acreditava na infabilidade total dos textos bíblicos, tanto é duvidou da inspiração da epístola de Tiago do cânon, de trechos de Hebreus e Apocalipse, além dos livros apócrifos (deuterocanônicos, para os católicos). Karl Barth, no meu sentir, tão...

A Encarnação - o verdadeiro sentido do natal

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“Eis que a Virgem conceberá e dará a luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco)” (Mateus 2.23). N esta época do ano, começamos a nos preparar para o Natal. Igrejas de características mais litúrgicas estão a cada domingo, acendendo as velas do advento. Eu, particularmente, admiro profundamente a liturgia praticada em séculos pelos cristãos, mas que, infelizmente, se perdeu nos círculos evangélicos, dos quais faço parte. Esta, penso, é uma daquelas coisas que tiramos do culto sem colocar nada à altura no lugar... Lamento ainda mais por aqueles que simplesmente aboliram o natal de seu calendário, pelo simples fato de ser uma data fictícia elaborada em um período imperial. Pena... Entretanto, não é sobre liturgias que quero discorrer nesta oportunidade, mas sim sobre algo que entendo ser o verdadeiro sentido do natal. Nada de novo, mas somente reforçar aquilo que como cristãos já sabemos. O de mais sublime, maravilhoso, indescritível, fantástico...